O segundo turno da eleição presidencial começa em Goiás com uma diferença visível no tamanho das articulações montadas em torno dos candidatos. Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa na frente, reuniu o governador reeleito Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), senadores, deputados e mais de 160 prefeitos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, concentra sua reação nos partidos de esquerda e em lideranças que pretendem ampliar a mobilização nas ruas e nas redes sociais.
No primeiro turno, realizado no domingo (4), Flávio recebeu 56.104.503 votos no país, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula somou 53.879.538, ou 45,16%. Em Goiás, a vantagem do candidato do PL foi maior: 2.051.888 votos, ou 53,60%, contra 1.188.880 do presidente, que alcançou 31,06%. Os dois voltam às urnas no próximo dia 25.
Goiás foi o primeiro estado escolhido por Flávio para receber apoios depois da votação. Ele desembarcou diretamente em Goiânia na terça-feira (6), acompanhado pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e participou de um ato no comitê de Daniel Vilela. O encontro aproximou grupos que haviam seguido caminhos diferentes no primeiro turno, quando Caiado disputou a Presidência e Wilder Morais (PL) enfrentou Daniel na corrida pelo governo estadual.
Ao declarar apoio, Caiado prometeu participação intensa. “Proporcionalmente, Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral”, afirmou. O ex-governador disse que entrará “de corpo inteiro” na campanha e entregou ao presidenciável um documento com propostas. A adesão ocorreu após Caiado fazer críticas duras a Flávio e questionar suas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. No ato, justificou que costuma ser “duro com todos” durante as disputas.
Daniel também colocou sua base à disposição do candidato. “Conte com o nosso apoio, conte com o nosso grupo político e vamos trabalhar fortemente para que Goiás dê uma das maiores votações proporcionais no dia 25 de outubro”, declarou. Antes do evento, o governador havia afirmado que, em sua avaliação, “a era do PT se exauriu” e que Flávio deveria receber o “direito da dúvida”.
Tarcísio reforçou a aliança ao dizer que “São Paulo está com Flávio Bolsonaro, assim como Goiás”. Durante o discurso, afirmou que os presentes ajudariam o candidato não apenas a vencer, mas também a governar. A presença do paulista deu dimensão nacional ao ato na capital goiana.
Entre os apoiadores de Flávio em Goiás estão Caiado, Daniel, a senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil), o senador eleito Gustavo Gayer (PL), Wilder Morais, presidente estadual do PL, o deputado federal eleito Major Vitor Hugo (PL) e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL). O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), também afirmou que acompanhará Daniel e Caiado. Em Trindade, Marden Júnior (União Brasil) declarou apoio ao projeto do grupo.
Gracinha afirmou estar na campanha “por convicção” e declarou: “Meu presidente é Flávio Bolsonaro”. Gayer agradeceu a união entre PL, MDB e o grupo caiadista. O ato reuniu prefeitos, parlamentares e lideranças ligados principalmente ao PL, MDB, PSD, União Brasil e PP. Nacionalmente, Flávio também recebeu os apoios da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e do Novo.
Esquerda se organiza para recuperar votos
Do lado de Lula, a reação começou com uma reunião convocada pela presidente estadual do PT e da Federação Brasil da Esperança, Adriana Accorsi. Foram chamados representantes de PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PDT e PSB. Entre as lideranças do campo progressista estão Adriana, o deputado federal Rubens Otoni, os estaduais Antônio Gomide, Bia de Lima e Kátia Maria, o deputado estadual eleito Fabrício Rosa e a presidente estadual do PSB, Aava Santiago.
O principal desafio petista é recuperar a votação perdida em Goiás. Lula passou de 1.454.723 votos, ou 39,51%, no primeiro turno de 2022 para 1.188.880, ou 31,06%, em 2026. Foram 265.843 votos a menos e uma queda de 8,45 pontos percentuais, a maior redução proporcional registrada pelo presidente entre os estados. A campanha também mira parte dos 1.108.382 eleitores goianos que não compareceram às urnas.
“Quem não vota entrega a decisão para quem vota. Não podemos deixar isso acontecer”, afirmou Adriana. A estratégia inclui comunicação conjunta, atividades nos municípios, presença nas ruas e abordagem dos eleitores que se abstiveram ou ainda não definiram o voto.

Eleito deputado estadual com 81.540 votos, Fabrício Rosa afirmou que a campanha fará caravanas pelo estado, com candidatos eleitos e não eleitos. “A estratégia passa por aumentar a nossa atuação e visibilidade nas redes sociais para alcançar pessoas que ainda não foram alcançadas”, disse. Segundo ele, os grupos irão a diferentes regiões para conversar “sobre a importância de reeleger o presidente Lula”.
Fabrício também anunciou a produção de novos materiais e demonstrou confiança na reação: “O presidente Lula será reeleito e nós vamos retomar a frente nas pesquisas”. O desempenho do vereador, segundo candidato mais votado para a Assembleia, é usado pela esquerda como sinal de que existe espaço para reorganização mesmo em um estado onde a direita saiu fortalecida.
Flávio inicia o segundo turno com vantagem nas urnas e uma lista mais extensa de apoios institucionais em Goiás. Lula aposta na militância partidária, nas lideranças de esquerda e na redução da abstenção. Até o dia 25, um lado tentará ampliar a maioria já obtida; o outro, recuperar o eleitorado perdido.








