A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) oficializou nesta terça-feira (19) a saída da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) da gestão das maternidades públicas da capital. Os convênios serão encerrados no dia 29 de agosto, e a administração das três unidades ficará a cargo de organizações sociais (OSs), contratadas em caráter emergencial.
No mesmo dia, representantes da SMS e da Fundahc se reuniram com as equipes das novas gestoras para iniciar a transição. Até 28 de agosto, estão previstas agendas de alinhamento para garantir continuidade dos atendimentos. O processo tem acompanhamento do Ministério Público de Goiás (MP-GO), do Ministério Público do Trabalho (MPT-GO) e de entidades de classe.
De acordo com a Prefeitura, foram empenhados R$ 38 milhões para contratos de três meses. O Instituto Patris, do Mato Grosso, assumirá o Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI), com repasse de R$ 16,7 milhões. A Sociedade Beneficente São José (SBSJ), de São Paulo, ficará à frente do Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), com R$ 15,3 milhões. Já a Associação Hospital Beneficente do Brasil (AHBB), também paulista, ficará responsável pela Maternidade Nascer Cidadão (MNC), com contrato de R$ 5,9 milhões. O custo mensal estimado é de R$ 12,6 milhões.
Crise nas maternidades de Goiânia
A mudança ocorre após sucessivas suspensões de atendimentos em 2024, agravadas por atrasos da SMS nos repasses à Fundahc. Em julho, partos normais e cesáreas foram interrompidos no Célia Câmara, e logo depois os serviços nas demais unidades ficaram restritos a casos de urgência.
No fim do mês passado, a Fundahc foi notificada do fim dos convênios. Um relatório da superintendência de Regulação da SMS apontou falhas administrativas, descumprimento de metas e uso irregular de recursos. A UFG, parceira institucional da fundação, reagiu em nota, acusando a Prefeitura de criar uma narrativa falsa para justificar a ruptura.
A universidade cobra uma dívida de R$ 158,5 milhões acumulada desde 2018, sobretudo durante a gestão de Rogério Cruz. O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) contesta o valor e diz que só irá arcar com débitos da atual administração.












