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O que se sabe sobre os incêndios na UFPE, que já causam prejuízo de R$ 100 mi

Terceiro incêndio registrado em oito dias destruiu equipamentos, amostras e pesquisas desenvolvidas ao longo de duas décadas; causas serão investigadas pela Polícia Federal


Por Carlos Nathan Sampaio em 08/10/2026 - 10:06

O que se sabe sobre os incêndios na UFPE, que já causam prejuízo de R$ 100 mi
(Foto: Reprodução)

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios em apenas oito dias no campus do Recife. A ocorrência mais grave começou na noite de quarta-feira (7) e atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na Cidade Universitária. Não houve feridos, mas o prejuízo inicial é estimado em R$ 100 milhões.

O valor foi apresentado pelo reitor Alfredo Gomes e considera principalmente os equipamentos mantidos no edifício. A quantificação definitiva dos danos, entretanto, ainda depende de uma avaliação técnica da universidade. O prédio abrigava laboratórios das áreas de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.

“Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar. Foi tudo absolutamente destruído pelo incêndio”, afirmou o reitor. Segundo ele, aproximadamente 100 pesquisas estavam em desenvolvimento no local, com amostras e dados reunidos durante cerca de 20 anos.

Entre os trabalhos afetados estão projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Relatos de estudantes indicam que o edifício guardava materiais de estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A dimensão exata dessas perdas ainda está sendo levantada.

Combate durou toda a madrugada

As chamas foram percebidas no início da noite e mobilizaram inicialmente cinco viaturas. O efetivo foi ampliado para oito veículos, incluindo unidades de combate, apoio e resgate. Os bombeiros permaneceram no campus durante a madrugada e concluíram o rescaldo por volta das 5h desta quinta-feira (8).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu todo o pavimento superior e uma sala do térreo. Parte dos laboratórios localizados no primeiro andar foi preservada. Os imóveis próximos, incluindo a Casa do Estudante, não foram atingidos.

“O incêndio ficou confinado exatamente na estrutura. Todos os imóveis adjacentes não tiveram nenhum dano”, explicou o major Melquezedek Calado. A UFPE informou que os produtos armazenados nos laboratórios contribuíram para a rápida propagação das chamas.

Três incêndios em oito dias

O primeiro caso ocorreu em 30 de setembro, em um laboratório do Departamento de Física. A suspeita inicial é de que o fogo tenha começado em uma câmara de alta temperatura usada para aquecer substâncias.

No domingo (4), outro incêndio atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Também não houve vítimas. As causas e eventuais relações entre as três ocorrências ainda não foram esclarecidas.

A Polícia Federal informou que abrirá inquérito e enviou peritos ao campus para examinar o prédio mais recentemente atingido. Até o momento, não existe confirmação oficial de que o incêndio tenha sido criminoso. Relatos sobre ameaças supostamente recebidas por estudantes antes do episódio também deverão ser apurados, mas nenhuma relação com o fogo foi comprovada.

O edifício permanece isolado. As demais atividades acadêmicas e a programação da Expo UFPE foram mantidas porque o imóvel fica afastado da área central do campus. O Ministério da Educação afirmou que acompanha a apuração e colocou a pasta à disposição da universidade.

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