Lívia Máximo
Lógica, raciocínio, teoria e prática incentivam alunos a aprender sobre o bom uso das novas tecnologias
Fios, plataforma digital, computadores, celulares, cabos de conexão e muito conhecimento fazem da aula de Robótica um momento de participação e curiosidade intensa dos alunos da Escola Municipal Alice Coutinho, localizada na Vila Moraes, bairro da região leste de Goiânia.
As aulas são ministradas pelo professor de Ciências, Kleiber Pinheiro Sales, que vê na Robótica a oportunidade de mostrar aos alunos como usar a tecnologia a favor da sociedade.
“Buscamos mostrar aos alunos que a escola tem uma visão de mundo melhor. Atualmente, a tecnologia é muito presente, utilizada com excessos, e, às vezes, mal aproveitada. Então, nossa intenção é reverter isso, mostrando o lado positivo do uso”, ressalta o professor.
A proposta de incluir o ensino da Robótica nasceu nesta escola em 2013 e, desde então, ganhou destaque e o apreço do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME).
“Já estamos expandindo, por meio de projetos, para todas as escolas da rede municipal. Temos uma avaliação muito positiva da Robótica no sentido de favorecer o aprendizado das crianças, visto que é um meio de incentivar o trabalho em equipe, a socialização e a parte colaborativa entre os educandos”, explica Cristiane Soares, apoio técnico do NTE.
Para ela, a Robótica proporciona que aos alunos sejam desafiados, o que gera a vontade e a curiosidade pela nova descoberta.

“O aluno acaba sendo o próprio autor, ele aprende e coloca em prática, vivencia a experiência e vê o resultado. Sem contar que é uma área que exige muita atenção, estudo e os alunos se envolvem, gostam e, por consequência, aprendem”, concluiu Cristiane.
Luiz Eduardo Rodrigues de Oliveira, 12 anos, já aprendeu a gostar da Robótica e, segundo ele, é uma de suas aulas preferidas.
“Acho que dá para aprender bastante com o que o professor Kleiber ensina. Envolve tudo que a gente gosta, como celular, computador, robô. É bem legal e interessante!”, afirma o aluno.
Colega de sala, Thaynara Dafne Soares, 12 anos, compartilha da mesma opinião de Luiz Eduardo e se sente desafiada a cada novidade que chega na sala de aula.
“Gosto bastante. Estamos avançando e aprendendo sobre coisas que eu nem sabia como funcionava. Sobre o que é analógico e o que não é, por exemplo. Então, é muito bom e eu gosto das aulas”, completou.
Boa ação com a Robótica
Em tantas aulas de Robótica já realizadas, o professor Kleiber trouxe uma novidade aos alunos. Uma bengala ultrassônica, elaborada por ele e que ainda está em fase de adaptação para uso do aluno José Netto de Oliveira Alexandre, que tem necessidades educacionais especiais, devido à deficiência visual.
“Ela funciona por meio de sensores que emitem um apito, ao identificar obstáculos pela frente. Ao perceber a dificuldade de locomoção do aluno, eu resolvi desenvolver o projeto da bengala, apresentei em sala para os demais alunos, que já sabem tudo sobre ela, como funciona, e, atualmente, ela está sendo adaptada à rotina do José Netto, incluída aos poucos, de acordo com a capacidade motora dele”, explica Kleiber.
Para a mãe do aluno, Thaís Alexandre Silva, o sentimento é de gratidão pela escola e pelo professor por se preocuparem com seu filho e, além disso, os outros alunos aprenderem um conhecimento extra sobre o quanto é importante ajudar o próximo.
Alunos são desafiados e aprendem a teoria na prática
“Uma forma de incentivar o aprendizado e o espírito de cooperação, com o intuito de beneficiar uma criança com deficiência visual, através da Robótica. Eu confio e tenho a esperança na ciência e no desenvolvimento da Robótica e outras tecnologias para contribuir com a qualidade de vida de todos aqueles que, de alguma forma, necessitem dela. Meu desejo é que mais profissionais da Educação busquem conhecimento e capacitação para auxiliar, de alguma forma, na área da Educação Inclusiva, pois alunos de desenvolvimento atípico ou necessidades educacionais especiais existem, são pessoas reais e estão presentes em todas as escolas”, declarou a mãe de José Netto.
Além da bengala, o professor também reciclou, neste ano, um braço mecânico, um dos primeiros projetos desenvolvidos na escola.
“Funciona com uso de uma placa de circuito integrado, é programado e com o uso do comando no computador o braço mexe. Os alunos participaram comigo da elaboração de todo o projeto e tivemos ótimos resultados. Estamos atualizando, aperfeiçoando os mecanismos do braço, até para que os alunos novatos acompanhem”, afirmou Kleiber.
Para a diretora da escola, Cecília Maria Ribeiro Neto, a Robótica só tem contribuído para o aprendizado.
“Os alunos gostam muito. Se empolgam, ficam ansiosos pelos resultados, pelas experiências. A escola toda se envolve, os outros professores também. O Kleiber é apaixonado pela Robótica e tem conseguido inspirar muitos alunos. Acredito que é um caminho certo”, ressaltou a gestora.













