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Goiás Fomento projeta R$ 160 milhões para impulsionar micro e pequenos negócios em 2026


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 28/12/2025 - 07:03

Rivael Aguiar, Presidente Goiás Fomento. Foto: Rodrigo Cabral
Com foco na descentralização do crédito e no fortalecimento dos micro e pequenos negócios, a Goiás Fomento encerra 2025 com resultados positivos e projeta um cenário ainda mais robusto para 2026. Sob a presidência de Rivael Aguiar, a agência amplia sua atuação com o programa Goiás Fomento Até Você, levando atendimento direto aos empreendedores em todas as regiões do estado. Para o próximo ano, estão previstos cerca de R$ 120 milhões em recursos próprios para empréstimos, além de valores adicionais do FCO e de repasses de instituições como BNDES, Finep e Fungetur. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito, respeitando as características econômicas de cada setor e incentivando o desenvolvimento sustentável. A entrevista aborda os resultados do programa itinerante, as principais linhas de financiamento, os critérios de elegibilidade, a participação de parceiros estratégicos e a crescente demanda por inovação. Também destaca a atuação da agência em sustentabilidade e sua contribuição para o crescimento econômico de Goiás em 2026.

Quais os resultados até agora do programa Goiás Fomento Até Você, lançado no início de dezembro?

RIVAEL AGUIAR – Esse programa consiste em uma van totalmente equipada para fazer os atendimentos nos municípios em qualquer localidade do estado. Ela é equipada com ar-condicionado, Starlink, grupo gerador e painéis solares. Independentemente da infraestrutura do local, ela tem condições de realizar o atendimento; e os resultados têm superado as expectativas. Já temos uma série de pedidos de prefeituras para poder realizar as edições do Goiás Fomento Até Você e já fizemos algumas edições no Entorno de Brasília e, nas próximas semanas, devemos estender para as demais localidades do estado.

Em Jataí o público do programa foram produtores rurais e agricultores familiares. As linhas de crédito mudam conforme a região visitada?

Temos linhas de crédito específicas para cada setor da economia e atendemos praticamente todos os setores da economia, porém o nosso foco são as micro e pequenas empresas. Não muda conforme a região, mas conforme a característica do público-alvo. No caso de um evento voltado para o agronegócio, vamos focar nas linhas do Produtor Empreendedor, FCO Rural e demais linhas voltadas para o setor rural. Se é um público ou uma região em que predomina o comércio varejista, vamos oferecer as linhas voltadas para o comércio varejista; para um evento de turismo, temos linhas específicas do setor do turismo. Damos atendimento conforme o público da região ou do evento do qual estamos participando.

O programa conta com parceiros fixos, como Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Associação Comercial e Sebrae?

Sim, temos parceiros fixos como o Sebrae, a OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), Garante Goiás, as prefeituras com as quais temos termos de cooperação e demais entidades, e conforme vamos participando dessas edições, sempre surgem novos parceiros interessados em oferecer nossas linhas de crédito ou trazer clientes. 

Qual é a participação desses parceiros?

O Sebrae, por exemplo, é um parceiro muito importante, porque oferece uma consultoria, orienta esses empresários, faz uma análise da situação. Às vezes o empresário acha que precisa de um empréstimo para determinada característica e o Sebrae orienta para uma outra situação mais favorável para ele. Depois dessa orientação, o Sebrae traz o cliente já sabendo exatamente o que ele precisa. Essa parceria, essa orientação que os parceiros, como o Sebrae fazem, é muito importante.

O programa que leva a Goiás Fomento para as regiões foi pensado porque os empresários têm dificuldade de acessar estatal?

São várias situações conjugadas para surgir essa percepção de necessidade de se  levar a Goiás Fomento até o cliente. Uma delas é que a Goiás Fomento não tem agências, é sediada em Goiânia. Nós temos os correspondentes de crédito em várias cidades, mas ainda há algumas cidades sem correspondentes de crédito cadastrados. Esse cliente teria duas formas de chegar até a Goiás Fomento: se deslocar até Goiânia ou entrar no nosso site e realizar toda a operação através do site. Nós temos essa possibilidade também. Mas  como o nosso público é de micro e pequenas empresas, diferentemente de uma grande empresa, que tem setores contábil, financeiro e jurídico estruturados que podem ir atrás dessas oportunidades de crédito; o microempresário não, ele é o vendedor, o administrador; ele faz tudo. Às vezes, mesmo tendo condições de acessar a internet e solicitar essas linhas de crédito, a documentação, ele não tem tempo para isso. Se ele parar para fazer isso, pode ter dificuldade ali no comércio dele. Nós verificamos que esse público de micro e pequenas empresas têm uma dificuldade estrutural para poder se dedicar a uma busca pelas melhores linhas de crédito, as oportunidades que ele pode verificar. Às vezes ele sabe que precisa, mas ele teria que fazer uma pesquisa das melhores opções para ele. Nós vamos exatamente para suprir essa lacuna, já sabendo que o microempresário tem essa necessidade de estar o tempo todo ali, dentro do seu estabelecimento, se não vai ter prejuízo, vai perder vendas. Nós pegamos a nossa van e deslocamos até ele. E lá, oferecemos todo esse apoio, essa orientação. Esse programa surgiu da identificação dessa lacuna com o nosso público-alvo, veio exatamente para suprir isso.

