Depois de mais uma derrota na série A, o Corinthians demitiu o técnico Fernando Diniz. A derrota para o Internacional no Beira Rio foi a sétima consecutiva do “Timão” no Campeonato Brasileiro e oito jogos sem vencer na competição. O treinador deixou o clube após seis meses no cargo, com 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas, com um aproveitamento de 47,5%. O alvinegro ocupa a 16ª colocação na tabela de classificação, com 32 pontos conquistados, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. O executivo de futebol Marcelo Paz confirmou a busca urgente por um novo treinador para o clássico contra o Palmeiras.
O Corinthians é apenas um exemplo de time grande à beira do rebaixamento para a série B em 2027. No Sul, Grêmio e Internacional vivem o mesmo drama. De acordo com os matemáticos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Grêmio tem 63,30% de probabilidade de cair para a série B; o Internacional, 49,50%; o Corinthians, 34,40%; e o Vasco da Gama 19,30%. Chapecoense e Remo vivem cenários praticamente irreversíveis na parte inferior da tabela. Restam, portanto, duas vagas para Grêmio, Internacional, Corinthians, Mirassol e Vasco da Gama. Enquanto na parte de cima da tabela Flamengo e Palmeiras seguem como favoritos absolutos ao título, como tem acontecido nos últimos anos, as maiores emoções na reta final do Campeonato Brasileiro parece que vão se concentrar na parte de baixo, na luta contra o rebaixamento.
Crise sem fim – O ambiente no Corinthians é de forte pressão e crise nos bastidores, marcado por uma sequência de resultados negativos e proximidade perigosa com a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O “Timão” vive uma grave crise financeira, institucional e esportiva. Conforme balancete recente, a dívida total do clube está na casa de R$ 2,8 bilhões, com um déficit acumulado de R$ 278,7 milhões nos sete primeiros meses de 2026 (muito acima do orçado).
O clube tem atrasado salários, direitos de imagem, premiações com jogadores e comissão técnica, além de enfrentar transfer bans ativos (proibição de registrar novos atletas) e dificuldades para obter crédito ou antecipação de receitas. Nos bastidores, há uma forte pressão política e insatisfação interna sobre a gestão do presidente Augusto Melo e sua diretoria, com questionamentos sobre a estabilidade do futebol e bloqueios judiciais, como a suspensão temporária do contrato com a Fatal Fans.
A dupla Gre-Nal vive também uma crise histórica sem precedentes no Campeonato Brasileiro, com ambos imersos em uma ferrenha luta contra o rebaixamento para a série B. Pela primeira vez na era dos pontos corridos, Grêmio e Internacional chegaram a frequentar a zona de rebaixamento juntos na reta final da competição. Faltando apenas nove rodadas para o fim do campeonato, a pressão atingiu o nível máximo nos bastidores de Porto Alegre. A má fase e a derrota para o Vasco da Gama resultaram na demissão do técnico Luís Castro, gerando um ambiente de forte cobrança interna. No último compromisso, o Grêmio frustrou a torcida ao ceder o empate em 1 a 1 contra o Remo, em Belém. Vale lembrar que o Remo é um dos prováveis rebaixados para a série B.
A vitória do Internacional sobre o Corinthians agravou a crise no alvinegro, mas aliviou o ambiente pelos lados do Colorado. A partida marcou a estreia do técnico Eduardo Baptista, que trouxe uma postura mais defensiva e competitiva que reanimou a torcida. Com o triunfo, o Inter ultrapassou o rival e assumiu a 17ª posição com 31 pontos. O time está empatado em pontos com o Corinthians, o primeiro fora do Z-4, mas atrás nos critérios de desempate. O clube ainda busca soluções financeiras no mercado e tenta fechar um novo patrocínio master para equalizar o caixa.
“Sandálias da humildade” para Atlético e Vila Nova

Adson Batista afirmou categoricamente depois da vitória sobre o Goiás: o Atlético vai subir. No Vila Nova, as discussões giram em torno de uma possível ampliação do estádio Onésio Brasileiro Alvarenga para receber jogos da série A. Faltam seis rodadas para o final da competição e as duas equipes tropeçaram na rodada da última quarta-feira e outros tropeços podem acontecer, considerando que as duas equipes têm jogos difíceis pela frente. Os adversários considerados mais fracos já ficaram no passado, de agora em diante, a competição fica muito mais difícil, com mala branca correndo solta pelo Brasil.

