A candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil) apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Delegado Waldir Soares (União Brasil), candidato a deputado federal pela mesma legenda, por suposto abuso de poder político e uso eleitoral da máquina pública. Em resposta, Waldir afirmou ter protocolado pedido de expulsão da correligionária do partido e anunciou medidas judiciais contra ela.
A ação de Arianne foi apresentada à Corregedoria Regional Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). A candidata sustenta que Waldir teria utilizado a autoridade exercida na presidência do Detran-GO para interferir em processos de credenciamento de instrutores autônomos e favorecer um grupo que, segundo a acusação, era tratado pelo próprio ex-presidente da autarquia como parte de sua base política.
O principal elemento da representação é uma gravação divulgada pelo Goiás 24 Horas. No material transcrito na ação, Waldir conversa com uma servidora do Detran e cobra prioridade para os processos.
“Todos os credenciamentos dos instrutores autônomos são prioridade nossa. São 7 mil pessoas que estão com o Delegado Waldir. Agora, se você começa a amarrar aí, dificultar, me fode, né? Me lasca, né?”, afirma ele no trecho reproduzido pela candidata.
Em outra passagem, Waldir pede que os procedimentos sejam liberados e afirma que encaminharia protocolos para análise. A petição também cita uma pergunta feita à servidora: “Você está trabalhando para o Charles Bento ou o Delegado Waldir?”. Para Arianne, a declaração reforçaria a suspeita de que critérios políticos teriam entrado na condução dos processos administrativos.
A candidata pede que a Justiça Eleitoral determine a preservação da gravação original e de seus metadados, requisite ao Detran os processos de credenciamento e identifique eventuais protocolos encaminhados diretamente por Waldir ou por integrantes de sua equipe. Caso o abuso seja comprovado, a ação pede a cassação do registro ou de eventual diploma e a declaração de inelegibilidade do candidato.
A própria representação, no entanto, reconhece que a reportagem e a gravação apresentadas não são suficientes, isoladamente, para a aplicação de sanções. O material é tratado como elemento inicial para justificar a abertura da investigação e a produção de outras provas.
Waldir nega irregularidade e reagiu diretamente à iniciativa da correligionária. Em resposta à reportagem, afirmou que já pediu a expulsão de Arianne do União Brasil.
“Nós temos conhecimento, sim, da ação. Primeiramente, pedimos, entramos com pedido de expulsão dela do União Brasil”, declarou.
O ex-presidente do Detran também atribuiu motivação política à representação. Segundo ele, Arianne teria ocupado cargo comissionado na Prefeitura de Goiânia e estaria reagindo às críticas que o candidato tem feito à administração municipal, principalmente à taxa do lixo e à atuação da LimpaGyn e da Comurg.
“Ela é ex-funcionária da Prefeitura, ocupando cargo comissionado, de quem eu tenho feito uma campanha dura contra a taxa do lixo, inclusive com vários outdoors em Goiânia. Então, ela é mandatária, provavelmente, da Prefeitura de Goiânia”, afirmou.
Waldir não apresentou, na manifestação encaminhada à reportagem, elementos que comprovem que a ação tenha sido articulada pela Prefeitura de Goiânia.
Além da expulsão partidária, o candidato disse que pretende apresentar medidas nas áreas criminal, cível e eleitoral. Segundo ele, a defesa prepara uma ação por denunciação caluniosa e um pedido de reparação por danos.
“Nós vamos entrar também com uma ação criminal, uma denunciação caluniosa contra ela. Ela deu causa à instalação de um fato que ela sabe que não existe qualquer conduta ilícita”, disse.
Sobre a gravação que embasa a AIJE, Waldir argumentou que sua atuação em favor dos instrutores autônomos estava relacionada à tentativa de reduzir o custo da Carteira Nacional de Habilitação. Ele se apresentou como um dos articuladores do modelo que ampliou a atuação desses profissionais e afirmou que o Detran estaria impondo dificuldades ao credenciamento.
“Essa base de 7 mil, o recado que eu passei é que eu não vou permitir que a CNH mantenha-se em preços altos”, afirmou.
Segundo Waldir, sua cobrança tinha como objetivo impedir entraves administrativos e ampliar a concorrência no setor. O candidato também acusou setores ligados aos Centros de Formação de Condutores de resistirem às mudanças e afirmou que continuará defendendo o modelo de instrutores autônomos.














