Uma idosa foi resgatada em situação extrema de abandono e maus-tratos durante a Operação Senex Vulnerabilis, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Civil, em Goiânia. Um homem suspeito de ser o responsável pelos abusos foi preso em flagrante.
A ação foi conduzida por equipes da 4ª Delegacia Distrital da capital (1ª DRP), com apoio da Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI), após o compartilhamento de informações e a análise de registros que indicavam um quadro contínuo de negligência e risco à saúde da vítima.
Ao chegarem à residência, os policiais se depararam com um cenário considerado alarmante. A casa estava em completo estado de abandono, com lixo acumulado em vários cômodos, alimentos estragados, ausência de local adequado para descanso e praticamente nenhuma condição mínima de higiene. No momento da abordagem, a idosa foi encontrada nua sobre a cama, visivelmente debilitada.
O ambiente era ainda mais crítico por conta da presença de quase 30 cães de médio e grande porte, que circulavam livremente dentro do imóvel. Em um dos cômodos, os investigadores localizaram restos mortais de um animal, o que reforçou o risco sanitário e a gravidade da situação.
Segundo a Polícia Civil, a idosa não tinha acesso a itens básicos para sobreviver, como alimentação adequada, medicamentos regulares, estrutura mínima de mobilidade — como rampas de acesso — nem cuidados compatíveis com seu estado de saúde. Para os investigadores, o caso revela um longo histórico de negligência e violação da dignidade humana.
As apurações também indicam que a vítima recebe cerca de R$ 14 mil por mês, valor que estaria sendo usado indevidamente pelo suspeito há aproximadamente 17 anos. O homem não exerce atividade profissional conhecida e se apresentava como responsável pelos cuidados da idosa, enquanto a mantinha em condições degradantes.
Diante do flagrante, o suspeito foi preso e levado à delegacia, onde foi autuado por maus-tratos contra pessoa idosa, crime previsto no artigo 99 do Estatuto do Idoso, que pode resultar em pena de até cinco anos de prisão, além de multa.












