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“Não tenho dificuldade em apoiar outra candidatura, desde que entendam que têm que conversar comigo”


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 17/12/2023 - 01:58

Marussa Boldrin, Deputada federal MDB
Marussa Boldrin, Deputada federal MDB

Aos 33 anos, a agrônoma de Rio Verde Marussa Boldrin ocupa uma cadeira na Câmara Federal, representando o setor do agronegócio. É herdeira do capital político do ex-deputado José Mário Schreiner, que decidiu se dedicar à política classista. Marussa rompeu muitas barreiras para estar onde está, pois em Rio Verde, como vereadora, fez oposição ao prefeito Paulo do Vale e teve que enfrentar seu grupo político para sair candidata em 2022 e manter o comando do MDB. Atualmente, na Câmara, trabalha para mostrar que o agronegócio, além de essencial para a economia do país, pode ser sustentável e caminhar junto com ações ambientais; já em Rio Verde está empenhada em montar uma chapa competitiva de vereadores e acredita que o MDB tenha condições de lançar candidatura própria a prefeito. Entretanto, caso esse não seja o interesse da cúpula do MDB e UB, ela aceita apoiar outro candidato desde que não seja “atropelada” por “eles”, ou seja, o prefeito Paulo de Vale e seu grupo.

 

Andréia Bahia

 

Tribuna do Planalto – A senhora acaba de chegar da 28ª edição da Conferência das Nações sobre Mudanças Climáticas (COP 28), em Dubai, onde participou do painel: “Financiamento climático e mercado de carbono: oportunidades e desafios nos estados e municípios”. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Pedro Lupion, afirmou que o projeto que tramita no Congresso e trata do Mercado de Carbono, da forma que está, não é benéfico ao setor e aos produtores rurais brasileiros. Em que o projeto não beneficia o produtor rural?

Marussa Boldrin – O mercado de carbono prejudica o agro porque o setor já desenvolve muitas ações de sequestro de carbono, como o plantio direto. Na indústria, consegue-se mensurar a emissão de carbono, já no agro, não. Se incluirmos a agricultura dentro desse projeto estaríamos entrando em uma seara que não é nossa. O plantio direto, que elimina a queimada nas lavouras da cana, protege o meio ambiente.

Esse modelo de produção, por exemplo, compensa o carbono emitido pelo setor?

Sim, por isso o agro não deve estar dentro desse projeto.

O projeto que cria o Programa de Transição e Aceleração Energética, do qual a senhora é relatora, está prestes a ser votado. A retirada do uso de precatórios do Fundo Verde é o ponto mais polêmico do projeto?

No início, tínhamos pensado que era importante os precatórios estarem no projeto, mas, depois de conversar com um e com outro, vimos que poderia vir do governo o interesse em retirá-los e publicamos uma versão sem os precatórios. Na última terça-feira, 12, tive uma reunião no Ministério da Fazenda e eles falaram para incluir esses créditos tributários. Qual o principal projeto do programa? Que as empresas possam ter a garantia dos créditos e dos precatórios para pegar esse aporte dos bancos e financiadoras para investir em infraestrutura, pesquisa e tecnologia. Eu fiquei insatisfeita porque já tinha comigo que os precatórios seriam uma forma de dar uma outra opção. O que o governo pediu, e acho que é positivo, é que o texto evite fraudes; evite que empresas não idôneas façam projetos para pegar o recurso e depois não executem o projeto. Eu já passei a última versão para o presidente Arthur Lira, porque é um projeto de interesse do presidente; e me senti muito honrada por estar em meu primeiro mandato na Câmara Federal, no meu primeiro ano e já estar com um projeto de uma pauta relativamente próxima à minha, que é o agro. Diretamente não é o projeto só para o agro, mas para diversas empresas que cuidam do meio ambiente, ou teoricamente teriam que cuidar, e possam fazer essa transição energética, sair dos combustíveis fósseis minerais. Houve muita polêmica na COP na discussão da transição energética em relação a algumas falas do presidente sobre os combustíveis fósseis. Eu vejo que não podemos excluir, mas fazer dessa forma gradativa, ir aumentando, até passar de uma fonte para outra. Como bons brasileiros, deixamos tudo para a última hora. A transição do carvão mineral é até 2040, e poderia estar mais avançado? Poderia. Mas quando tem prazo, geralmente é lá no final que as pessoas vão se preocupar.

A senhora reclamou que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ignorou o programa, que está sendo considerado uma prioridade na Câmara. O governo Lula não vem dando importância à Pauta Verde do Congresso?

