Grupo TraderTraitor, associado ao governo norte-coreano, é apontado por empresas de análise com alto grau de confiança; Binance congelou cerca de US$ 3 bilhões e promete cobrir perdas com fundo próprio
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, confirmou nesta quinta-feira (29) um ataque hacker que afetou aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. O valor equivale a cerca de R$ 33 bilhões e configura o maior roubo já registrado no setor de criptomoedas, superando o episódio da Bybit em 2025.
A empresa informou que o ataque ocorreu em suas carteiras quentes e envolveu a movimentação de fundos por dez blockchains diferentes. Segundo a análise da TRM Labs, o invasor transferiu cerca de US$ 6,36 bilhões em pouco menos de 20 minutos. A Binance conseguiu congelar aproximadamente US$ 3 bilhões em coordenação com parceiros, mas parte significativa dos recursos segue sob controle dos criminosos.
A suspeita sobre a Coreia do Norte
Empresas de análise de blockchain apontam o grupo TraderTraitor como responsável pela invasão. A TRM Labs afirmou ter alto grau de confiança na atribuição, com base em inteligência on-chain e off-chain. A Chainalysis também declarou compartilhar do mesmo entendimento, embora a autoria não tenha sido oficialmente confirmada.
O TraderTraitor é uma unidade de hackers vinculada ao Lazarus Group, organização que os Estados Unidos associam ao governo da Coreia do Norte. O país já foi responsabilizado por ataques anteriores, incluindo o roubo de US$ 1,5 bilhão da Bybit em fevereiro de 2025. O governo norte-coreano nega envolvimento em operações cibernéticas criminosas.
Como o ataque aconteceu
A investigação inicial aponta que a invasão pode ter começado com o comprometimento do laptop de um engenheiro de DevOps, profissional responsável pela infraestrutura tecnológica da corretora. Segundo o co-CEO da Binance, Richard Teng, o invasor acessou um contêiner de serviço e, por meio dele, enviou transações de retirada não autorizadas.
Teng afirmou que o ataque não foi uma operação simples, realizada com as permissões de um único funcionário. “O invasor não utilizou simplesmente as permissões de um único engenheiro, e isso não foi uma ação isolada, realizada com um único clique. O ataque envolveu um processo mais complexo”, declarou. A empresa informou que não encontrou evidências de vazamento de chaves privadas das carteiras.
Medidas adotadas e impacto no mercado
Após identificar a invasão, a Binance suspendeu temporariamente os saques e revogou as autorizações dos endereços afetados. Os depósitos continuaram funcionando normalmente. A corretora acionou forças de segurança e empresas de inteligência de blockchain para rastrear os recursos e tentar recuperá-los.
As plataformas Tether e Circle informaram ter congelado cerca de US$ 2,4 bilhões em ativos, somadas. A Binance também anunciou que cobrirá todas as perdas com recursos do fundo SAFU e do próprio patrimônio. A empresa afirmou que publicará uma versão atualizada de sua Prova de Reservas após a conclusão das medidas corretivas.
No mercado, o Bitcoin registrou queda superior a 4% após a divulgação do ataque. Ainda não está claro se episódios dessa dimensão terão efeitos duradouros sobre a confiança dos investidores no setor.
O histórico de ataques atribuídos à Coreia do Norte
Hackers associados ao governo norte-coreano são recorrentemente apontados como responsáveis por grandes roubos de criptomoedas. Segundo relatórios de empresas de análise, grupos ligados à Coreia do Norte responderam por mais de 76% do valor total roubado no setor em 2026. Os recursos, segundo especialistas, serviriam para financiar programas do governo norte-coreano, que enfrenta sanções internacionais.
O episódio mais próximo em dimensão havia ocorrido em 2025, com o ataque à Bybit. Cerca de duas semanas após o crime, pelo menos US$ 300 milhões já haviam sido convertidos em recursos considerados impossíveis de recuperar. A Bybit abriu um processo civil contra a Coreia do Norte e o Grupo Lazarus.
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