Checagem do Debate na Globo: O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou um dado desatualizado ao afirmar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem mais de 11,5 mil obras paralisadas. O número de 11.469 empreendimentos corresponde ao levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) de abril de 2025. Segundo a atualização mais recente do painel do tribunal, referente a abril de 2026, são 4.215 obras paralisadas, de um total de 22.414 empreendimentos com recursos federais.
Na declaração, Flávio comparou a situação atual com o período em que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), ocupou a Presidência da República. “Nós pegamos o Brasil lá em 2019, com cerca de 14 mil obras inacabadas. E, apesar de todos os problemas, a gente entregou o Brasil com um pouco mais de 8 mil obras inacabadas”, afirmou.
Em seguida, o senador citou o TCU para sustentar a crítica ao governo Lula. “Agora, neste ano, o TCU, o Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo.”
O número de 11.469 obras paralisadas foi divulgado pelo TCU em julho de 2025, com base nos dados de abril daquele ano. Na ocasião, o tribunal identificou que 50,7% das 22.621 obras monitoradas estavam paralisadas. O relatório também apontou concentração dos problemas nas áreas de educação e saúde, que somavam 8.053 empreendimentos interrompidos.
Histórico dos números
Os dados do TCU mostram que a quantidade de obras paralisadas variou ao longo dos anos. Em agosto de 2022, último ano do governo Bolsonaro, o painel registrava 8.674 obras paralisadas. Em abril de 2024, o número chegou a 11.944 e, em abril de 2025, ficou em 11.469.
Na atualização de abril de 2026, o total caiu para 4.215 obras paralisadas. A comparação exige cautela, porque os números representam retratos de períodos diferentes e a composição da carteira de empreendimentos monitorados também mudou.
O problema das obras interrompidas é recorrente na administração pública federal. Em relatório divulgado em dezembro de 2024, o TCU destacou que a paralisação de empreendimentos compromete a entrega de serviços públicos e pode provocar desperdício de recursos. Educação e saúde estão entre os setores mais afetados.
Assim, embora o número de 11.469 obras tenha sido registrado oficialmente pelo tribunal, ele não corresponde ao levantamento mais recente disponível. A atualização de abril de 2026 registra 4.215 empreendimentos paralisados.
Fontes: Tribunal de Contas da União (TCU), Painel de Obras Paralisadas e relatório consolidador do Fiscobras 2025.











