Uma força-tarefa tenta conter os incêndios florestais que avançam pela região de Terra Ronca, no Nordeste goiano. Desde a identificação dos primeiros focos, no domingo (10), aproximadamente 8 mil hectares de vegetação já foram atingidos pelas chamas.
O incêndio alcança áreas da APA da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca, nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás.
Cerca de 40 bombeiros militares e brigadistas florestais participavam diretamente dos trabalhos nesta quarta-feira (12). A mobilização reúne a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás e o Ibama.
Além do enfrentamento direto das chamas, os profissionais monitoram o avanço do fogo, reconhecem as áreas afetadas, constroem estratégias de contenção e trabalham para impedir que o incêndio alcance pontos ambientalmente sensíveis.
Equipamentos, viaturas, alimentação, comunicação e demais recursos logísticos serão disponibilizados pelo Governo de Goiás às equipes que atuam na linha de frente.
Focos podem ter começado na Bahia
Levantamentos preliminares indicam que parte dos focos pode ter surgido em território baiano e avançado em direção a Goiás. As causas ainda serão apuradas pelos órgãos responsáveis.
Para identificar a origem do fogo e possíveis irregularidades, o Governo de Goiás e o Ibama lançarão a Operação Abafa Terra Ronca. As ações estão inicialmente previstas para quinta (13) e sexta-feira (14).
A fiscalização abrangerá a APA da Serra Geral de Goiás, o Parque Estadual de Terra Ronca e as áreas do entorno. As equipes utilizarão patrulhamento terrestre e monitoramento por imagens de satélite.
O trabalho será concentrado em pontos com incêndios ativos, focos recorrentes ou indícios de uso irregular do fogo. A operação poderá ser prorrogada ou retomada posteriormente, dependendo da situação encontrada.
Possíveis responsáveis poderão responder nas esferas criminal, administrativa e civil, além de serem obrigados a reparar os prejuízos ambientais.
Patrimônio ambiental ameaçado
Com cerca de 57 mil hectares, o Parque Estadual de Terra Ronca protege um dos conjuntos de cavernas mais importantes do país. A unidade de conservação também preserva recursos hídricos e diferentes espécies da fauna e da flora do Cerrado.
A preocupação aumenta diante das condições climáticas enfrentadas pelo estado. Conforme a Semad, a influência de um “super El Niño”, somada à estiagem, favorece a ocorrência e a rápida propagação de incêndios.
A baixa umidade, o calor, a redução das chuvas e a vegetação seca permitem que um foco inicialmente pequeno alcance grandes proporções. Além do meio ambiente, as chamas podem ameaçar propriedades rurais, comunidades e os próprios profissionais mobilizados no combate.
Mais de 100 mil hectares queimados em Goiás
O Corpo de Bombeiros registrou quase 5 mil atendimentos relacionados a incêndios florestais em Goiás desde o início de 2026. Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro apontam que o fogo já atingiu mais de 100 mil hectares no estado neste ano.
Desde 24 de julho, está em vigor o decreto que declarou situação de emergência ambiental em Goiás. A norma proíbe o uso do fogo para a limpeza do solo durante o período de maior risco.
Quem provocar incêndio em mata ou floresta pode receber pena de dois a quatro anos de reclusão e multa, conforme a Lei de Crimes Ambientais. Se a conduta for culposa, quando não existe intenção, a pena é de seis meses a um ano de detenção e multa.
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