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Mesmo frigorífico que proibiu petistas joga carne de helicóptero em ação “social”

Ação de frigorífico em Aparecida de Goiânia, na véspera de Natal, é acusada de transformar necessidade em espetáculo


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 25/12/2025 - 13:05

Foto: Reprodução/Redes sociais

Em um episódio de um Frigorífico Goiás, de propriedade do empresário Leandro Batista Nóbrega, viralizou nas redes sociais e reacendeu críticas sobre a espetacularização da pobreza. A ação foi realizada na véspera de Natal uma distribuição de kits de carne bovina lançados de um helicóptero sobre uma área de pasto em Aparecida de Goiânia. Imagens gravadas pela própria empresa mostram dezenas de pessoas correndo em direção aos pacotes que caíam da aeronave, em cenas que dividiram opiniões entre elogios à iniciativa natalina e duras críticas ao método considerado humilhante.

A ação ocorreu em 24 de dezembro de 2025 e foi divulgada pelo empresário como “Natal solidário 2025”. De acordo com relatos, houve tentativa de organizar filas no local com apoio da Polícia Militar, mas as cenas que predominaram foram as da distribuição aérea. O Frigorífico Goiás não respondeu a questionamentos sobre os critérios de seleção dos beneficiários, o número de kits distribuídos ou os custos operacionais da iniciativa.

O histórico do empresário e do estabelecimento acrescenta uma camada de complexidade ao caso. Em setembro de 2025, o frigorífico foi alvo de ação judicial que determinou a retirada de um cartaz com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”, após denúncia do deputado estadual Mauro Rubem (PT). Na decisão, a Justiça considerou a prática discriminatória, levantando questionamentos sobre a relação entre a polêmica anterior e a atual ação de caridade amplamente divulgada.

Especialistas em políticas sociais ouvidos pela reportagem apontam que o episódio exemplifica o fenômeno da “caridade performática”, onde o gesto solidário é secundário ao espetáculo midiático que o cerca. A escolha do método aéreo, segundo analistas, reforça simbolicamente hierarquias sociais e transforma a vulnerabilidade em conteúdo para engajamento digital, em detrimento da privacidade e dignidade dos assistidos.

O caso ocorre em um contexto nacional de debates sobre segurança alimentar e eficácia de políticas públicas de combate à fome. Para organizações da sociedade civil, ações pontuais como a do frigorífico, embora possam aliviar necessidades imediatas, não substituem programas estruturados de distribuição de renda e acesso regular a alimentos, que preservam a autonomia e o respeito aos cidadãos em situação de vulnerabilidade.

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