Nessa entrevista, o jornalista foi muito maldoso porque eu dei entrevista para todas as empresas, foi praticamente a mesma fala, e ninguém soltou que eu tinha falado que o ministro havia ignorado. Foi muito ruim a forma que ele colocou porque o ministro, pelo contrário, lá na COP, gravou um vídeo comigo e foi super solícito. O setor do etanol e do biocombustível está bem satisfeito com o ministério e com o aumento da base do etanol nos combustíveis. O governo não barrou em nenhum momento a Pauta Verde, tanto que de quatro projetos da pauta, dois já avançaram. O projeto sobre mercado de carbono do deputado Aliel Machado ainda está para ser votado e o de transição energética, por conta dos prazos e também por causa da votação dos vetos e da reforma, que trancou a pauta na Câmara, ainda não andou. Não é nada específico com o projeto.Os vetos, por exemplo, faz dois meses que estou ouvindo que essa semana não vota, adiou para quinta, e não vota. Depois da votação dos vetos é que vamos conseguir ter clareza do que vai se votar, mas ainda não teve acordo e vai ficar para semana que vem.

A bancada rural tem interesse em muitos projetos que estão para ser votados na Câmara: mercado de carbono, Programa de Aceleração da Transição Energética, reforma tributária, veto ao marco temporal, entre outros. A mudança de governo alterou a força da bancada rural na articulação de seus interesses?

Eu não estava aqui vivendo o Congresso, mas estava como produtora, vivendo o agro, que estava super satisfeito com o governo passado. Agora, temos um pouco de dificuldade para passar para a base a importância do diálogo com o Executivo para que nossas pautas andem. Muito tem sido trabalhado neste ano e pequenas ações que não são divulgadas em nível nacional, mas que fazem uma diferença danada na vida do produtor, estão andando.Mas como tem tanta notícia no WhatsApp dessas pessoas até hoje, ainda somos julgados por isso. Conseguimos mostrar para o governo federal que temos lado, que quando a pauta é do agro precisamos do posicionamento claro para o setor. Aqui, eu trabalho conversando, e mesmo que não satisfeita, consigo chegar a algum lugar. E eu não consigo ir para rede social só criticar ou só falar que está tudo lindo; prefiro trabalhar sentando e conversando. Todo estado tem um premiado aí que joga para a rede social e vira o deputado blogueiro, sem efetividade de ação nenhuma.

Qual o cálculo que se fez ao definir pela derrubada do veto presidencial ao projeto do Marco temporal?

O Marco Temporal representa uma segurança jurídica para o produtor rural e nós tentamos mostrar o nosso posicionamento para o Supremo, e não teve acordo. Agora foi a nossa hora de entrar em ação e derrubar o vento.

Nesta semana, José Mário Schreiner, da Faeg, comentou que conseguiu transferir capital político, o que não é fácil na política, e eleger a senhora com o apoio dele. O seu mandato é uma extensão do mandato do ex-deputado? Como é a relação dele com seu mandato? Dá opinião, sugestões?  

Eu falo do José Mário com a boca cheia, com muito orgulho porque eu sempre tratei as pessoas de forma igual, todas as lideranças políticas e eu fui vista por uma pessoa, por um homem diferenciado, porque ele poderia ter sido como outros. Na minha cidade, por exemplo, eu sofri ameaça, fui julgada, escutei que eu não podia e passei tudo isso. Eu estava trilhando o meu caminho, não estava em casa esperando aparecer alguém como José Mário, e eu fui vista. Chamou a atenção a minha forma de ser, que acho que é muito parecida com a dele e acho que é por isso que nos damos bem. Eu tenho José Mário como um orientador, mas já ouvi falar que ele que manda no meu mandato, que ele ia me abandonar e que eu ia abandonar o José Mário, virar as costas e não lhe ser grata. E tudo isso nós estancamos. E não foi só no mandato, antes também, na campanha, diziam que eu não ia decolar e que o José Mário não ia agarrar na campanha; que eu não ia conseguir porque a transferência de voto é difícil. Sim, a transferência de voto é difícil, mas José Mário tem uma liderança e uma capilaridade forte no Estado, porque ele é muito coerente, mantém a palavra dele e é igual com todos. Pessoas humildes gostam e se identificam com ele e pessoas com grande expressividade, grandes empresários, se identificam também. E nisso ele se parece muito comigo também. Uma das minhas características, que as pessoas falam, é a humildade. E ser humilde não significa ser bobo ou que as pessoas estão te passando para trás. Mas é o fato de tratar bem até quem não lhe trata. Eu não sinto que o José Mário imponha nada a mim; ele me escuta muito. Pelo contrário, eu nunca me tornei a Marussa do José Mário e sempre fui a Marussa Boldrin, e eu falo para ele que o admiro até nisso, porque ele sempre me respeitou, sabendo que eu já tinha uma história na política. Eu já tinha os meus dois mandatos de vereadora, que foram muito importantes porque, quando pessoas que nunca ouviram falar quem era Marussa, pediam referência para quem era de Rio Verde, eu tinha uma boa referência. Agora, tudo que eu crescer eu sei que José Mário está crescendo junto. Eu tenho com ele uma relação bem paternal porque ele também ouviu muito que era um maluco porque estava escolhendo uma mulher e jovem. Eu escuto muito a experiência de pessoas que têm mais idade que eu e até tenho muitos amigos com mais idade do que da minha própria idade, porque acredito que a experiência de vida que essas pessoas têm me ajudam a chegar e a estar onde estou com 33 anos, ser a deputada mulher mais jovem que já houve em Goiás; ser a única vereadora que conseguiu se eleger deputada federal. São marcas importantes para a minha vida.

