Após enfrentar uma onda de críticas e pressão pública, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Solidariedade), decidiu revogar o decreto que exonerava 1.952 servidores comissionados, uma medida tomada logo após sua eliminação no primeiro turno das eleições municipais de 2024. A revogação foi anunciada nesta quarta-feira, 09, apenas um dia após a publicação oficial das demissões no Diário Oficial do Município, em meio a uma forte repercussão negativa que a decisão gerou.
A decisão de exonerar quase dois mil servidores havia sido tomada pouco depois de Cruz obter apenas 3,14% dos votos no pleito do último domingo, 05, resultado que o deixou de fora do segundo turno. A ação impactou todas as secretarias e autarquias da administração municipal, e entre os exonerados estavam nomes de alto escalão, como Eduardo Vinicius Peixoto, secretário-executivo da Seplanh; Wesley Kennedy, secretário extraordinário da SMGES; e Jorge da Silva Pereira, secretário dos Conselhos da SEDHS.
A medida foi amplamente interpretada como uma resposta do prefeito ao baixo engajamento de parte dos servidores durante sua campanha eleitoral, o que pode ter contribuído para seu desempenho eleitoral decepcionante. A decisão, contudo, gerou forte reação tanto entre os exonerados quanto na população em geral, que viu a ação como uma retaliação política.
A pressão começou a aumentar logo após a divulgação do decreto de exoneração, com sindicatos, os adversários de Rogério Cruz e até vereadores criticando a medida, que foi vista como precipitada e inadequada em um momento de transição administrativa. A crítica principal girava em torno do impacto que a demissão em massa poderia causar no funcionamento da administração pública, especialmente em áreas essenciais como saúde, educação e assistência social.
Para se ter uma ideia, todos os assessores de comunicação das pastas foram exonerados. Na saúde, a UPA especializada em atendimento veterinário teve praticamente todos os servidores demitidos e eles realizavam os atendimentos nesta terça-feira de forma voluntária.
Diante da repercussão negativa, Cruz decidiu voltar atrás e revogou o decreto. A decisão foi publicada em uma edição especial do Diário Oficial, e o prefeito destacou que, apesar de sua intenção inicial de “reorganizar a estrutura administrativa”, ele optou por reconsiderar a medida em nome da “estabilidade e continuidade dos serviços públicos”.













