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Novembro Azul: PSA alterado significa câncer? Conheça mitos e verdades sobre o exame

Estimativa de 430 novos casos anuais no Tocantins chama atenção para o papel do teste na investigação e a importância do acompanhamento médico


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 03/11/2026 - 13:00

Novembro Azul

Realizado por meio de uma coleta de sangue, o PSA ajuda a identificar alterações na próstata e a orientar a investigação médica. O resultado, porém, exige avaliação: valores elevados podem estar associados a condições benignas, enquanto aqueles dentro da referência não excluem completamente o câncer. Durante o Novembro Azul, esclarecer essas diferenças ganha relevância. No Tocantins, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 430 novos casos de câncer de próstata por ano no triênio 2026–2028. No Brasil, a doença é o segundo câncer mais comum entre os homens, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma.

O exame mede a concentração do antígeno prostático específico, uma proteína produzida pela próstata. Segundo Patrícia Cavalcante, biomédica e coordenadora técnica do Sabin no Tocantins, a qualidade de cada etapa da análise é importante para fornecer informações que auxiliem a avaliação médica.
“Nosso trabalho envolve o cuidado com todas as etapas da análise, da orientação para a coleta à liberação do resultado. O PSA fornece uma informação importante para a investigação, que será interpretada pelo médico junto às condições de saúde do paciente”, explica.

A seguir, a profissional esclarece dúvidas frequentes sobre o exame.

PSA elevado sempre significa câncer. Mito.

O aumento da concentração da proteína no sangue pode ocorrer em condições benignas, como crescimento da próstata e inflamações. A confirmação do câncer depende de biópsia, quando indicada após a investigação médica.

“Os valores de referência ajudam na leitura do laudo, mas não funcionam como uma divisão definitiva entre ter ou não câncer. Por isso, o paciente não deve interpretar o resultado por conta própria”, afirma Patrícia.

PSA dentro da referência exclui completamente a doença. Mito.

Nem todo câncer de próstata provoca elevação do PSA a ponto de ultrapassar o valor de referência do laboratório. Por isso, a doença pode estar presente mesmo quando o resultado está dentro dessa faixa. O médico considera também o histórico do paciente, os sintomas e os achados da avaliação clínica para decidir se é necessário aprofundar a investigação.

O exame de sangue substitui o toque retal. Mito.

Os procedimentos fornecem informações diferentes: o PSA mede a concentração da proteína no sangue, enquanto o toque retal permite avaliar características como tamanho, forma e textura da próstata. A indicação de cada um depende da avaliação médica.

A idade é o único fator que orienta a investigação. Mito.

Segundo o Ministério da Saúde, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata no Brasil têm mais de 55 anos. O histórico familiar também merece atenção: ter pai, avô ou irmão que apresentou a doença antes dos 60 anos aumenta o risco. A necessidade de PSA e toque retal deve ser discutida com o médico, considerando o histórico de saúde, a presença de sintomas e os possíveis benefícios e riscos dos exames.

É preciso conferir o preparo antes da coleta. Verdade.

O paciente deve consultar as orientações do laboratório e comunicar procedimentos recentes e condições de saúde que possam interferir na análise ou na interpretação do resultado.
“Conferir as orientações antes da coleta ajuda a reduzir interferências no resultado. O paciente também deve informar os medicamentos que utiliza, sem interrompê-los por conta própria”, orienta a biomédica.

Só homens mais velhos precisam investigar sintomas. Mito.

Dificuldade para urinar, diminuição do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes e sangue na urina precisam ser investigados, independentemente da idade. Esses sinais também podem estar associados a condições benignas e não confirmam câncer.

“O principal é não adiar a busca por atendimento. Quando há indicação de realizar o PSA, fazer o exame e retornar ao médico com o resultado são etapas do mesmo cuidado”, conclui Patrícia.

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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