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Câmara cassa prefeito de São Miguel do Araguaia por 9 a 2; saiba motivo

Vereadores acolheram cinco infrações ligadas a atrasos salariais e repasses menores ao Legislativo; vice-prefeito deve assumir


Por Carlos Nathan Sampaio em 27/10/2026 - 10:20

Câmara cassa prefeito de São Miguel do Araguaia por 9 a 2 saiba motivo
(Foto: Reprodução/Facebook)

A Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia cassou, na segunda-feira (26), o mandato do prefeito Jerônymo José de Siqueira Neto (MDB). A decisão foi aprovada por nove votos a dois, após os vereadores acolherem as cinco infrações apontadas no processo político-administrativo. O resultado foi formalizado pelo Decreto Legislativo nº 3/2026.

A denúncia, apresentada por um eleitor, apontou atrasos recorrentes no pagamento dos servidores e repasses abaixo do previsto à Câmara, conhecidos como duodécimo. Documentos anexados ao processo indicaram uma diferença de R$ 916,1 mil nos repasses entre janeiro e julho de 2026.

No caso dos salários, a Lei Orgânica municipal estabelece que a folha deve ser quitada até o dia 5 do mês seguinte ao trabalhado. Um levantamento do Sindicato dos Servidores anexado à denúncia apontou atrasos em diferentes meses de 2025 e 2026. Na folha de março deste ano, por exemplo, servidores ativos receberam em 22 de abril, 17 dias depois do prazo legal.

O julgamento ocorreu em sessão pública, com votação nominal e aberta. A Câmara informou que Jerônymo foi notificado e teve oportunidade de apresentar defesa, mas não compareceu à sessão. Também afirmou que seis pedidos para suspender o processo foram negados pela Justiça. Com a cassação, o vice-prefeito Natanael Martins Coelho deve assumir a Prefeitura; a Câmara comunicou o resultado à Justiça Eleitoral.

Depois da votação, Jerônymo reagiu em publicações nas redes sociais. Ele contestou o motivo apresentado para a cassação, negou desvios e corrupção em sua gestão e atribuiu a decisão a uma disputa por poder e dinheiro. Também acusou vereadores de supostos pedidos de propina e de tentativa de elevar o valor de um contrato de tapa-buracos. O prefeito disse que poderá divulgar áudios e mensagens, mas as publicações citadas pela imprensa não apresentaram documentos que comprovassem as acusações.

A Câmara afirma que os autos do processo estão disponíveis para consulta e que pretende colaborar com o Executivo para garantir a continuidade dos serviços públicos e dos pagamentos aos servidores.

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