Augusto Cury (Avante) ainda não decidiu publicamente se apoirá Lula ou Flávio no segundo turno da eleição presidencial. Terceiro colocado na votação de domingo (4), o escritor deixou o Brasil na segunda-feira (5) para uma viagem à Europa e pretende se manifestar somente após retornar, o que deve ocorrer na próxima semana.
Nos bastidores, dirigentes do Avante defendem que Cury se aproxime de Flávio Bolsonaro (PL). Pessoas próximas ao escritor também apontam essa possibilidade como a mais provável. Até agora, entretanto, não existe anúncio oficial, e o ex-candidato pediu que aliados não falem em seu nome.
Cury terminou o primeiro turno com 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos. O resultado colocou o candidato do Avante na terceira posição, atrás de Flávio, que recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03%, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%.
Em números absolutos, a votação de Cury supera a diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos registrada entre Flávio e Lula. Em uma comparação exclusivamente matemática com o resultado do primeiro turno, a migração integral desses eleitores seria suficiente tanto para ampliar a vantagem de Flávio quanto para colocar Lula à frente.
Isso não significa, entretanto, que os votos sejam transferidos automaticamente. Os eleitores de Cury podem escolher qualquer candidato, votar em branco ou nulo ou deixar de comparecer. O segundo turno também contará com a redistribuição dos votos recebidos pelos demais concorrentes.
Cury destaca propostas apresentadas
Após o resultado, Cury publicou nas redes sociais uma mensagem de agradecimento aos eleitores. Sem indicar preferência por Lula ou Flávio, ele afirmou que utilizou a campanha para apresentar projetos que poderão ser aproveitados futuramente.
“Eu plantei sementes nesta eleição presidencial, e sementes são projetos”, escreveu.
Entre as propostas mencionadas estão a pacificação política, o fim da reeleição, a adoção do semipresidencialismo e a criação de mandatos de oito anos para ministros do Supremo Tribunal Federal. Cury também citou a ampliação da telemedicina, o ensino em tempo integral, o financiamento de milhões de microempresas e medidas para elevar a produção de alimentos e desenvolver o semiárido.
O escritor ainda defendeu iniciativas direcionadas às comunidades, além de responsabilidade fiscal como caminho para a redução dos juros. Segundo ele, as propostas formam um planejamento para o país com horizonte até 2050.
“Um dia essas sementes germinarão”, declarou. Cury também agradeceu aos milhões de brasileiros que apoiaram sua candidatura e informou que deixou disponível uma carta direcionada aos eleitores, além da íntegra de seu programa de governo.
Críticas dificultam aproximação
Uma declaração de apoio a Flávio representaria uma mudança em relação ao posicionamento adotado por Cury durante parte da campanha. Em passagem por Cuiabá, em setembro, o escritor questionou a experiência profissional e administrativa do senador.
Na ocasião, afirmou que Flávio “nunca precisou enfrentar uma fila do SUS”. Cury também disse que o candidato do PL nunca havia plantado uma horta, administrado uma empresa relevante ou conhecido diretamente as dificuldades enfrentadas por trabalhadores do comércio e da agricultura.
O escritor ainda criticou o fato de Flávio ocupar cargos eletivos desde jovem. Segundo Cury, essa trajetória teria limitado o contato do senador com problemas cotidianos enfrentados pela população fora da política.
Em outra ocasião, Cury chegou a classificar como “insana e insuportável” a postura ética de Flávio e descartou uma aliança. Posteriormente, porém, deixou aberta a possibilidade de apoiá-lo, desde que o senador apresentasse explicações sobre as acusações relacionadas ao documentário Dark Horse e assumisse compromissos com pontos do programa do Avante.
Em relação a Lula, as declarações foram ainda mais restritivas. Antes do primeiro turno, Cury afirmou que não apoiaria o petista e criticou a condução da economia pelo atual governo.
Depois da votação, o escritor informou apenas que permaneceria em silêncio e que ninguém estava autorizado a anunciar uma posição em seu nome. Assim, a definição entre apoiar Lula, aderir a Flávio ou permanecer neutro deverá ocorrer depois de seu retorno ao Brasil.