Quais são as linhas de crédito que a Goiás Fomento opera? E têm recursos próprios também?

Sim, nós temos recursos próprios. As nossas linhas de crédito – não tem como listar porque são dezenas de linhas de crédito específicas – mas de forma agrupada temos linhas de crédito para investimento, para capital de giro e para maquinários. Elas são divididas nessas três categorias. A pessoa que precisa fazer uma construção, por exemplo, temos linhas de crédito; que é comprar insumos ou capital de giro para comprar insumos e executar alguma melhoria  processual, temos linhas de crédito e capital de giro; e para aquisição de bens, imóveis, equipamentos, veículos. São essas três categorias macro. Temos recursos próprios, que são linhas de crédito com recursos próprios da agência e operamos também com o FCO, Finep, que é para inovação, BNDES e Fungetur, que é do turismo. Temos também uma série de linhas de crédito de repassadores, além das nossas. Nós analisamos a situação e a necessidade do cliente e direcionamos para aquela linha de crédito que vai ser mais vantajosa para ele em termos de taxas de juros, prazos e carência.

Qual o orçamento do Goiás Fomento para 2026?

Para 2026, temos em torno de R$120 milhões disponíveis para empréstimo, só do nosso recurso próprio. Com relação ao FCO, temos R$40 milhões disponíveis e BNDES, Fungetur e Finep estamos aguardando ainda a liberação dos recursos para definir o valor.

O BNDES aprovou 400 milhões para as empresas afetadas pelo tarifaço aqui em Goiás. A agência está operando esse recurso?

Esse recurso em relação ao tarifaço não foi implementado; foi liberado. Nós também liberamos as linhas de crédito, mas a excepcionalização que o governo dos Estados Unidos fez diminuiu a pressão em cima dessas linhas de crédito. Nós operamos algumas linhas de crédito voltadas para essas empresas exportadoras, mas entraram nas linhas normais que já tínhamos mesmo. Não houve a necessidade de se criar uma linha de crédito exclusiva para essas empresas exportadoras. Elas entraram dentro das linhas que já tínhamos mesmo, porque aí a gente ganhou agilidade nisso, porque as linhas já estavam prontas e disponíveis para elas, o que acabou sendo mais rápido do que um programa novo.

Quais setores têm maior demanda por crédito em Goiás e como está a demanda em relação ao crédito para inovação e startups?

A nossa maior demanda aqui – estamos falando da Goiás Fomento e isso não quer dizer que o mercado como um todo seja assim – mas na agência, a maior parte dos nossos clientes é do comércio varejista; é a grande maioria e micro empresas. Temos muita demanda também no setor do turismo, que envolve bares, restaurantes, hotéis, pousadas, muito em função dessa linha de crédito que é muito vantajosa. E com relação à inovação, temos uma demanda que está crescendo bastante também. São operações um pouco mais complexas, porque envolvem uma análise do projeto daquela empresa ou daquele produto que está sendo desenvolvido, portanto envolve a Secretaria de Inovação Tecnológica e a Fapeg. Nós precisamos contar com o apoio deles. É um processo um pouquinho mais complexo, mas tem aumentado bastante também a demanda por projetos de inovação.

O que a empresa precisa para ser elegível ao crédito da Goiás Fomento? Existem alguns critérios específicos, além de serem micro e pequenas empresas?

Nós trabalhamos com MEI e médias empresas também, apesar do nosso foco de atuação ser mais nas micro e pequenas. Basicamente, a empresa tem que demonstrar a capacidade dela de pagamento, que o negócio dela tem viabilidade e também não pode ter restrição nos sistemas de proteção de crédito e no Banco Central e na fazenda pública. Tem que estar com as certidões em dia, com o cadastro nos sistemas de crédito e no Banco Central em dia, não pode ter restrições. Os sócios também tem que estar com o nome livre. Basicamente são esses os critérios. O quanto ela vai conseguir pegar de empréstimo vai depender desse fluxo de caixa e do projeto que ela nos apresentar, porque muitas vezes ela quer ampliar o negócio, então vai ter que mostrar que essa ampliação que está querendo fazer tem sustentabilidade financeira, econômica e financeira.

