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Lula critica “promiscuidade” no STF e propõe mandato para ministros

Presidente afirmou que desgaste da Suprema Corte recai sobre sua campanha e defendeu mudanças na escolha dos integrantes do tribunal


Por Carlos Nathan Sampaio em 06/10/2026 - 09:39

Lula STF
(Foto: Divulgação)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma de suas críticas mais duras ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que sua campanha está “carregando nas costas” o desgaste provocado pelo que classificou como “promiscuidade” na Corte. A declaração ocorreu durante uma reunião com aliados para definir a estratégia do segundo turno da eleição presidencial.

“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, afirmou Lula na segunda-feira (5).

O encontro foi realizado um dia depois de o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.

A declaração indica uma tentativa do petista de se afastar da crise de confiança enfrentada pelo Supremo após o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e ao ex-controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro. Mensagens e documentos reunidos pela Polícia Federal passaram a mencionar ministros, familiares e pessoas próximas de integrantes da Corte. CNN Brasil

Durante a reunião, Lula também defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário. Uma das mudanças sugeridas é a revisão dos critérios utilizados para indicar ministros do Supremo. Atualmente, a escolha cabe ao presidente da República e precisa ser aprovada pelo Senado.

“Nós precisamos decidir concretamente como vamos escolher os ministros do STF. É interesse pessoal do presidente? Pressão do Congresso? Não”, declarou.

O presidente afirmou que a sociedade deverá participar dessa discussão e sugeriu que também seja avaliada a possibilidade de estabelecer mandatos para os ministros, que atualmente permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.

Para Lula, a perda de confiança da população no Supremo tornou inevitável a discussão sobre mudanças no funcionamento do Judiciário. O petista sustentou que nenhuma autoridade está acima da legislação, incluindo os integrantes da Suprema Corte.

“Quando você chega numa situação em que o STF está sob a desconfiança da sociedade, isso é muito grave. Esse é um tema que vamos ter que encarar na campanha”, disse.

Em reação aos desdobramentos do caso Master, o presidente do STF, Edson Fachin, adotou medidas para reforçar a transparência na tramitação de processos considerados sensíveis. Entre as providências, pediu à Polícia Federal um relatório completo sobre as investigações, incluindo eventuais referências a integrantes do próprio tribunal.

Fachin também estabeleceu novas regras para petições apresentadas por terceiros em processos já em andamento. O objetivo é evitar possíveis atalhos na distribuição das ações e questionamentos sobre a escolha dos ministros responsáveis pelos casos. As informações são da CNN Brasil.

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