Investigação da PF obtida pela CNN Brasil aponta que o ex-integrante do serviço secreto israelense chegou ao país em 19 de outubro e viajou na mesma van que o senador até a fronteira com a Argentina
Um “ex-agente” do Mossad, serviço de inteligência de Israel, teria acompanhado o senador Flávio Bolsonaro (PL) na fuga do Brasil em direção à Argentina, de onde ele embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo jornal israelense The Jerusalem Post, com base em uma investigação da Polícia Federal brasileira obtida pela CNN Brasil .
Segundo a reportagem, o integrante do serviço secreto israelense, que não teve a identidade revelada, chegou ao Brasil em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. Ele teria acompanhado Flávio Bolsonaro desde Brasília até a fronteira com a Argentina e viajado no mesmo veículo que o senador durante a travessia .
A operação teria recebido o nome de Alba e começado a ser organizada ainda durante a campanha eleitoral, antes da derrota de Flávio Bolsonaro para Lula (PT), no segundo turno de 25 de outubro .
A travessia da fronteira
A investigação identificou dois veículos utilitários que cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, na noite de 27 de outubro. Imagens de câmeras de segurança foram utilizadas para identificar os automóveis e reconstruir o deslocamento .
Flávio viajava em uma das vans, acompanhado pelo ex-agente do Mossad. Na segunda estavam sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas. Os veículos eram conduzidos por um ex-vereador de Foz do Iguaçu e seu filho .
O jato e o destino final
Após a travessia, a família embarcou em um jato executivo Gulfstream G400, operado pela empresa argentina de fretamento Baires Fly. A aeronave fez uma escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, e pousou na manhã de quarta-feira (28) no aeroporto executivo de Opa-locka, próximo a Miami, nos Estados Unidos .
A reportagem da CNN Brasil não estabeleceu qual papel o ex-agente do Mossad teria desempenhado na organização da operação, apenas que ele acompanhou o senador durante o trajeto .
O contexto da saída
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de sair do país. A Polícia Federal informou que não encontrou registros oficiais da saída do senador pelos postos de controle de fronteira brasileiros .
O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, incluindo um caso envolvendo plataformas de apostas e outro sobre o financiamento de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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