A empresa precisa apresentar garantia real? 

Sim. Nos empréstimos acima de R$ 50 mil, tem que apresentar uma garantia real; abaixo de R$ 50 mil pode ser só avalista ou um dos fundos garantidores que temos disponíveis. Nós trabalhamos com a FGI (Fundo Garantidor para Investimentos), com o Famp (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas) e com o Fundec (Fundo Garantidor de Crédito). O Fundec é um fundo garantidor do próprio estado de Goiás, administrado pela agência de fomento, que atende aqueles microempresários nas operações de até R$ 21 mil. Nesse caso, quando não tem avalista, ele pode contar com aval do Fundec.

Quais os tetos dos empréstimos da Goiás Fomento?

Sim, nas linhas de microcrédito, até R$ 21 mil; nas linhas com recursos próprios da Goiás Fomento até R$ 400 mil para investimento e até R$ 300 mil para a capital de giro; e nas linhas de repasse que envolvem Fungetur, FCO, Finep e BNDES até R$ 5 milhões.

A Goiás Fomento participou da COP 30, do painel Pequenos Negócios e Grandes Impactos. Como foi essa experiência e quais os casos que vocês apresentaram na COP 30?

A experiência foi muito positiva porque a Goiás Fomento tem toda uma política de sustentabilidade. Nós perseguimos a implementação das metas ESG e levamos um caso específico de um projeto de uma empresa financiada pela Goiás Fomento que desenvolveu dois produtos. Um primeiro é um grupo gerador de baixa potência utilizando gás natural como fonte de combustível para reduzir a emissão de gases poluentes, e inclusive a patente foi vendida para uma empresa americana logo depois. E essa mesma empresa desenvolveu um sistema totalmente inovador, que foi uma película que é aplicada em painéis fotovoltaicos, que faz com que esses painéis aumentem a produtividade da energia solar. Ele transforma a energia ultravioleta em luz visível e consegue aumentar a concentração, a incidência de luz na placa, aumentando a produtividade dela. E, por outro lado, também aumenta a vida útil, porque, ao filtrar a luz ultravioleta, diminui o desgaste do material. Esse projeto foi muito bem recebido, muito comentado; e foi uma forma muito importante de mostrar para o restante do país e para o mundo o que Goiás tem em termos de fomento ao desenvolvimento sustentável.

A sustentabilidade é um critério de liberação de recursos?

Não necessariamente, depende da linha de crédito. Nos critérios de sustentabilidade, temos atividades que são vedadas. Por exemplo, não emprestamos dinheiro para empresas que fazem exploração de matas de floresta primária; para empreendimentos de tabacaria; atividades que sejam potencialmente degradantes. Temos algumas atividades que não são permitidas em função desses critérios de sustentabilidade que a Goiás Fomento adota. Algumas linhas de crédito oferecem descontos na taxa de juros quando a empresa tem um programa de sustentabilidade, porque se colocamos isso como um critério, um pré-requisito, deixamos de atender muitas empresas. Nossa estratégia é trabalhar em incentivos positivos, para motivar essas empresas a implantarem práticas de sustentabilidade em seus negócios.

No futuro, esse pode vir a ser um elemento de liberação de crédito da agência?

Pode ser, desde que não seja restritivo. Adotamos medidas de incentivos ao invés de ser pré-requisito porque, se for um pré-requisito, há ainda, principalmente com as micro e pequenas empresas, muitas vezes aquele micro empresário, aquele empresário que não sabe nem o que é isso. Precisa, antes de pensar em criar uma restrição, orientar essas pessoas, esses empresários. É o que a gente faz. Ao invés de falar assim, “você não tem um programa de sustentabilidade, nós não vamos emprestar dinheiro”. Porque assim já se mata o empresário na sua origem; nós colocamos como um incentivo. Orientamos o empresário. Ele vem e pega um empréstimo na taxa de juros X. Aí fazemos uma simulação para caso ele implante um programa de sustentabilidade na empresa: “Se for possível fazer isso você vai ter uma redução no seu custo do empréstimo de tanto.” E ele começa a se interessar pelo assunto. Nós acreditamos mais em ações motivadoras do que critérios de elegibilidade.

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