Mais jovens brasileiros estão conseguindo concluir o ensino médio na idade adequada. Ao mesmo tempo, o país ainda está distante de garantir o acesso à educação infantil para todas as crianças de 0 a 3 anos. Os dois cenários são apresentados em notas técnicas divulgadas pelo Todos Pela Educação, elaboradas com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As análises mostram avanços importantes em diferentes etapas da educação básica. Enquanto os indicadores apontam melhora na permanência dos estudantes e aumento da conclusão do ensino médio, o acesso às creches continua abaixo das metas nacionais e revela desigualdades que afetam principalmente crianças em situação de maior vulnerabilidade social.
Os resultados dialogam com indicadores divulgados recentemente para Goiás. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que o estado reduziu as taxas de abandono, reprovação e distorção idade-série no ensino médio entre 2022 e 2025, acompanhando a tendência nacional de melhoria na permanência escolar.
Conclusão do ensino médio avança, mas desigualdades persistem
A nota técnica sobre o ensino médio revela que 74,3% dos jovens brasileiros concluíram essa etapa da educação básica até os 19 anos em 2025, o maior índice registrado desde o início da série histórica, em 2016. O percentual representa um crescimento de 16,8 pontos percentuais no período e indica que quase três em cada quatro jovens chegam ao fim da educação básica na idade esperada.
Apesar da evolução, o estudo aponta que um em cada quatro jovens ainda não conclui o ensino médio no tempo adequado. Entre os fatores que mais contribuem para esse cenário estão o atraso escolar, a necessidade de trabalhar e a falta de interesse pelos estudos.
As desigualdades permanecem expressivas. Entre os 20% mais ricos, 94,2% dos jovens concluem o ensino médio até os 19 anos. No grupo dos 20% mais pobres, o percentual cai para 61,1%, diferença superior a 33 pontos percentuais. Também há disparidades raciais. Enquanto 81,7% dos jovens brancos e amarelos concluem essa etapa na idade adequada, entre pretos, pardos e indígenas o índice é de 69,5%.
Os dados reforçam os resultados do Censo Escolar 2025. Entre 2022 e 2025, Goiás reduziu o abandono escolar no ensino médio de 1,8% para 1%, a reprovação de 3% para 1,2% e a distorção idade-série de 17,6% para 11,7%, indicando uma melhora no fluxo escolar semelhante à observada nacionalmente.
Educação infantil cresce, mas creches seguem como principal desafio
A segunda nota técnica analisa o acesso à educação infantil e mostra que o país avançou na ampliação das matrículas, principalmente na pré-escola. Em 2025, a taxa de atendimento das crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1%, o maior percentual da série histórica e próximo da universalização dessa etapa obrigatória da educação básica.
O maior desafio permanece no atendimento às crianças de 0 a 3 anos. A taxa de frequência em creches alcançou 43,3%, também o maior índice já registrado, mas ainda inferior à meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação. Isso significa que mais da metade das crianças dessa faixa etária continua fora das instituições de educação infantil.
O estudo destaca que as dificuldades de acesso não atingem todas as famílias da mesma forma. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças de 0 a 3 anos permanecem fora da creche por falta de vagas, distância ou outros obstáculos de acesso. Entre os 20% mais ricos, esse percentual é de 6,4%. As barreiras também são maiores entre crianças pretas, pardas e indígenas do que entre crianças brancas e amarelas.
O cenário também dialoga com a realidade goiana. Embora o estado tenha registrado melhora nos indicadores de permanência e rendimento escolar, estudos recentes apontam que a ampliação da oferta de vagas na educação infantil continua sendo uma das principais demandas da rede pública, especialmente para crianças de até três anos.
Os dois levantamentos indicam que o Brasil avança na garantia do direito à educação, mas evidenciam que os desafios mudam ao longo da trajetória escolar. Se no ensino médio o foco está na permanência e na conclusão dos estudos, na educação infantil a prioridade continua sendo ampliar o acesso às creches e reduzir desigualdades que começam ainda nos primeiros anos de vida.











