O carrinho de compras dos tutores está mudando. Produtos de alimentação para gatos ganharam espaço no mercado pet do varejo alimentar brasileiro, segundo a Scanntech. A participação da categoria passou de 28,4% para 31,0% no acumulado deste ano.
Os alimentos para cães ainda representam a maior fatia do segmento, mas perderam participação: passaram de 56,2% para 54,1%. Na avaliação da empresa, o avanço dos produtos para felinos acompanha um movimento que se consolida desde a pandemia.
Felipe Passarelli, responsável pela Inteligência de Mercado da Scanntech, relaciona esse cenário às mudanças nos lares brasileiros. “Esse movimento vem se consolidando nos últimos anos e acompanha uma mudança estrutural no perfil das famílias. Segundo o Censo do IBGE, os lares unipessoais passaram de 10% para 19% entre 2010 e 2022, e os casais sem filhos, de 20,2% para 24,1%. Em residências menores e com menos moradores, o gato tende a ganhar espaço pelo porte e pela independência. E o crescimento vem da quantidade comprada, não de aumento de preço: o consumidor está, de fato, levando mais produtos para gatos”, explica.
Petiscos se destacam entre os felinos
A ração seca para gatos cresceu 12,4% em faturamento e 14,6% em unidades vendidas. Ela representa 17,5% das vendas da cesta pet. A ração úmida também avançou, com altas de 11,9% em faturamento e 9,9% em unidades. Os petiscos tiveram o maior crescimento entre esses alimentos: 26,1% em faturamento e 23,1% em unidades. A participação deles no setor passou de 1,8% para 2,2%.
Para os cães, os resultados foram diferentes. A ração seca registrou queda de 1,3% em faturamento, mesmo com aumento de 2,1% nas unidades. A úmida cresceu nas duas medidas: 4,9% em faturamento e 3,1% em unidades.
Nem toda alta significa mais produtos vendidos
Fora da alimentação, roupas e suplementos apresentaram crescimento tanto no faturamento quanto na quantidade comercializada. O vestuário pet avançou 102,2% em faturamento e 35,7% em unidades. Nos suplementos, as altas foram de 42,2% e 32,6%.
Na higiene, o preço teve maior influência. A areia higiênica cresceu 7,6% em faturamento, com unidades praticamente estáveis, em alta de 0,1%. Antipulgas e carrapatos avançaram 12,4% em faturamento e 0,9% em unidades. “Fora da alimentação, os movimentos são bem diferentes entre si. Em vestuário e suplementos, o faturamento cresce junto com as unidades, sinal de demanda. Em itens de higiene como areia e antipulgas, o faturamento sobe com unidades praticamente estáveis, ou seja, o que move a categoria é o preço. Já em acessórios e banho, a queda aparece nas duas métricas. Entender se o motor de cada categoria é demanda, preço ou mix é o que permite à indústria e ao varejo enxergar onde estão as oportunidades”, resume Passarelli.
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