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Quem é Mariana Mota? Ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro citada no caso das rachadinhas

Mariana foi citada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nas investigações sobre suposto esquema de desvio de salários na Alerj


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 22/10/2026 - 10:58

flavio bolsonaro mariana

Mariana Mota foi chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro (PL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre 2003 e 2007 e é citada nas investigações sobre o suposto esquema de “rachadinhas” no gabinete do então deputado estadual. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), ela teria atuado na organização dos repasses de parte dos salários de assessores parlamentares.

De acordo com a investigação, Mariana recebeu R$ 39,4 mil em 15 transferências feitas por um ex-assessor entre janeiro de 2007 e março de 2008. O valor correspondia a cerca de 45% do salário do servidor. Posteriormente, segundo o MP-RJ, os repasses teriam passado a ser direcionados à conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

As apurações também apontaram a proximidade de Mariana com a família Bolsonaro. Segundo o Ministério Público, ela era amiga de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro (PL), e teria pago despesas de aluguel de Léo Índio, primo de Flávio que já trabalhou no gabinete do então deputado estadual.

O nome de Mariana foi relembrado nas redes sociais após o deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivar seguidores do canal de WhatsApp “Exército do Lula” a pesquisarem “Quem é Mariana?”. A publicação faz referência à ex-assessora e à participação atribuída a ela nas investigações.

Como começou o caso das rachadinhas?

O caso ganhou repercussão em 2018, quando um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações consideradas atípicas de aproximadamente R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, que trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Para os investigadores, os valores seriam resultado de repasses feitos por assessores parlamentares. O Ministério Público também investigou possíveis formas de ocultação do dinheiro, incluindo investimentos em uma loja de chocolates em um shopping do Rio de Janeiro, compra de imóveis com dinheiro em espécie e pagamento de despesas pessoais.

Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas à Justiça do Rio de Janeiro. As acusações incluíam organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita.

Por que o caso foi anulado?

Em 2021, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu um recurso da defesa de Flávio Bolsonaro e anulou decisões judiciais tomadas no início do processo. No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) também anulou os relatórios do Coaf que fundamentavam a acusação.

Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes entendeu que o compartilhamento de informações entre o Coaf e o Ministério Público do Rio de Janeiro ocorreu de forma irregular. Segundo o entendimento, os dados foram enviados por comunicação direta entre os órgãos antes de haver autorização judicial para a abertura de um procedimento investigatório criminal contra Flávio.

A decisão foi confirmada pela Segunda Turma do STF. Com isso, os relatórios que embasavam a acusação foram invalidados, afetando o andamento da investigação.

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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