Promessas de emagrecimento, aumento de massa muscular, recuperação de lesões, melhora da pele e maior longevidade colocaram os peptídeos entre os assuntos mais difundidos atualmente nas redes sociais, academias e clínicas. A popularidade, entretanto, não significa que todas as substâncias oferecidas ao público sejam tratamentos reconhecidos pela medicina.
Peptídeos são pequenas sequências formadas por aminoácidos. No organismo, muitos funcionam como mensageiros químicos, transmitindo instruções entre células, tecidos e órgãos. Algumas dessas moléculas deram origem a medicamentos importantes, como a insulina e terapias utilizadas contra diabetes e obesidade. Outras permanecem em fase experimental.
“Peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos que funcionam, muitas vezes, como mensageiros do organismo. Eles possuem grande potencial terapêutico, mas peptídeo não é sinônimo de tratamento eficaz”, explica o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles.
Segundo reportagem da Veja Saúde, a disseminação de versões injetáveis sem aprovação acompanha um mercado que utiliza linguagem científica para divulgar benefícios ainda não confirmados. Entre as substâncias promovidas para fins estéticos, regenerativos ou de desempenho estão BPC-157, TB-500, CJC-1295, ipamorelina e GHK-Cu injetável. Para várias dessas aplicações, as evidências clínicas continuam limitadas ou inexistentes.
“Peptídeos são pequenas sequências de aminoácidos que, muitas vezes, funcionam como mensageiros do organismo. Eles apresentam grande potencial terapêutico, mas peptídeo não é sinônimo de tratamento eficaz”, explica o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sánchez Robles.
O médico ressalta que resultados obtidos em estudos com células ou animais não podem ser automaticamente transferidos para pacientes. Antes de ser aprovado como medicamento, um composto precisa passar por diferentes etapas de pesquisa, nas quais são avaliados a dosagem, os benefícios, os efeitos adversos e os riscos.
“Uma molécula ser biologicamente interessante não significa que ela já seja um bom medicamento. Existe uma distância importante entre um resultado promissor em laboratório e um tratamento que realmente funcione com segurança na prática clínica”, destaca o Dr. José Israel.
Um dos exemplos é o GDF-15, substância que despertou interesse por resultados expressivos de perda de peso em estudos com animais. Nos testes realizados com seres humanos, porém, o benefício foi consideravelmente menor, enquanto participantes apresentaram efeitos adversos como náuseas e vômitos. A diferença levou pesquisadores a rever o potencial da molécula como tratamento contra a obesidade
“O caso dos agonistas do GDF-15 mostra por que é preciso ter cautela. Os resultados em animais foram impressionantes, mas, quando a substância chegou aos estudos em seres humanos, a perda de peso foi pequena e surgiram efeitos adversos importantes”, observa o nutrólogo.
Além da incerteza sobre os resultados, produtos clandestinos podem apresentar problemas relacionados à procedência, composição, armazenamento e presença de impurezas. O risco aumenta quando substâncias experimentais são adquiridas pela internet ou aplicadas sem acompanhamento médico adequado.
Para José Israel, a análise deve considerar as evidências disponíveis para cada molécula, a indicação estudada e sua aprovação pelos órgãos reguladores. O fato de determinado peptídeo ter utilidade reconhecida para uma doença específica não justifica seu uso indiscriminado para emagrecimento, estética ou longevidade.
“Na medicina, a novidade merece atenção, mas uma grande promessa exige evidências ainda mais robustas. O paciente não deve confundir a divulgação nas redes sociais com comprovação científica”, conclui o médico.












