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Empresa ligada a advogado investigado pela PF pagou R$ 17,7 milhões a Virginia Fonseca

Transferências foram feitas em cinco operações via Pix entre março e setembro de 2024. Banco Santander comunicou movimentações ao Coaf; assessoria da influenciadora afirma que valores correspondem a campanhas publicitárias contratadas


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 06/11/2026 - 14:13

Empresa ligada a advogado investigado pela PF pagou R$ 17,7 milhões a Virginia Fonseca
Empresa ligada a advogado investigado pela PF pagou R$ 17,7 milhões a Virginia Fonseca

Uma empresa apontada pela Polícia Federal como ligada ao advogado Willer Tomaz transferiu R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, empresa da influenciadora Virginia Fonseca. Os pagamentos, realizados em cinco operações via Pix entre março e setembro de 2024, chamaram a atenção do Banco Santander, que comunicou as movimentações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O caso faz parte de uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas, entre elas a Blaze. Na época das transferências, Virginia mantinha uma parceria publicitária com a casa de apostas.

As informações foram divulgadas inicialmente pela revista piauí e confirmadas pela Folha de S.Paulo, que identificou possíveis vínculos entre o advogado e a empresa responsável pelos repasses.

A assessoria de Virginia informou que os valores recebidos foram referentes a campanhas publicitárias devidamente contratadas. A equipe também afirmou que a influenciadora não conhece Willer Tomaz e nunca manteve negociações com ele. Não foram detalhados, porém, quais serviços foram prestados.

Willer Tomaz foi procurado para comentar as transferências, mas não respondeu.

Por que os R$ 17,7 milhões chamaram a atenção do banco?

Os pagamentos partiram da AMP Pay Marketing e Negócios, empresa registrada em Itajaí, Santa Catarina, com capital social declarado de R$ 50 mil.

Segundo documentos analisados pela Folha, o Santander considerou as operações atípicas porque a empresa estava enquadrada no Simples Nacional, regime tributário destinado a negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

O valor transferido à Talismã Digital, de R$ 17,7 milhões, superou esse limite, o que motivou a comunicação das operações ao Coaf.

A comunicação de movimentações financeiras atípicas é um procedimento previsto no sistema de prevenção à lavagem de dinheiro e, por si só, não significa que tenha ocorrido crime ou irregularidade.

O cadastro da Receita Federal aponta Guilherme Maciel como proprietário da AMP Pay. Procurado pela Folha, ele negou conhecer Willer Tomaz ou manter qualquer relação com o advogado.

Maciel afirmou que a empresa atuou regularmente como intermediadora de pagamentos entre 2024 e 2025, mas não esclareceu quais serviços justificaram os repasses à empresa de Virginia.

O que a Polícia Federal investiga sobre Willer Tomaz?

A possível ligação entre o advogado e a AMP Pay entrou no radar da Polícia Federal após a identificação de um e-mail enviado por Tomaz ao Magnum Bank, em 2024. Na mensagem, ele se apresentava como sócio ou acionista da empresa.

A informação passou a integrar a investigação sobre o uso de empresas e plataformas financeiras para movimentar recursos de origem suspeita.

Para os investigadores, existem elementos que justificam apurar se a AMP Pay funcionava como uma empresa de fachada e se foi utilizada na primeira etapa da circulação de dinheiro. A suspeita ainda está sob investigação.

A Polícia Federal também apura possíveis conexões entre Tomaz e a Blaze, plataforma de apostas com a qual Virginia manteve contrato publicitário.

Uma das linhas de investigação envolve a possibilidade de utilização de plataformas de apostas para dificultar o rastreamento de recursos, por meio de depósitos, apostas sucessivas e retiradas de dinheiro.

PF aponta movimentação de R$ 5 bilhões em apostas

Outro dado que aparece na investigação é o volume de recursos movimentados por Willer Tomaz em plataformas de apostas.

Segundo dados do Ministério da Fazenda mencionados na apuração, o advogado movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas durante 2025, tornando-se o maior apostador identificado no país naquele ano.

O montante, entretanto, não representa necessariamente dinheiro desembolsado pelo advogado. O cálculo inclui valores que circularam repetidamente nas plataformas, como prêmios que foram utilizados em novas apostas.

A investigação também identificou movimentações por meio de uma conta de Tomaz na fintech A55, utilizada para enviar recursos à Blaze. As operações foram consideradas atípicas pelos investigadores.

Outro elemento analisado foi o endereço utilizado pela Foggo Entertainment, responsável pela operação da Blaze, que já havia sido registrado por empresas relacionadas a Tomaz e antigos sócios.

A coincidência de endereço, porém, não comprova participação societária ou controle oculto do advogado sobre a plataforma. Essa possível relação também está sob apuração.

Advogado é amigo de Flávio Bolsonaro

Willer Tomaz também é apontado como amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputou a Presidência da República em 2026.

O nome do advogado aparece em investigação relacionada a movimentações financeiras e às plataformas de apostas.

Procurado pela Folha de S.Paulo para comentar os pagamentos à empresa de Virginia Fonseca, Tomaz não respondeu. Em manifestações anteriores sobre suas apostas, afirmou que os recursos movimentados tinham origem lícita.

 

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