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China reage a derrota de Trump nas eleições de meio de mandato dos EUA

Porta-voz Mao Ning diz que pleito é questão doméstica dos Estados Unidos e manifesta disposição de manter cooperação com Washington; democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara


Fábio Prado Por Fábio Prado em 04/11/2026 - 17:28

Xi Jinping e Donald Trump durante reunião em em Pequim, em maio de 2026 | Crédito: AFP
Xi Jinping e Donald Trump durante reunião em em Pequim, em maio de 2026 - Foto: AFP

Porta-voz Mao Ning diz que pleito é questão doméstica dos Estados Unidos e manifesta disposição de manter cooperação com Washington; democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara

O governo chinês afirmou nesta quarta-feira (4) que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos são um assunto interno do país. A declaração foi dada pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, durante coletiva diária em Pequim, em resposta a uma pergunta de um correspondente de mídia americana.

Mao Ning evitou comentar diretamente o resultado das eleições legislativas, que deram maioria aos democratas nas duas casas do Congresso americano. A porta-voz limitou-se a reiterar a posição tradicional da diplomacia chinesa de não se pronunciar sobre pleitos locais ou legislativos de outras nações.

A declaração de Mao Ning

Ao ser questionada sobre as eleições de meio de mandato, Mao Ning afirmou que o pleito é uma questão doméstica dos Estados Unidos. Em seguida, manifestou a disposição da China de continuar trabalhando com Washington.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante coletiva de imprensa - Foto: Mauro Ramos/Brasil de Fato
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante coletiva de imprensa – Foto: Mauro Ramos/Brasil de Fato

“As eleições de meio de mandato dos EUA são um assunto interno. A China está disposta a continuar trabalhando com os Estados Unidos para preservar e implementar os importantes consensos alcançados pelos dois chefes de Estado”, declarou a porta-voz.

Mao Ning também mencionou a intenção de fortalecer a comunicação, administrar adequadamente as diferenças e ampliar a cooperação. O objetivo, segundo ela, é construir uma relação “construtiva, estratégica e estável” entre as duas maiores economias do mundo, baseada em respeito, justiça e reciprocidade.

O resultado das eleições

As declarações foram feitas um dia após a realização das midterms, na terça-feira (3). Os democratas conquistaram a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, em uma derrota para o presidente Donald Trump.

No Senado, os democratas chegaram a 54 cadeiras, contra 44 dos republicanos, segundo a apuração da Associated Press. O partido conquistou sete cadeiras que pertenciam aos republicanos, incluindo vitórias em estados como Texas, Ohio, Kansas, Maine, Iowa, Carolina do Norte e Carolina do Sul.

Na Câmara, a projeção da NBC News indica que os democratas devem garantir pelo menos 258 cadeiras, contra 177 dos republicanos. O número representa a maior bancada democrata na Casa desde 1993.

O contexto diplomático

A posição chinesa segue a tradição diplomática de Pequim de não comentar processos eleitorais de outros países. A fala de Mao Ning ocorre em um momento de tensão comercial e geopolítica entre China e Estados Unidos, que inclui disputas tarifárias e restrições tecnológicas.

A China acompanha com atenção a nova configuração do Congresso americano, que pode influenciar a agenda bilateral nos próximos dois anos. A maioria democrata em ambas as casas legislativas pode alterar o cenário de negociações com o governo Trump em temas como comércio, tecnologia e política externa.

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