O influenciador paraibano Hytalo Santos foi preso nesta sexta-feira (15/8) em São Paulo. Ele é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposta exploração e exposição de menores de idade em conteúdos para redes sociais.
O caso ganhou repercussão nacional após o youtuber Felca, com mais de 4 milhões de inscritos, publicar um vídeo denunciando práticas de “adultização” — termo usado para descrever a sexualização precoce de crianças e adolescentes. As investigações, porém, já vinham sendo conduzidas pelo MPPB desde o fim de 2024.
Medidas judiciais contra Hytalo Santos
Desde que as denúncias se tornaram públicas, a Justiça da Paraíba adotou uma série de medidas:
- Bloqueio das redes sociais do influenciador e desmonetização de vídeos já publicados;
- Proibição de contato com adolescentes citados nos processos;
- Apreensão de celulares e computador em endereço de Hytalo, em João Pessoa;
- Cumprimento de mandados de busca e apreensão em dois dias consecutivos (13 e 14 de agosto).
Segundo a promotora Ana Maria França, as restrições visam proteger as possíveis vítimas e evitar a continuidade da divulgação de conteúdo irregular.
Investigação em duas frentes no MPPB
As apurações do MPPB são conduzidas por duas promotorias:
- Bayeux: denúncias de vizinhos relataram festas com adolescentes, topless e consumo de bebidas alcoólicas no condomínio do influenciador;
- João Pessoa: investiga-se um possível esquema para emancipação de menores em troca de presentes, como celulares, permitindo que eles participassem legalmente de contratos e atividades comerciais.
Em ambas as investigações, Hytalo negou as acusações. Apenas no processo de João Pessoa os adolescentes foram ouvidos, para evitar revitimização.
Atuação do Ministério Público do Trabalho
O MPT também conduz um inquérito, analisando mais de 50 vídeos publicados por Hytalo e colhendo 15 depoimentos de pessoas ligadas à produção de conteúdo. O procurador Flávio Gondim destacou que o material foi examinado de forma criteriosa e que há indícios de exploração do trabalho infantil e de violação de direitos de crianças e adolescentes.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa de Hytalo Santos afirmou que o influenciador “jamais compactuou com qualquer ato atentatório à dignidade de crianças e adolescentes” e que está à disposição para colaborar com as investigações. O advogado acrescentou que a busca e apreensão em uma das residências foi realizada sem o conhecimento prévio do influenciador, por se tratar de medida judicial sigilosa.














