O vereador Thialu Guiotti (Avante) foi eleito presidente da Câmara Municipal de Goiânia no sábado (10), em chapa única e votação unânime, após uma negociação que reuniu governistas e oposicionistas. Ele teve 37 favoráveis. Ele assumirá em janeiro de 2027, para suceder Romário Policarpo (Cidadania), que encerra uma sequência de quatro mandatos consecutivos no comando da Casa.
O resultado confirmou o acordo amplo anunciado pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil), mas a sessão expôs insatisfação com a distribuição dos cargos. Retirada da composição para dar lugar a Aava Santiago (PSB), Rose Cruvinel (União Brasil) reclamou da mudança de última hora, embora tenha anunciado voto em todos os integrantes da chapa.
A construção da maioria passou pelo apoio público do Paço, pela adesão da bancada do PT e pela retirada de Ronilson Reis (Solidariedade), principal concorrente de Guiotti nas articulações. Após a votação, o presidente eleito agradeceu a Ronilson por abrir mão da candidatura em favor do entendimento.
Da disputa ao acordo
A sucessão começou com três nomes nas conversas: Guiotti, Ronilson e Henrique Alves (MDB). Com o encerramento do primeiro turno das eleições gerais, a negociação ganhou ritmo e passou a envolver a presidência, os demais cargos da Mesa e o comando das comissões.
Mabel declarou apoio a Guiotti. O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (União Brasil), também entrou na articulação em favor do vereador do Avante. A aproximação reuniu interesses do Executivo municipal e de grupos com atuação nos dois Legislativos.
Ronilson, por sua vez, evitou transformar a preferência do prefeito em motivo de rompimento. Em entrevista, lembrou que ele e Henrique também integravam a base municipal e admitiu uma composição. “Eu acho que está caminhando mais para uma composição”, afirmou antes da sessão.
O entendimento deixou os dois fora da Mesa Diretora. Henrique, porém, foi eleito presidente da Comissão Mista, responsável pela análise do Orçamento municipal. A Comissão de Constituição, Justiça e Redação ficou com Willian Veloso (PL), enquanto Welton Lemos (Novo) assumirá Finanças, Orçamento e Economia.
PT negociou espaço fora da Mesa
Em entrevista ao repórter Domingos Ketelbey na quinta-feira (8), Mabel antecipou que a tendência era uma composição “do PT ao PL”. Na sexta-feira (9), também no podcast, o vereador e deputado estadual eleito Fabrício Rosa confirmou o apoio da bancada petista a Guiotti.
O PT abriu mão de uma cadeira na Mesa para assumir uma diretoria da Câmara, destinada ao vereador Edward Madureira. Assim, a ausência do partido entre os 12 integrantes não significou exclusão do acordo.
Nas comissões, Edward foi eleito para presidir Educação, Ciência e Tecnologia; Kátia Maria ficou com Trabalho e Servidores Públicos; e Fabrício Rosa, com Meio Ambiente. A distribuição mostra que o entendimento ultrapassou a escolha do presidente e alcançou espaços de atuação das bancadas.
Rose reclama, mas mantém apoio
A tensão mais explícita da sessão veio de Rose Cruvinel. Emocionada, ela afirmou que seu nome ainda constava na composição quando deixou a sala da presidência, minutos antes do início dos trabalhos.
“Eu sou velhinha, eu sou mulher, mas não sou boba. Eu não sou boba”, declarou.
Segundo Rose, a alteração ocorreu para acomodar Aava na segunda vice-presidência corregedora. Embora tenha criticado a condução da negociação, disse que não contestaria a troca por solidariedade à colega, que disputa na Justiça a manutenção do mandato.
“Em consideração a você, Aava, uma mulher forte como você, eu digo que vou votar de cabo a rabo na chapa”, afirmou.
Aava também fez um discurso duro. Falou em um “consórcio de interesses obtusos” para interromper seu mandato e criticou a rapidez com que, segundo ela, seu suplente havia sido empossado na véspera. Sem identificar os responsáveis pelo suposto movimento, dirigiu um recado aos adversários: “Não adianta ligação, pressão, notinha, chilique, não adianta”.
Como ficou a Mesa Diretora
| Cargo | Vereador | Partido |
| Presidente | Thialu Guiotti | Avante |
| 1º vice-presidente | Anselmo Pereira | MDB |
| 2º vice-presidente | Juarez Lopes | PDT |
| 3º vice-presidente | Dr. Gustavo | Agir |
| 4º vice-presidente | Sanches da Federal | PP |
| 1º secretário | Léo José | Solidariedade |
| 2º secretário | Heyler Leão | PP |
| 3º secretário | Pedro Azulão Júnior | MDB |
| 4º secretário | Lucas Vergílio | MDB |
| 5ª secretária | Léia Klebia | Podemos |
| 1º vice-presidente corregedor | Tião Peixoto | PSDB |
| 2ª vice-presidente corregedora | Aava Santiago | PSB |
A relação foi confirmada pela Câmara após a votação.
Transição após quatro mandatos
A sessão foi conduzida por Anselmo Pereira e Henrique Alves, com votação aberta e nominal para cada cargo. Policarpo estava em Recife acompanhando a delegação do Vila Nova, clube do qual é vice-presidente.
Eleito para comandar a Câmara pela primeira vez em 2018, Policarpo assumiu em janeiro de 2019 e permaneceu nos três biênios seguintes. Agora deputado estadual eleito, vai assumir uma cadeira na Alego em fevereiro de 2027.
Guiotti receberá o comando do Legislativo em 1º de janeiro, com mandato até dezembro de 2028. Depois da votação, sinalizou o encerramento da disputa interna: “Aqui não existe mais adversário. Todos nós trabalharemos em prol da cidade de Goiânia”.







