O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), afirmou nesta quarta-feira (28) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofre perseguição e defendeu que sua saída do Brasil ocorreu legalmente. Questionado pelo jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, sobre a viagem aos Estados Unidos, depois de o senador dizer que não deixaria o país, Mabel criticou a atuação do Judiciário, mas disse que teria tomado outra decisão.
“Eu não sei os motivos dele. Eu, particularmente, não sairia, eu enfrentaria. Mas é que eu gosto de enfrentar a confusão”, declarou.
Ao ouvir a pergunta sobre o sumiço de Flávio, o prefeito contestou a expressão. “Ele não sumiu, né? Ele viajou, né?”, respondeu. Na sequência, relacionou a saída do senador às medidas judiciais adotadas após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Um candidato não pode sair de uma eleição e no dia seguinte tomar o passaporte dele, fazer isso, fazer aquilo. Quer dizer, é uma perseguição contínua que está existindo”, afirmou Mabel. O prefeito não apresentou elementos que demonstrassem motivação política na decisão.
Críticas aos tribunais
Mabel ampliou as críticas ao Judiciário e afirmou que o resultado eleitoral deveria ser considerado no tratamento dispensado ao candidato. “A Justiça está politizada. Infelizmente, muitas áreas da Justiça, principalmente tribunais superiores, estão politizadas”, disse.
O prefeito também sustentou que Flávio teria passado pela Argentina utilizando a carteira de identidade e seguido para os Estados Unidos com passaporte e visto. “Ele não saiu de forma ilegal. Ele saiu para a Argentina, saiu com a carteira de identidade dele, legalmente”, declarou.
O relato sobre a rota foi apresentado por Mabel, que não informou a origem dessa informação. A posse de documentos de viagem, argumento utilizado pelo prefeito, não esclarece o cumprimento da ordem judicial que proibia o senador de deixar o Brasil.
Flávio havia sido intimado na segunda-feira (26) a entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal em até 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida também restringia sua saída do país. O prazo terminou na manhã de terça-feira (27), sem a apresentação dos documentos.
Apesar de defender a legalidade da viagem e atribuir as medidas a uma perseguição, Mabel disse desconhecer os motivos de Flávio para sair do Brasil. Sua posição pessoal, afirmou, seria permanecer e enfrentar a situação.














