O padre Luiz Augusto Ferreira fechou acordo de não persecução civil com o Ministério Público (MP) estadual e vai pagar R$ 1,397 milhão para não ser processado por improbidade administrativa. A informação foi apurada pela jornalista Fabiana Pulcineli e publicada pelo jornal O Popular nesta terça-feira. Com o acordo, o padre evitará o questionamento judicial pelo período de 20 anos em que ele recebeu salários de analista legislativo da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sem ter trabalhado. Em 2015, o salário era de R$ 11,8 mil.
Na semana passada, o MP informou a celebração de mais três Acordos de Não Persecução Cível (ANPC) no âmbito da ação civil pública que apura atos de improbidade administrativa relacionados à contratação de funcionários fantasmas na Alego. Entre eles, estava o do padre. De acordo com O Popular, o valor será pago em 48 meses. A defesa do religioso conta com doações dos fiéis da Paróquia Santa Teresinha, em Aparecida de Goiânia, para custear o pagamento.
O padre teve decisões favoráveis da Justiça em todas as ações movidas contra ele. Em 2020, ele conseguiu reverter a demissão que sofrera e voltou ao cargo, aposentando-se com salário de R$ 17 mil.
Outros investigados
Além do padre, outros dez réus investigados pelo MP-GO também firmaram acordos semelhantes, entre eles ex-presidentes da Alego, como Jardel Sebba, Célio Silveira, Helder Valin e Sebastião Tejota, totalizando R$ 2,52 milhões em ressarcimentos e multas.
Segundo o MP-GO, o objetivo dos acordos é garantir o ressarcimento dos cofres públicos de forma ágil e eficiente. Os promotores consideraram o tempo que a ação poderia tramitar na Justiça e a efetividade das sanções como critérios para propor os ANPCs.
O único investigado que não aceitou acordo foi o ex-deputado e ex-presidente da Alego Samuel Almeida. Ele afirma que, durante sua gestão (2005-2007), o padre estava lotado em gabinete de parlamentar e que não havia como fiscalizar a frequência de todos os servidores.
Servidor efetivo desde 1980, padre Luiz recebeu ordenação sacerdotal em 1995, ano em que, segundo o MP-GO, teria deixado de comparecer à Assembleia. Ele também foi cedido ao Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindisleg), mas não há registros de que tenha atuado efetivamente na entidade.
O padre ainda não se posicionou sobre o assunto.













