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Aos Fatos: pobreza na Argentina já era de 41,7% antes de Milei assumir a Presidência

Checagem mostra que índice subiu a 52,9% no primeiro semestre de 2024, mas recuou nos períodos seguintes; Lula citou pobreza de 40% ao criticar modelo econômico argentino


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 23/10/2026 - 23:18

Aos Fatos: pobreza na Argentina já era de 41,7% antes de Milei assumir a Presidência
Aos Fatos: pobreza na Argentina já era de 41,7% antes de Milei assumir a Presidência

A agência de checagem Aos Fatos contextualizou a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a pobreza na Argentina durante o debate presidencial com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na sexta-feira (23), na TV Globo. Lula criticou a proposta de ajuste econômico associada ao presidente argentino Javier Milei e afirmou que a pobreza no país chegou a 40%, além de mencionar que a população estaria comendo carne de burro.

“Na Argentina, a pobreza chegou a 40%”, disse Lula ao questionar a intenção de Flávio de adotar medidas de corte de gastos semelhantes às defendidas por Milei.

Segundo a checagem da Aos Fatos, embora a pobreza tenha ultrapassado 40% em determinados momentos do governo argentino, o patamar já havia sido registrado antes da posse de Milei, em dezembro de 2023.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), órgão equivalente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a pobreza atingia 41,7% da população no segundo semestre de 2023, período em que Alberto Fernández ainda era presidente.

Índice chegou a 52,9% no início do governo Milei

A situação piorou nos primeiros meses da gestão Milei. No primeiro semestre de 2024, a taxa de pobreza chegou a 52,9% da população, segundo o Indec.

Nos seis meses seguintes, porém, o indicador recuou para 38,1%. A tendência de queda continuou ao longo de 2025, antes de uma nova elevação no primeiro semestre de 2026, quando a taxa ficou em 32,3%.

A série histórica mostra, portanto, que a pobreza aumentou significativamente no início do governo Milei, mas depois apresentou redução. O índice também evidencia que o país já enfrentava um quadro elevado de pobreza antes da mudança de governo.

Debate sobre o modelo econômico argentino

A declaração de Lula ocorreu durante uma discussão sobre a política econômica que Flávio Bolsonaro pretende adotar caso seja eleito. O senador tem defendido medidas de redução de gastos públicos e citado experiências de outros países, enquanto o presidente brasileiro usa a situação argentina para questionar os efeitos sociais de políticas de ajuste.

Os dados oficiais permitem dimensionar a evolução da pobreza nos diferentes períodos, mas não demonstram, isoladamente, que todas as mudanças no indicador decorreram exclusivamente das decisões de um presidente. A análise também exige considerar a situação econômica herdada, a inflação, a renda das famílias e outros fatores que afetam as condições de vida da população.

Fonte: Aos Fatos; Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec).

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