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Confira quais políticos supostamente envolvidos no caso Master se elegeram e poderão ter imunidade parlamentar

Sete nomes citados em mensagens, documentos ou investigações relacionados ao Banco Master venceram nas urnas; menções possuem pesos diferentes e não representam comprovação de irregularidade


Por Carlos Nathan Sampaio em 05/10/2026 - 11:14

Mensagens indicam que Vorcaro aprovava vídeos de Gabriela Prioli pagos pelo Banco Master
(Foto: Reprodução)

Sete dos nove principais políticos associados ao caso Banco Master conquistaram mandatos nas eleições de 2026. Entre os vitoriosos estão dois senadores e cinco deputados federais, que terão as prerrogativas constitucionais destinadas aos integrantes do Congresso Nacional.

É importante destacar que os vínculos atribuídos a cada político são diferentes. Há desde contatos pessoais e conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro até contratos comerciais e suspeitas investigadas pela Polícia Federal. A simples citação em mensagens, documentos ou reportagens não significa que o político seja formalmente investigado nem comprova a prática de crime.

Confira os eleitos

  • Jaques Wagner (PT-BA) — Foi reeleito senador pela Bahia. Wagner chegou a ser alvo de buscas na Operação Compliance Zero. A Polícia Federal apura a suspeita de que ele teria recebido vantagens, como um apartamento e transferências destinadas a uma empresa ligada à família, em troca da defesa de interesses do Master. O senador nega irregularidades. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
  • Rui Costa (PT-BA) — Conquistou a outra vaga baiana no Senado. Seu nome apareceu em uma proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro. O acordo, porém, foi rejeitado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de elementos suficientes para confirmar as declarações. Costa nega ter favorecido o banco.
  • Hugo Motta (Republicanos-PB) — O presidente da Câmara foi reeleito deputado federal pela Paraíba. Mensagens revelaram conversas com Vorcaro sobre reuniões, encontros e uma negociação relacionada a um terreno em João Pessoa. Motta afirma que o contato com empresários faz parte da atividade parlamentar e nega qualquer ato irregular.
  • Antonio Rueda (União Brasil-RJ) — Presidente nacional do União Brasil, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Escritórios associados a Rueda receberam pagamentos do Master. Parte das acusações apareceu na proposta de colaboração rejeitada pelas autoridades. Ele afirma que os serviços foram prestados legalmente e nega irregularidades.
  • Nikolas Ferreira (PL-MG) — Foi reeleito deputado federal por Minas Gerais. Em um áudio, o parlamentar teria pedido ajuda a Vorcaro para resolver uma questão envolvendo um ativo de mineração de interesse de um ex-assessor. Nikolas confirmou que manteve o contato, mas negou qualquer negociação ilícita ou recebimento de dinheiro.
  • Elmar Nascimento (União Brasil-BA) — Renovou seu mandato de deputado federal pela Bahia. O nome do parlamentar apareceu em conversas e registros de encontros com Vorcaro. Até o momento, a menção a essas reuniões não representa, isoladamente, comprovação de irregularidade.
  • Mario Frias (PL-SP) — Foi reeleito deputado federal por São Paulo. O ex-secretário de Cultura apareceu em registros envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que teria recebido apoio do banqueiro. Frias nega irregularidades relacionadas ao projeto.

Flávio Bolsonaro também foi citado em mensagens sobre a busca de financiamento para o filme, mas não integra a lista de eleitos porque avançou ao segundo turno da disputa presidencial. Ele sustenta que procurou patrocínio privado sem oferecer qualquer contrapartida e nega irregularidades. Já Ciro Nogueira, candidato ao Senado pelo Piauí, e ACM Neto, que disputou o governo da Bahia, foram derrotados nas urnas.

O que significa a imunidade parlamentar

A eleição não encerra as investigações nem impede que os fatos continuem sendo apurados. A Constituição estabelece que deputados e senadores são invioláveis civil e penalmente por opiniões, palavras e votos relacionados ao exercício do mandato. Eles também não podem ser presos, desde a diplomação, salvo em flagrante de crime inafiançável.

A imunidade parlamentar, portanto, não representa proteção absoluta contra investigações, buscas autorizadas pela Justiça, denúncias ou condenações por crimes comuns. O próprio Supremo estabelece que a garantia material não pode ser utilizada como escudo para práticas ilícitas sem ligação com a função legislativa.

No caso de crime cometido depois da diplomação, a Constituição ainda permite que a Câmara ou o Senado, seguindo o procedimento previsto no artigo 53, suspenda o andamento de uma ação penal enquanto durar o mandato. A prerrogativa depende de votação e não apaga eventuais crimes, provas ou responsabilidades anteriores.

Assim, os sete políticos eleitos terão as garantias destinadas aos integrantes do Congresso, mas continuarão sujeitos às investigações e às decisões judiciais. Todos negam envolvimento em irregularidades relacionadas ao Banco Master, e não havia condenação definitiva contra eles pelos fatos mencionados.

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