A presidente do PSOL em Goiás, Cíntia Dias, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter palanque duplo no Estado em 2026 caso a frente progressista não chegue a um acordo sobre a composição da chapa majoritária. Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, ela disse que o partido quer manter a unidade do campo de esquerda, mas cobrou espaço concreto na disputa ao Senado.
“Pode. Não é o que a gente quer. A gente quer muito, muito mesmo que a frente consiga entregar uma chapa unificada. Mas não depende do PSOL. Depende do PT, depende do PCdoB, depende do PV, principalmente”, afirmou. Uma reunião para fechar o acordo acontecerá no diretório estadual petista nesta quinta-feira (25).
A fala ocorre em meio às negociações entre PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT para a formação do palanque de Lula em Goiás. O PT já definiu o ex-deputado estadual Luís César Bueno como pré-candidato ao Governo de Goiás, mas a montagem dos demais espaços da majoritária ainda segue aberta.
Cíntia afirmou que a reunião prevista para esta quinta-feira deve ser a última tentativa de fechar a composição. Segundo ela, a frente cresceu com a entrada de mais siglas, o que tornou a negociação mais complexa. “Não é o ideal. A gente gostaria que já tivesse tudo organizado, tudo resolvido, mas a frente progressista tem se ampliado bastante. Dialogar com todas essas siglas e garantir a presença é uma dificuldade real”, disse.
A presidente do PSOL reconheceu que o PT tem peso maior dentro da esquerda goiana e classificou como natural a indicação de Luís César Bueno. No entanto, afirmou que a decisão foi entregue pronta aos aliados e que agora é preciso discutir a chapa completa.
“O PT realmente é a maior sigla que a gente tem dentro da esquerda no estado de Goiás. É natural eles apresentarem a candidatura do Luís César, e a gente recebe essa candidatura com muita vontade que ela chegue a disputar o segundo turno. Agora, não é uma decisão que cabia a nós. Eles fizeram e entregaram pronta para a gente. Agora, a gente precisa discutir a chapa completa”, disse.
O principal impasse está no Senado. O PSB já indicou a ex-deputada estadual Isaura Lemos para a disputa. O PCdoB apresentou o ex-deputado estadual Aldo Arantes. O PV trabalha com os nomes de Cristiano Cunha e Ricardo Dias. O PDT lançou o presidente estadual Kowalsky Ribeiro. O PSOL, por sua vez, mantém Cíntia Dias como pré-candidata ao Governo de Goiás, mas admite recuar para o Senado caso avance a coligação com o PT.
Na prática, há mais candidatos do que vagas. A chapa terá duas posições ao Senado e uma disputa interna entre partidos que defendem a unidade em torno de Lula, mas querem contrapartida real na majoritária.
Cíntia defendeu que o PSOL ocupe uma dessas vagas. Segundo ela, a vice não é o caminho mais adequado para o partido, que busca autonomia para apresentar suas candidaturas e fortalecer o palanque de Lula. “Para garantir um palanque unificado, a gente tem que estar na majoritária. E estar na vice não é uma possibilidade para o PSOL”, afirmou.
A dirigente também reagiu à fala da deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, que defendeu ao menos duas mulheres na chapa majoritária e citou Cíntia como um dos nomes possíveis. A presidente do PSOL disse receber a lembrança com carinho, mas fez uma ressalva. “A candidatura das mulheres não é uma candidatura que pode tampar buraco. Não pode ser assim. É uma candidatura que vem em construção”, afirmou.
Cíntia lembrou que seu nome chegou a ser cogitado para o governo e disse que o PSOL não retirou a pré-candidatura sem cobrar consequência política na mesa de negociação. Segundo ela, pesquisas chegaram a apontá-la com 5% das intenções de voto, em alguns casos acima do desempenho de Luís César.
“Meu nome foi cogitado para governo. A gente não retirou a candidatura a governo com 5%. Em algumas pesquisas, eu consigo apresentar mais gente com a gente do que o próprio Luís César. Então, isso tem uma validade, tem um peso que precisa ser analisado e abraçado pela frente”, disse.
A presidente do PSOL também criticou a demora na definição da majoritária. Segundo ela, a indefinição desgasta o partido internamente e atrasa a mobilização da militância.
“Todos os dias eu preciso responder para minha base e para meus aliados por que essa demora tanto. Essa indefinição nos causa muito problema. Internamente, porque a gente tem que responder a todo momento. E externamente, porque a gente não consegue fazer a nossa militância já ir para fora”, afirmou.
Para Cíntia, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, já ficou com a cabeça de chapa ao governo e precisa abrir espaço aos demais partidos. “O que a gente tem defendido é que a federação PT, PV e PCdoB lançou uma candidatura majoritária, que é a do Luís César Bueno. Então, se eles querem outras vagas, eles não querem aliança”, afirmou.
A dirigente disse que o PSOL tem peso partidário semelhante ao de outras siglas da frente e não vê justificativa para ficar fora da majoritária. “O PSOL tem, proporcionalmente, o mesmo tempo do PSB, do PV e do PDT. O PSOL tem quase o mesmo número de deputados federais. A participação no Estado é praticamente a mesma. Então, não tem nenhuma particularidade para tirar o PSOL dessa majoritária”, disse. A dirigente resumiu o impasse em uma frase direta: “Alguém tem que perder alguma coisa”.














