O prefeito Sandro Mabel (UB) adotou tom conciliador na abertura da prestação de contas à Câmara Municipal, nesta terça-feira (30), mas evitou pedir desculpas aos vereadores que se sentiram ofendidos com suas declarações à imprensa. O gesto ocorreu dois dias depois de a Câmara Municipal aprovar, em votação simbólica, uma nota de repúdio contra ele, após ter chamado parlamentares de “malandrinhos”. A prestação de contas ocorre em contexto de desgaste e sob uma calamidade financeira que possibilitou superávit de R$ 678 milhões nas contas públicas.
Segundo Mabel, “muitas vezes o clima anda quente, da cima pra baixo e tem discussões mais puxadas” e disse que suas falas à imprensa, “muitas vezes não sai exatamente o que você falou”.
“Quero aqui dizer que se em algum momento fiz referência e que possa ter ofendido alguém ou a pessoa ter se tido ofendido, tenha certeza que ela é involuntária, discussão política, não tem nada pessoal, eu não quero ter problema pessoal com ninguém, até porque eu sempre digo que eu tenho um respeito muito grande pela Câmara, tenho um respeito muito grande pelos vereadores e vereadoras que fazem parte dessa Casa”, declarou.
Mabel pondera que possa ter ofendido alguém, mas tratou como ato “involuntário”. “Se em algum momento ofendi alguém, inclusive o senhor presidente (Cabo Senna, presidente da Comissão Mista), fica aqui o nosso pedido por involuntário, vamos chamar assim, de alguma colocação, alguma coisa feita, como também eu aceito o vice-versa, muita gente chega, sobe numa tribuna, xinga você, xinga, xinga, xinga, e faz e discute e tal, mas eu tenho certeza que não tem nada pessoal, faz parte da política, isso, e isso caminha desse jeito.”
“Quero dizer que, se em algum momento fiz referência que possa ter ofendido alguém, tenham certeza de que foi involuntário. Discussão política não tem nada de pessoal. Tenho grande respeito pela Câmara, pelos vereadores e vereadoras. A vida toda fui parlamentar e sempre defendi o Parlamento”, declarou Mabel em plenário.
Sandro também agradeceu a aprovação de projetos do Executivo. “Essa Câmara tem aprovado projetos importantes para Goiânia, temos também muitas proposições da Câmara que eu tenho muita alegria em sancioná-las”, registrou.
Desde o início de sua gestão, o prefeito tem usado metáforas rurais para se referir ao enfrentamento político. Ao justificar a necessidade de endurecer contra setores da cidade, chegou a dizer que seria preciso “desmamar alguns bezerros”. Em entrevista recente, disse que o deputado estadual Clécio Alves (MDB) critica sua gestão porque ele pôs fim à “mamata” dele na Comurg.
Na última semana, a fala foi ecoada pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB), que mencionou em evento público a existência de “bezerros marrucos”, termo usado para animais que resistem ao desmame. A declaração, lida por vereadores como indireta ao Parlamento, ampliou o desgaste da relação entre Executivo e Legislativo.
Defesa
O vereador Ronilson Reis (SD) fez uma defesa firme da administração e afirmou que uma gestão de nove meses não pode ser deteriorada por falas equivocadas. “Não podemos deixar estremecer esse relacionamento nem desmerecer o trabalho do prefeito Sandro Mabel”, afirmou Ronilson. “As pessoas vão se alegrar, foi a melhor coisa que eu fiz foi ter votado em Sandro Mabel, porque ele é lúcido e sabe o que está fazendo. Contenhamos os ânimos, aqui é o Parlamento, não é um tribunal”.
Anselmo Pereira (MDB) disse que o ex-prefeito Iris Rezende (MDB) deixou o plenário por cinco vezes e que Paulo Garcia (PT) também o fez. “É preciso ter a grandeza de se esvaziar e ao mesmo tempo se encher daquilo que temos que fazer: servir a sociedade”, afirmou.
A vereadora Rose Cruvinel (UB) disse que ficou satisfeita com a prestação de contas do prefeito e que ele não foi para um tribunal de júri. “A rede nacional de comunicação viu hoje a humildade de um homem trabalhador, o ser humano tem suas facetas e às vezes comete erros, isso é do ser humano, reconhecer o erro e pedir desculpas na rede nacional de comunicação é humildade e respeitar esta Casa”. Markim Goyá (PRD) também minimizou as falas de Mabel.
Líder de Mabel, Bessa (DC) elogiou a execução financeira das contas públicas ao ressaltar investimentos na área de educação, como aumento na verba para merenda escolar.
Nota de repúdio
O estopim veio quando Mabel, em entrevista a O Popular, chamou de “malandrinhos” os vereadores Cabo Senna (PRTB) e Lucas Vergílio (MDB), após a aprovação de um relatório da LDO que limita a execução do orçamento.
Em plenário, Senna disse que a fala não atingia apenas os parlamentares, mas também os eleitores que os escolheram. “Quando vossa excelência chama esses vereadores de malandrinho, chama a população de malandrinha”, disparou.
Com apoio de colegas, a Câmara aprovou a nota de repúdio contra o prefeito. O presidente da Casa, Romário Policarpo (PRD), reconheceu a legitimidade da cobrança e disse que iria conversar com o prefeito Sandro Mabel sobre a necessidade de relacionamento harmônico entre os poderes.
Herança maldita
O prefeito Sandro Mabel resgatou os relatórios da transição de governo do ex-prefeito Rogério Cruz (SD) para insistir no discurso de calamidade financeira. Ele mencionou problemas na Saúde, na limpeza urbana, programas de infraestrutura sem execução e até problemas de infraestrutura tecnológica.














