Falta menos de uma semana para que os líderes das maiores nações do mundo se reúnam em Buenos Aires, Argentina, para o encontro do G20, no qual serão debatidos os principais assuntos do planeta. Mas antes da chegada dos representantes dos países, grupos já estão há meses debatendo ideias para melhorar as relações humanas. Um dos principais é o C20, que agrupa representantes da sociedade civil organizada e tem o brasileiro Valdinei Valério como integrante.
Para o superintendente da Rede Pró-Aprendiz, é fundamental esse espaço de discussões de estudos que ajudam a priorizar as políticas para a juventude, assim como o cumprimento dos objetivos do Milênio (ODM) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Valdinei participou de encontros pelo mundo para discutir os pontos abordados pelo Grupo de Trabalho, Educação, Emprego e Inclusão do Civil 20 (C-20), que se reuniu em Genebra, na Suíça, no mês de junho, em evento de preparação para o G20. “A ideia é transformar os assuntos elencados nas reuniões em uma declaração a ser apresentada aos líderes e, claro, sirva de modelo para a implantação de políticas públicas”.
Um dos pontos levantados por Valério nos encontros do C20 é o que ele chama de novíssimo fenômeno da migração em massa de famílias de países da América Central para os Estados Unidos e como isso impacta o mundo inteiro e entristece quem trabalha pelas causas humanitárias. “Todos assistem, atônitos, pessoas deixarem suas casas, seu país, sua pátria para atravessar a fronteira do sonho em busca de dias melhores”.
Um exemplo deste fato é, em estimativa realizada por organizações locais, uma caravana de mais de cinco mil pessoas oriundas de Honduras, Guatemala e El Salvador que marcharam para os EUA e desafiaram o presidente Donald Trump. “Não é preciso aprofundar estudos para saber as causas desse êxodo intrigante. Desemprego, alto índice de violência, falta de oportunidades, e, sobretudo, erro nas políticas públicas e na condução da economia destes países”, destaca o superintendente.
“O leque de equívocos administrativos é muito amplo, mas chama atenção uma falha gravíssima em todos os países, inclusive desenvolvidos, e em desenvolvimento, que é a falta de compromisso com o cumprimento do que é acordado nos espaços mundiais de discussão das políticas públicas para a juventude”, pontuou Valdinei, que ainda reforçou a importância de que os assuntos levantados nas reuniões no C20 sejam levados em consideração por todos.
Exemplo brasileiro
Os impactos positivos gerados pela Rede Pró-Aprendiz no Brasil, que é uma alternativa inovadora de fortalecimento e desenvolvimento socioeconômico, por meio da inserção de jovens no mercado de trabalho a partir de programas de aprendizagem e qualificação, tem rendido convites para a participação nesses fóruns de organismos internacionais, para compartilhar as experiências e levar as ideias brasileiras para o mundo.
“Temos sido proativos nos debates dos grandes temas que permeiam a sociedade global. Somos reconhecidos como uma importante rede que contribui com boas práticas e políticas para a juventude, a exemplo da Rede Pró-Aprendiz, que apoia e trabalha com mais 60 organizações sociais no Brasil. Desde sua criação, esse espaço tem sido renovado e recriado com o intuito de dar voz ao conjunto de Redes Regionais e Plataformas Nacionais que representam uma grande parte da Sociedade Civil Organizada”, destacou Valdinei Valério.
No G20, essas organizações compartilham suas experiências, a transparência, o nível de desenvolvimento e mostram a vontade de contribuir com recomendações pertinentes, ao mesmo tempo em que assumem compromissos como parte de construção das políticas públicas para a juventude. “É uma grande contribuição, mas se tornará inócua se os líderes não adotarem na prática essas experiências. Como integrante do C-20, o que tem nos preocupado é o efetivo cumprimento das políticas elencadas nestes longos e profundos debates”, reforçou o superintendente.
Valério lembrou que a maior vítima dessa falta de compromisso com as reivindicações são os jovens e crianças. “Não vamos avançar se os líderes mundiais não cumprirem esses compromissos. Meninas e meninos sem oportunidade, sem escola, sem emprego e sem perspectivas acabam por cair no mundo da criminalidade, da gravidez precoce, nas garras da violência. Os que encontram oportunidades têm caminhos diferentes dos que agora estão marchando em busca de um futuro”.