O setor do agronegócio apoia as pretensões eleitorais de Ronaldo Caiado de ser candidato a presidente da República? E como ficou a relação dos produtores rurais com o governador depois da Taxa do Agro? 

Eu ainda não participei com os produtores dessa conversa Ronaldo 2026; mas o que sinto com a minha experiência é que quando as pessoas vêem o contexto geral do que o governador fez, o governador Ronaldo Caiado tem credibilidade sobre aquilo que fala. Não vemos o nome do governador envolvido em nada de corrupção nesses anos em que ele esteve tanto no Legislativo como no Executivo. Ele sempre foi uma referência no Legislativo, um parlamentar combatente para o setor.

O que é ser uma representante do agro nesta legislatura?

Se Jair Bolsonaro tivesse ganhado a eleição, minha vida com certeza estaria mais leve. Porque o MDB é um partido de diálogo e constituiria a base do governo, como fez. Eu estaria votando nas proposições do Executivo e a minha base estaria satisfeita. Só que agora a minha base é muito antigoverno, ela não quer saber se a pauta é positiva. É antigoverno e pronto. Isso ainda é um desafio que eu tenho para passar, mas já melhorou muito. Quando as pessoas vão vendo que você tem poder de diálogo, de entrar e resolver pautas setoriais e segmentais, começam a respeitar. Foi muito difícil o início. Primeiro por causa da política local, que é super pesada e bem intensa. Eu era candidata, na última eleição, a deputada estadual, dobrando com José Mário, e eu falo que era propósito de Deus e eu não entendia. Como se Deus estivesse falando: se você conseguir passar pelas etapas que vou colocar na sua vida, vou te colocar em um lugar mais alto, e depois eu entendi, mas passei por muitas coisas e cheguei a falar para minha mãe que não ia aguentar. Chorava, como uma boa canceriana sou bem emotiva, mas isso não me impediu de seguir. Eu sofria, chorava, mas levantava e seguia em frente. E essa é a principal raiva das pessoas que não comungam com meu trabalho. Meus dois mandatos foram contra, no momento eleitoral, o prefeito (Paulo do Vale), que ganhou a eleição. Mas depois que passou a eleição eu achava que tínhamos de trabalhar juntos, mas ele achou que não. Em 2016, as pessoas achavam que eu era da base do prefeito, mas eu falava que não tinha espaço político e nem diálogo. Eu ia aos eventos quando eram de projeto que eu estava votando na Câmara Municipal, e com isso foi só aumentando o desconforto do prefeito em relação a mim. Quando eu estava em um lugar ele parecia se sentir incomodado. O vice-prefeito na época (Dannillo Pereira) falou que eu não seria candidata a nada, isso na Tecnoshow, no dia em que o governador estava lá. Eu tinha uma relação muito forte com o MDB, era vereadora pelo partido e seguia com o MDB mesmo com todas as dificuldades que tive também dentro do partido.Lembrando que Paulo do Vale foi um dos prefeitos expulsos do MDB na eleição de 2018 porque não acompanhou o partido e apoiou o União Brasil e a candidatura de Caiado. Para Daniel Vilela se sustentar como vice, ele teve que atender várias pessoas. Ele me procurou em Rio Verde e falou: “Marussa, a gente tem que parar de quase ganhar”, justificando a intenção de aceitar o convite do Caiado de ser vice e eu concordei. Eu que fiz a carta de pedido aos diretores do partido, eu que busquei as assinaturas dos membros e o apoiei. Mas no momento em que o prefeito Paulo do Vale precisava sustentar Daniel como vice, ele fez alguns pedidos, que eram o partido ficar com ele e impedir a minha candidatura. Foram muitas batalhas para que eu pudesse chegar em 104 dias a ser pré-candidata a deputada federal, disputar a eleição e ter mais de 80 mil votos.

