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Prisão de usuários de maconha como traficantes contraria critérios do STF, afirma ministro

Durante julgamento sobre cultivo medicinal, Primeira Turma negou por unanimidade recurso de associação


Por Carlos Nathan Sampaio em 28/10/2026 - 10:32

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(Foto: Carlos Nathan Sampaio)

O ministro Alexandre de Moraes afirmou que policiais estão prendendo como traficantes usuários que portam maconha para uso pessoal, apesar dos critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2024. A declaração foi feita nesta terça-feira (27), durante julgamento na Primeira Turma.

Moraes disse que a polícia tem desrespeitado a decisão do Supremo e que pessoas acabam conduzidas à delegacia ou presas em flagrante antes de conseguir uma decisão judicial que as liberte. Ele também mencionou diferenças no enquadramento de casos conforme características como idade, raça e escolaridade.

No julgamento de 2024, o STF definiu que o porte de maconha para consumo próprio não gera consequências criminais. A Corte estabeleceu presunção de uso pessoal para quem for encontrado com até 40 gramas da droga ou seis plantas fêmeas. O parâmetro não é absoluto: a prisão por tráfico ainda pode ocorrer se houver elementos concretos de comercialização, como forma de acondicionamento da droga, balança ou registros de venda.

A Primeira Turma analisava um recurso de uma associação que buscava autorização para cultivar cannabis e distribuir derivados a associados para fins medicinais. O pedido havia sido concedido em primeira instância e depois derrubado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Por unanimidade, os ministros negaram o recurso. O relator, Flávio Dino, considerou que a análise exigiria reexaminar provas e interpretar legislação infraconstitucional. Com isso, a Turma não julgou o mérito do pedido de cultivo e distribuição. Moraes acompanhou o voto do relator, embora tenha manifestado preocupação com prisões ligadas ao uso medicinal da cannabis.

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