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Padre Luiz vai ter de pagar R$ 1,3 milhão para não ser processado por receber sem trabalhar

Valor será quitado em quatro anos; decisão encerra parte da disputa judicial sobre salários recebidos sem expediente comprovado


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 05/08/2025 - 11:17

Religioso parcelará valor em 48 vezes após suspeita de ter ficado 20 anos sem cumprir expediente na Alego
Religioso parcelará valor em 48 vezes após suspeita de ter ficado 20 anos sem cumprir expediente na Alego (Foto: Reprodução)

O padre Luiz Augusto Ferreira fechou acordo de não persecução civil com o Ministério Público (MP) estadual e vai pagar R$ 1,397 milhão para não ser processado por improbidade administrativa. A informação foi apurada pela jornalista Fabiana Pulcineli e publicada pelo jornal O Popular nesta terça-feira. Com o acordo, o padre evitará o questionamento judicial pelo período de 20 anos em que ele recebeu salários de analista legislativo da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sem ter trabalhado. Em 2015, o salário era de R$ 11,8 mil.

Na semana passada, o MP informou a celebração de mais três Acordos de Não Persecução Cível (ANPC) no âmbito da ação civil pública que apura atos de improbidade administrativa relacionados à contratação de funcionários fantasmas na Alego. Entre eles, estava o do padre. De acordo com O Popular, o valor será pago em 48 meses. A defesa do religioso conta com doações dos fiéis da Paróquia Santa Teresinha, em Aparecida de Goiânia, para custear o pagamento.

O padre teve decisões favoráveis da Justiça em todas as ações movidas contra ele. Em 2020, ele conseguiu reverter a demissão que sofrera e voltou ao cargo, aposentando-se com salário de R$ 17 mil.

Outros investigados

Além do padre, outros dez réus investigados pelo MP-GO também firmaram acordos semelhantes, entre eles ex-presidentes da Alego, como Jardel Sebba, Célio Silveira, Helder Valin e Sebastião Tejota, totalizando R$ 2,52 milhões em ressarcimentos e multas.

Segundo o MP-GO, o objetivo dos acordos é garantir o ressarcimento dos cofres públicos de forma ágil e eficiente. Os promotores consideraram o tempo que a ação poderia tramitar na Justiça e a efetividade das sanções como critérios para propor os ANPCs.

O único investigado que não aceitou acordo foi o ex-deputado e ex-presidente da Alego Samuel Almeida. Ele afirma que, durante sua gestão (2005-2007), o padre estava lotado em gabinete de parlamentar e que não havia como fiscalizar a frequência de todos os servidores.

Servidor efetivo desde 1980, padre Luiz recebeu ordenação sacerdotal em 1995, ano em que, segundo o MP-GO, teria deixado de comparecer à Assembleia. Ele também foi cedido ao Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindisleg), mas não há registros de que tenha atuado efetivamente na entidade.

O padre ainda não se posicionou sobre o assunto.

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