Nova Roma deu ao governador Daniel Vilela (MDB) sua maior votação proporcional na eleição deste domingo (4): 81,94% dos votos válidos. O resultado coloca o município do Nordeste goiano no centro de uma promessa feita pelo emedebista durante a campanha: atender uma demanda da cidade com maior percentual de apoio em cada região e reservar um “presente dobrado” à campeã estadual.
São Domingos, também no Nordeste goiano, aparece na sequência, com 80,34%. Os dois municípios deram a Daniel mais de oito em cada dez votos válidos. Em São Domingos, foram 3.977 votos para o governador, de acordo com dados do TSE.
A concentração dos maiores percentuais na mesma região acrescenta um recorte à reeleição. Pelo critério anunciado no palanque, Nova Roma reúne as duas condições mencionadas por Daniel: a maior votação proporcional regional e a maior de Goiás.
O compromisso do “presente dobrado”
A declaração ocorreu em 15 de setembro, durante o “Dia do 15”, em Aparecida de Goiânia, diante de 123 prefeitos. Daniel afirmou que os municípios com os maiores percentuais de apoio poderiam escolher, com participação do prefeito e da comunidade, uma obra a ser realizada depois da eleição.
Para a cidade que liderasse o ranking estadual, acrescentou que haveria “presente dobrado”. O episódio foi registrado durante a campanha pela coluna Tribuna Política.
Com o resultado das urnas, a promessa passa a ter um endereço. Isso não significa que Nova Roma já tenha obra aprovada, recurso reservado ou prazo de execução. Significa que o município se enquadra no critério eleitoral apresentado pelo próprio governador.
Declaração provocou reação na Justiça
A associação entre votação e investimentos públicos foi contestada por adversários ainda durante a campanha. A coligação formada por PL e Novo e o senador Wilder Morais (PL) apresentaram ação contra Daniel e seu vice, Luiz do Carmo (PSD), com acusações de abuso de poder político e captação ilícita de sufrágio. A apresentação da ação não equivale a uma condenação.
Em resposta à controvérsia, a campanha de Daniel classificou a declaração como uma “hipérbole” feita em comício com aliados e afirmou que as decisões administrativas seguem critérios de legalidade e boa gestão.
A ressalva apresentada durante a campanha acompanha agora o resultado. O próximo passo é saber como o governo tratará Nova Roma: qual demanda será discutida com o município e que compromisso concreto sairá da promessa anunciada aos prefeitos.















