O governador Ronaldo Caiado (UB) determinou, nesta quarta-feira (1º/10), uma operação conjunta entre forças policiais e a Secretaria de Estado da Saúde para vistoriar distribuidoras de bebidas em todo o território goiano. A medida é preventiva e ocorre após a confirmação de mortes em São Paulo causadas por intoxicação por metanol, substância altamente tóxica utilizada de forma ilegal em bebidas alcoólicas.
“Determinei na data de hoje uma grande ação com todas as forças policiais, junto com a área da Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo controle sanitário, para que se faça uma vistoria em todas as distribuidoras, extensivas a todo o território de Goiás”, afirmou o governador em vídeo divulgado nas redes sociais.
Caiado reforçou que não há registros de suspeitas em Goiás, mas que a mobilização busca garantir a segurança da população. “Quero tranquilizar os goianos: não tivemos nenhum caso registrado”, disse.
Contexto nacional
O alerta sanitário se intensificou após São Paulo confirmar uma morte e investigar pelo menos outras cinco por ingestão de bebidas adulteradas com metanol. Ao todo, o país já registrou 43 notificações de intoxicação, segundo o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional).
- São Paulo: 39 casos (10 confirmados e 29 em investigação), incluindo uma morte confirmada;
- Pernambuco: quatro casos em investigação, sendo dois óbitos suspeitos.
As vítimas teriam consumido principalmente gin, vodca e whisky adulterados. O metanol, também conhecido como álcool metílico, pode causar danos graves ao fígado, lesões neurológicas e no nervo óptico, levando à cegueira ou até à morte.
Em São Paulo, seis bares e distribuidoras já foram interditados e 942 garrafas apreendidas. Um gabinete de crise foi criado pelo governo paulista para integrar ações das secretarias de Saúde, Fazenda, Justiça e Segurança Pública.
Reforço na fiscalização
Além da ação em Goiás, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), emitiu uma nota técnica para orientar fornecedores, bares, restaurantes e plataformas de comércio eletrônico sobre medidas de prevenção. Entre as recomendações estão:
- adquirir bebidas apenas de fornecedores com CNPJ ativo e nota fiscal válida;
- verificar rótulos, lacres e embalagens para identificar possíveis adulterações;
- interromper imediatamente a venda e comunicar autoridades em caso de suspeita.
A Senacon também orientou Procons estaduais e municipais a intensificarem fiscalizações, especialmente em estados próximos a São Paulo, para identificar irregularidades e evitar a circulação de bebidas adulteradas.
Pernambuco investiga
Três casos suspeitos foram notificados em Belo Jardim (PE), onde uma vítima teria consumido whisky adulterado. Dois óbitos estão sob investigação.
Atenção do consumidor
Autoridades de saúde e defesa do consumidor reforçam que bebidas adulteradas podem apresentar indícios visuais de falsificação, como rótulos borrados, erros de ortografia, odor semelhante a solvente e preços abaixo do mercado.