Ninguém está classificado, portanto, bom seria que dirigentes, jogadores, técnicos e imprensa calcem as sandálias da humildade, caso contrário, podem amargar outra decepção no final da temporada. No Vila, Hugo Bravo está perdendo tempo em “bater boca” com Tadeu, goleiro do Goiás, tentando diminuir o jogador esmeraldino, que não disputa mais vaga na série A em 2027. É hora de focar no “jogo a jogo”, na partida seguinte, sem perder tempo com problemas que não dizem respeito ao objetivo maior do clube no momento. No Atlético, não dá para entender qual a base de sustentação de Adson Batista ao garantir que o Dragão estará na série A em 2027. O time não é imbatível, tanto que perdeu em Maceió para o CRB, que também quer uma vaga no G6. Converse com Guto Ferreira e ouvirá dele somente uma expressão: “vamos subir”. Otimismo é importante, mas Vila e Atlético estão confundindo otimismo com arrogância.
No OBA mais uma vez lotado, o Vila não conseguiu superar o Cuiabá na noite da última quarta-feira. O jogo ficou empatado em 0 a 0 , com as duas equipes perdendo muitos gols, principalmente o Vila Nova, com André Luiz, que esteve em uma noite muito infeliz. Mas o Cuiabá também chegou muito perto de abrir o marcador, a vitória poderia sorrir para qualquer um dos adversários. Foi um tropeço para o Vila, um bom resultado para o Cuiabá. No estádio Rei Pelé foi diferente. O primeiro tempo terminou empatado sem gols, mas na etapa final, o CRB fez 3 a 0 no Atlético Goianiense, que marcou seu gol de honra nos minutos finais da partida.
O próximo jogo do Vila contra o Náutico, em Recife, jogo muito difícil para as pretensões do Colorado. Se perder, o Vila pode deixar o G2. O Atlético joga em casa, mas tem pela frente um adversário terrível. Enfrenta o Sport Recife no estádio Antônio Accioly. O time pernambucano tem 50 pontos ganhos na oitava colocação, apenas dois atrás do Atlético Goianiense. Se perder, o Dragão sai do G6. Como se vê, não existe motivo para excesso de confiança, muito menos para o sentimento de que as duas equipes já estão na série A. Ninguém está classificado, tem muita coisa para acontecer ainda nas seis rodadas que restam para terminar a série B de 2027.
Munir Calixto Jr. – A troca de presidente no Goiás parece que não afetou em nada o cotidiano esmeraldino. Aroldo Guidão saiu, ninguém sentiu sua falta. Munir Calixto entrou, ninguém percebeu. Calixto ainda não se manifestou publicamente, não disse quais são suas idéias e o que pretende fazer para tirar o Goiás da situação em que se encontra. Seu mandato é pequeno, termina em dezembro quando acontecem as eleições para a nova diretoria. Como ele ainda não se dirigiu ao público esmeraldino, também não se sabe se ele é candidato ou se fica somente até a conclusão do mandato que era de Aroldo Guidão.
Em campo, o time continua se arrastando, sonhando com uma pouco provável classificação entre os seis primeiros colocados. Restam seis partidas para o fim da série B, e, para se classificar, o Goiás precisa vencer todas. Não dá para acreditar que um time com salários, premiações e direitos de imagem em atraso pode conseguir essa proeza. O Goiás é uma agremiação “fora da curva”. Em sua última entrevista, o técnico Mozart Santos afirmou que nem percebeu a mudança na presidência. Disse mais, nem conhecia Aroldo Guidão, ex-presidente do clube. Pode?
CURTAS
* O Anápolis anunciou a contratação do técnico Edson Silva para montar a equipe que terá pela frente o Campeonato Goiano, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro da série C em 2027. Conhecido no futebol goiano, Edson Silva já comandou o Iporá, Mineiros, Jataiense, Santa Helena e Grêmio Anápolis.
* A derrota para o Mineiros por 2 a 0 confirmou o rebaixamento do Trindade para a terceira divisão do futebol goiano. O Rio Verde já está classificado para disputar o Goianão da primeira divisão em 2027. Goianésia e Bom Jesus lutam pela segunda vaga.
* Lucas Rodrigues é a esperança do Goiás para a solução dos problemas financeiros que estão afetando a vida do clube. O jogador vive uma grande forma, marcou gol com a camisa da seleção brasileira Sub-20 e desperta o interesse de clubes do Brasil e do exterior.
* Enquanto veste a camisa esmeraldina, Lucas Rodrigues é peça importante no grupo. Em sua ausência, o Goiás foi derrotado por Atlético e Novorizontino. Voltou contra o Athletic-MG, jogou apenas 30 minutos e marcou o gol da vitória do Alviverde.
* Contra o Athletic-MG, o Goiás teve seu menor público na série B. Foram apenas 1.537 torcedores pagantes e 1.668 presentes no estádio da Serrinha. É o reflexo da campanha ruim da equipe neste segundo turno da série B.
“O eleitor está indignado com uma política desconectada da vida real”









