A educação é o alicerce de qualquer nação que almeje liberdade, desenvolvimento e justiça social. No Brasil, embora avanços tenham sido registrados, o quadro geral ainda revela descasos estruturais: altas taxas de atraso escolar, desigualdades regionais persistentes, evasão significativa no ensino médio e déficits de aprendizagem, especialmente em áreas rurais. Essa realidade compromete o crescimento econômico e a redução da violência, pois o investimento em educação está diretamente correlacionado ao aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e à distribuição de renda.
O Censo Escolar apontou 47,1 milhões de matrículas na educação básica em 2024, mas cerca de 30% das crianças de 8 anos ainda não estavam alfabetizadas em 2023, revelando retrocessos em relação a 2019. A desigualdade é marcante: alunos de regiões rurais e famílias de baixa renda enfrentam as maiores barreiras, perpetuando o ciclo de exclusão social. Embora o Brasil invista em torno de 5,1% do PIB em educação, semelhante a países desenvolvidos, os resultados ainda são insuficientes, refletindo falhas na gestão, corrupção, má alocação de recursos e ausência de políticas consistentes de longo prazo.
Em contrapartida ao cenário nacional, o Estado de Goiás tem se destacado ao adotar políticas inovadoras. O governo instituiu o Prêmio Matemática ENEM e o Prêmio Redação ENEM, que oferecem até R$ 10 mil a estudantes e professores que alcançarem notas de excelência nas provas. Essas iniciativas cumprem múltiplas funções: estimulam a dedicação dos alunos; valorizam o trabalho docente; reduzem a evasão e a abstenção no exame; e incentivam a cultura do mérito e da excelência acadêmica. Trata-se de um modelo que deveria inspirar outros estados, pois conjuga reconhecimento financeiro, valorização pedagógica e impacto direto nos resultados educacionais.
O panorama educacional goiano, entretanto, apresenta uma contradição que merece reflexão. Embora o Estado tenha avançado em políticas de incentivo à excelência — como o Prêmios Matemática ENEM e Redação ENEM —, que indiretamente fomentam o gosto pelo conhecimento e a cultura da leitura, o índice de leitura da população ainda é alarmantemente baixo. De acordo com a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024), apenas 40% dos goianienses são considerados leitores, o menor percentual entre as capitais brasileiras. O professor Carlos André, linguista com atuação como professor de Língua Portuguesa e de Redação há 24 anos, advogado, Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Goiás, e Coordenador Nacional de Direito e Literatura da Escola Superior de Advocacia Nacional (ESA), órgão do Conselho Federal da OAB para o triênio 2025/2028, ao comentar esses dados, classificou o cenário como “preocupante”, alertando para o empobrecimento cultural que decorre da falta de hábito de leitura. Tal realidade evidencia a urgência de políticas públicas estruturantes que aliem a premiação por mérito à difusão efetiva da leitura, com investimentos em bibliotecas acessíveis, distribuição de livros e envolvimento familiar desde a primeira infância – únicos caminhos capazes de consolidar uma formação cidadã plena e sustentável.
Outro exemplo transformador vem do Ceará, que figura entre os estados líderes em matrículas de tempo integral no ensino fundamental e médio. O modelo adotado, em pouco mais de uma década, já trouxe ganhos significativos: aumento no IDEB em relação à rede regular; redução expressiva da evasão escolar; melhoria nas perspectivas de ingresso no ensino superior e no mercado de trabalho; e redução da violência, com estudos apontando até 51% menos homicídios em municípios com Ensino Médio Integral. Esse modelo demonstra que a educação integral, aliada a políticas pedagógicas consistentes, é capaz de alterar não apenas indicadores escolares, mas também aspectos sociais e econômicos de forma concreta.
Experiências de estados como Goiás e Ceará provam que investir em educação de qualidade não é gasto, mas investimento de alto retorno. Os impactos vão além da sala de aula: melhoria do IDH pela elevação da renda média e oportunidades de emprego; redução da violência, pois jovens integrados à escola têm menos propensão a ingressar em atividades ilícitas; maior mobilidade social, rompendo ciclos de pobreza; e crescimento econômico sustentável, baseado na qualificação da mão de obra. É evidente que somente a educação pode conduzir o Brasil à verdadeira liberdade e ao desenvolvimento pleno. Diferentemente de políticas populistas, que geram dependência e mascaram a desigualdade, a educação emancipa, dá oportunidades e garante dignidade.
O Brasil não superará a desigualdade estrutural sem uma política nacional de educação efetiva, articulada e contínua, que tenha por eixo a formação leitora e o mérito acadêmico. As experiências de Goiás e do Ceará demonstram que a valorização do saber, o estímulo à leitura e o reconhecimento do esforço intelectual são instrumentos concretos de transformação social.
Educar é libertar da ignorância e do conformismo; ler é evoluir, compreender o mundo e participar dele de forma crítica e consciente. Somente por meio da educação e da leitura o país alcançará verdadeira justiça social, desenvolvimento sustentável e emancipação cidadã. Porque educar é libertar, e ler é evoluir — e sem isso, nenhuma nação alcançará a liberdade que tanto proclama desejar.