A senhora é presidente do MDB em Rio Verde e até o momento a movimentação política visando à eleição de 2024 sugere muitas divisões. Vai ser possível estender a aliança estadual UB e MDB à eleição municipal de Rio Verde? O MDB vai ter candidato próprio ou pode vir a apoiar uma outra candidatura?

Primeiro, essa também foi uma batalha que eu consegui vencer. Depois que ganhei a eleição, pensei que fossem respeitar pelo menos o meu mandato. Mas não, agora eles vêm para cima de mim na proporção do meu mandato. Só para contextualizar um pouquinho para chegar aqui na frente. Antes de eu ganhar a eleição, eles diziam: a Marussa já nasceu morta, ela não vai ter condição de ficar com o partido, que vai ficar com o filho do prefeito (deputado Lucas do Vale) – não tinha nem nome, era filho do prefeito, até então – ele que vai ser o presidente. Eu dizia: como assim? Eu estou aqui. E tive que acionar até a direção nacional para conseguir ser respeitada. E isso foi importantíssimo porque, se não tivesse acionado a nacional, eu ia continuar sendo caracterizada, mesmo não sendo, como uma política fraquinha e que não ia conseguir nada. Esse momento foi divisor de águas e outro foi a inauguração do nosso escritório político em Goiânia, que teve a presença do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, e outros deputados que foram me prestigiar, além de todas as lideranças nossas. Eles achavam que ia ter só cabo eleitoral, mas chegaram lá e viram que só tinha lideranças. Eles entenderam o que estou trabalhando aqui em Brasília, o que eu estou construindo aqui. Eu faço parte da Executiva Nacional do MDB e isso foi uma construção minha. Eu já filiei mais de 300 pessoas de junho para cá e não divulgo quem são os meus candidatos a vereador porque senão o prefeito vai me tomar. Vou aguardar o momento correto de ser divulgado. Acho que o MDB tem total potencial de ter candidatura própria a prefeito, é um partido que tem força, tem deputado federal, tem deputado estadual, mas não sou contra o diálogo. Eu poderia incluí-lo ( o prefeito) em várias pautas que temos aqui, mas não é o que eles querem. Eu já tentei conversar, mandei emenda para o município e eles recusaram. Já escaldada em razão de tudo o que sempre passei, eu oficializei que queria mandar a emenda para o município e eles, infantilmente, falaram que o município não tinha projeto. Mas todos os outros municípios para os quais eu mandei o recurso fizeram projetos, quando não os tinham, para receber a emenda. Mas enfim, acredito que o partido tem potencial e eu estou trabalhando com nomes do setor do agro, com setores relevantes do município para construirmos uma candidatura que represente o município de Rio Verde. Não tendo viabilidade e o governo ou próprio governador entender que a união vai ser importante, não temos dificuldade em construir um apoio a outra candidatura, mas desde que entendam que têm que conversar comigo; não me atropelando. Se vier para me atropelar eu vou fingir que não é comigo. Como eu vou entender que alguém do prefeito quer ser candidato pelo partido se está escrito em nota ou em mensagem enviada em grupo de WhatsApp? Eu tenho que sentar e conversar, e sempre estive aberta a isso.

No momento, é muito difícil o diálogo com o Paulo do Vale. Nesse contexto, a senhora pode vir a apoiar outros candidatos. O Lissauer Vieira, por exemplo? 

Eu trabalho com a pauta do MDB ter candidato próprio a prefeito porque isso fortalece o partido e me fortalece.

Daniel Vilela apoia a candidatura própria do MDB em Rio Verde?

Apoia e entende que eu sempre busquei o diálogo e a convergência. Em uma das nossas conversas ele falou assim: “Marussa, eu sei que você fez tudo que você podia”. Eu ter ouvido isso depois de tudo que eu passei já foi muita coisa. O prefeito não anunciou quem é o candidato dele e então como vamos apoiar alguém se nem ele mesmo sabe quem é o candidato dele?

Tudo que aconteceu na sua trajetória política se deu porque a senhora é mulher?

Eu nunca parei por isso, mas acredito, sim, que é um dos pontos. Eu nunca me vitimizei, mesmo eles querendo me desconstruir severamente e eles tentam fazer isso. Eu venho do agro, sou agrônoma, e sempre transitei muito bem nas rodas masculinas, fazendo com que os meus colegas me respeitassem, entendendo que eu estava ali para o diálogo e não pra ser uma namorada de alguém. Esse é um ponto que me ajuda muito na política, que também é um meio muito masculino. Mesmo Goiás sendo uma referência, tendo seis deputados federais, eu acho que é um ponto que pesa muito. Mesmo eu não querendo contar com isso, eu meio que deleto. E pela pouca idade também. Mas eu fico muito feliz em poder representar um setor tão próspero para o nosso estado.

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