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Como o eleitor indeciso pode definir as duas vagas ao Senado em Goiás

Quaest registra 68% sem citar candidato espontaneamente; AtlasIntel mostra outra ordem entre os principais concorrentes


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 04/10/2026 - 09:21

Gracinha lidera, Gayer, Zacharias e Vanderlan aparecem em empate técnico na corrida ao Senado Federal (Foto: Divulgação)

A disputa pelas duas vagas de Goiás ao Senado chega à votação deste domingo (4) com um dado que relativiza as posições nas pesquisas: 68% não citaram candidato na pergunta espontânea da Quaest, feita sem apresentar os nomes dos concorrentes. Quando a lista é mostrada, a indecisão cai para 15% no resultado agregado dos dois votos.

A distância entre esses indicadores mostra que reconhecer um candidato e mencioná-lo sem ajuda são situações diferentes. Não significa que dois terços do eleitorado estejam disponíveis para qualquer candidatura, mas aponta uma escolha menos consolidada do que a classificação dos favoritos, sozinha, sugere. 

Segunda escolha concentra mais dúvidas

Na Quaest, a indecisão é de 12% para o primeiro voto e sobe para 18% no segundo. É nessa escolha adicional que candidatos podem encontrar espaço entre eleitores que já têm uma preferência principal.

No segundo voto, Gracinha Caiado (União Brasil) aparece com 15%, Zacharias Calil (MDB), com 14%, e Gustavo Gayer (PL), com 12%. Gustavo Mendanha (PRD) registra 9% e Vanderlan Cardoso (PSD), 8%.

Há outro indicador relevante: na pergunta sobre firmeza da decisão, 18% admitem mudar o voto, enquanto 82% dizem que a escolha é definitiva. Esse percentual não deve ser somado aos indecisos. As perguntas medem aspectos diferentes do comportamento eleitoral. 

Pesquisas divergem sobre quem chega à frente

A Quaest coloca Gracinha na liderança, com 30% dos votos válidos, seguida por Gayer, com 21%, e Calil, com 18%. Na AtlasIntel, a ordem muda: Gayer tem 23,8%, Gracinha, 16,7%, e Calil, 14%. Oséias Varão (PL) aparece com 12% na AtlasIntel, ante 7% na Quaest. 

A divergência entre institutos não comprova mudança de preferência ao longo dos dias. São levantamentos com métodos e períodos de coleta diferentes. Mas recomenda cautela ao tratar qualquer combinação de nomes como resultado encaminhado.

A AtlasIntel também expõe o peso da segunda escolha. Gayer tem 34,9% na primeira opção e 8,3% na segunda, em votos totais. Varão faz o caminho inverso: registra 2,2% na primeira e 19,6% na segunda. Mendanha passa de 4,6% para 13,6%.

No levantamento, os que não sabem responder representam 3% na primeira escolha e 5,7% na segunda. Esses índices não são comparáveis aos 68% da espontânea da Quaest, obtidos sem apresentação dos candidatos. 

O que os votos válidos deixam de fora

Os percentuais de votos válidos retiram da conta brancos, nulos e indecisos. Na Quaest, a estimativa também considera a propensão de comparecimento às urnas, pelo modelo conhecido como likely voter. Portanto, não se trata apenas de redistribuir proporcionalmente os votos totais. 

A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 2 e 3 de outubro, com margem de erro de dois pontos e registro GO-00674/2026. A AtlasIntel entrevistou 1.198 pessoas entre 27 de setembro e 2 de outubro, por recrutamento digital, com margem de três pontos e registros GO-03367/2026 e BR-02318/2026. Ambas informam confiança de 95%. 

A decisão de última hora pode pesar justamente porque cada eleitor tem duas escolhas. Para quem disputa o Senado, conquistar o segundo voto de alguém que já apoia um adversário pode ser tão decisivo quanto tornar-se sua preferência principal.

 

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