O vereador de Goiânia e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) defendeu que o Partido dos Trabalhadores lance uma candidatura própria à presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, o parlamentar afirmou que pretende levar a proposta à bancada petista e admitiu a possibilidade de colocar seu próprio nome na disputa, embora reconheça que a ideia pode não encontrar apoio majoritário dentro da legenda.
“Por mim, o PT deveria lançar uma candidatura própria. O Partido dos Trabalhadores deveria ter a coragem de lançar uma candidatura própria, mas eu serei voto vencido”, declarou.
Eleito com 81.540 votos, a segunda maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa, Fabrício chega à próxima legislatura em meio às articulações pela sucessão de Bruno Peixoto na presidência da Casa. O petista revelou que já foi procurado por diferentes grupos políticos interessados na formação da próxima Mesa Diretora.
Entre os contatos mencionados estão o deputado Paulo Cezar Martins, representantes do ex-presidente Lissauer Vieira (PL) e interlocutores ligados a Romário Policarpo, que participa das articulações do grupo de Bruno Peixoto.
“Estou começando as negociações, recebi algumas ligações de prováveis e potenciais”, afirmou.
Segundo Fabrício, as primeiras reuniões estão previstas para esta semana. Ele ressaltou que ainda não assumiu compromisso com nenhuma candidatura.
Fabrício admite colocar o nome na disputa
Questionado se estaria disposto a disputar pessoalmente a presidência da Alego, Fabrício não descartou a possibilidade. “Há uma possibilidade, sim. A possibilidade talvez seja pequena”, respondeu.
O deputado eleito condicionou, entretanto, uma eventual candidatura à construção de um entendimento interno no Partido dos Trabalhadores. “Vou levar a discussão para dentro do Partido dos Trabalhadores. Acredito que o PT deveria ter candidatura própria”, reforçou.
A posição representa uma tentativa de ampliar o protagonismo da bancada petista na organização da próxima legislatura. Fabrício, contudo, reconhece que sua proposta poderá ser derrotada nas discussões internas, diante da possibilidade de o partido optar por uma composição com outras forças políticas.
Elogios a Lissauer e possibilidade de acordo com o PL
Apesar de defender uma candidatura própria, Fabrício não descartou participar de uma composição administrativa com o PL, partido do ex-presidente da Assembleia Lissauer Vieira.
Questionado sobre essa possibilidade, o petista elogiou a trajetória do ex-presidente e fez uma distinção entre suas posições políticas e a atuação de Lissauer. “O Lissauer, apesar de ser do PL, ele não é um fascista. Eu nunca vi o Lissauer fazendo discurso racista, homofóbico, contra a democracia, contra as vacinas”, declarou.
Fabrício também afirmou que Lissauer teve uma “gestão republicana” durante sua passagem pela presidência da Assembleia.
Para o deputado eleito, a eleição da Mesa Diretora não deve ser confundida com as disputas ideológicas e programáticas travadas no plenário. “O que está em jogo ali é a divisão dos espaços de poder dentro da Assembleia Legislativa, as ouvidorias, os espaços ali dentro, as comissões”, explicou.
Segundo ele, partidos de campos políticos distintos podem construir entendimentos sobre a administração da Casa sem que isso represente alinhamento em votações de projetos ou adesão a governos. “Eu não vejo uma dificuldade em, administrativamente, não politicamente, os blocos e os campos se organizarem para essa divisão dos espaços administrativos”, afirmou.
PT quer espaço em três comissões
Além da discussão sobre a presidência, Fabrício apontou três comissões que considera prioritárias para a bancada petista na próxima legislatura: Educação, Servidor Público e Direitos Humanos. “O PT jamais deve abrir mão da Comissão de Educação”, afirmou.
O deputado eleito também defendeu que a legenda busque protagonismo nas discussões sobre o funcionalismo público e na proteção de grupos socialmente vulnerabilizados. A reivindicação integra a avaliação de Fabrício de que a distribuição dos espaços administrativos da Assembleia deve respeitar a representatividade das bancadas.









