A terceira edição da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial Aplicada (OIAA) anunciou, nesta segunda-feira (2), as equipes vencedoras da competição, durante cerimônia realizada na Escola do Futuro de Goiás Luiz Rassi, em Aparecida de Goiânia. Promovida pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), a iniciativa distribui R$ 420 mil em premiações e contempla estudantes goianos com oportunidades de intercâmbio internacional.
O primeiro lugar ficou com o Super Time Algoritmas + InsightIA, formado pela equipe Algoritmas, de São Paulo, e pela InsightIA, de Goiás, que conquistou a maior nota na avaliação final. Os integrantes receberam o prêmio de R$ 10 mil por pessoa, incluindo estudantes e tutores.
A equipe campeã é formada pelos estudantes Giovanna Pelati, Lívia Cunha Navarro e Yasmin Barbosa Rodrigues Pinheiro, da Algoritmas, sob orientação do tutor Carlos Eduardo Santi; e Daniel Alves Camargo, Felipe Pires dos Santos e Lucas Miranda da Silva, da InsightIA, orientados pelo tutor Alan Pedro de Araujo.
Também foram premiados os Super Times classificados entre o segundo e o quinto lugares, com valores individuais de R$ 8 mil, R$ 6 mil, R$ 4 mil e R$ 2 mil, respectivamente.
Confira os cinco Super Times vencedores da edição de 2026:
1º lugar — Algoritmas (SP) + InsightIA (GO): Prêmio de R$ 10 mil por integrante.
2º lugar — Better Than You (GO) + Fluxo (GO): Prêmio de R$ 8 mil por integrante.
3º lugar — Verumax (GO) + Magic Bit (GO): Prêmio de R$ 6 mil por integrante.
4º lugar — Germinare (SP) + Python Warriors (GO): Prêmio de R$ 4 mil por integrante.
5º lugar — while True: WIN (GO) + Bala Neural (GO): Prêmio de R$ 2 mil por integrante.
Além da premiação em dinheiro, os 24 estudantes goianos de maior destaque foram selecionados para participar de um intercâmbio internacional de um mês, por meio do programa Goiás pelo Mundo, iniciativa do Governo de Goiás.
Vice-reitora da UFG, Camila Cardoso Caixeta pontuou o papel da Universidade na formação e na estrutura para que a Olimpíada pudesse acontecer. “Aproximar esses jovens da Universidade permite que os estudantes já tenham contato com a pesquisa e enxerguem o campus como um espaço do qual podem fazer parte”, pontua.
Inteligência artificial para resolver desafios reais da saúde pública
Na etapa final, os estudantes foram desafiados a desenvolver soluções de inteligência artificial utilizando dados públicos reais da rede de saúde de Goiás, como ocupação de leitos hospitalares, UTIs, casos de dengue e outras arboviroses. A proposta era criar modelos capazes de antecipar situações como a superlotação de hospitais e mudanças na demanda por atendimento.
As equipes puderam escolher entre três desafios: prever os níveis de ocupação de leitos na semana seguinte, identificar hospitais com risco de superlotação ou antecipar se a demanda por leitos aumentaria, diminuiria ou permaneceria estável. As soluções desenvolvidas tinham potencial de aplicação na gestão pública, auxiliando o Estado a planejar a disponibilidade de leitos, reorganizar atendimentos e reforçar equipes de saúde antes de situações críticas.
O Super Time vencedor, formado pelas equipes InsightIA, de Goiás, e Algoritmas, de São Paulo, desenvolveu um painel digital que utiliza inteligência artificial para prever se a ocupação de leitos hospitalares tende a aumentar, diminuir ou permanecer estável na semana seguinte. Na prática, a solução poderia ajudar gestores hospitalares a antecipar períodos de maior demanda, organizar equipes e recursos e tomar decisões preventivas para evitar a superlotação.
Segundo a professora Telma Soares, diretora do CEIA-UFG, os alunos puderam colocar em prática as habilidades aprendidas ao longo do período de formação e demonstraram criatividade para solucionar alguns problemas reais do Estado de Goiás. “Colocar esses alunos diante de problemas sentidos na pele pela população os aproxima daquilo que é o mais importante para quem, logo mais, vai estar formado e já compreende a capacidade do que a IA pode fazer pela sua cidade, pelo seu estado e pelo seu país”, diz.
Final reuniu estudantes de diferentes estados brasileiros
Pela primeira vez com abrangência nacional, a Olimpíada recebeu inscrições de 817 equipes, envolvendo mais de 2 mil estudantes. Desse total, 600 equipes de 19 estados participaram efetivamente da competição.
Após as primeiras etapas, 50 equipes avançaram para a fase presencial, que reuniu 150 estudantes e 50 tutores de Goiás, Ceará, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal.
No segundo dia da programação, 30 equipes garantiram classificação para a grande final, divididas igualmente entre escolas públicas e privadas. Goiás teve a maior representação, com 25 equipes classificadas, o equivalente a 83,3% do total.
Para a última fase, as 30 equipes foram reorganizadas em 15 “Super Times”, formados pela união de uma equipe de escola pública e outra de escola privada. A dinâmica incentivou a colaboração entre estudantes de diferentes instituições, que precisaram trabalhar em conjunto para desenvolver e apresentar suas soluções.
Robert Bonifácio da Silva, Subsecretário de Formação de Talentos e Transformação Digital da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de Goiás (Secti), destacou que a expansão da Olimpíada permite aproximar os estudantes de diferentes regiões do país no lugar que é o polo em formação de IA no Brasil. “Queremos que essa experiência desperte o interesse pela área e incentive os jovens a continuar estudando, desenvolvendo projetos e buscando oportunidades na ciência e na tecnologia”, disse.
Olimpíada cresce e amplia alcance nacional
Criada em 2024, a Olimpíada de Inteligência Artificial Aplicada vem registrando crescimento a cada edição. No primeiro ano, foram 90 equipes inscritas. Em 2025, o número subiu para 357 e, em 2026, chegou a 817 inscrições, um crescimento de mais de 800% em relação à primeira edição.
A iniciativa integra as ações do Governo de Goiás e do CEIA-UFG para incentivar a formação de novos talentos, ampliar o acesso ao conhecimento em inteligência artificial e estimular o interesse dos jovens por carreiras ligadas à ciência, tecnologia e inovação.













