Telas e videogames em geral são soluções rápidas e eficazes para entreter crianças no dia a dia de pais cada vez mais atarefados. Entre as opções mais populares entre as crianças de 04 à 13 anos de idade é a plataforma de jogos on-line Roblox, que apesar de já ter 20 anos de existência, pode ser uma novidade como ameaça para a integridade psicológica e física de crianças.
Para quem não é do mundo dos games, pode parecer inofensivo a principio, ou até mesmo complexo de entender o funcionamento do jogo.
Como o jogo funciona?
Entretanto, a proposta do Roblox é relativamente simples: O game é uma plataforma com milhares de jogos criados pelos próprio usuários, possibilitando a interação das crianças via chat e voz nestes ambientes criados virtualmente.
Ao entrar no jogo, a criança cria um avatar que representa ela dentro dos games. Uma vez que o perfil é criado, o jogador pode escolher um dos jogos da plataforma para interagir. Estes jogos permitem que os jogadores joguem em salas privadas, apenas com amigos conhecidos que têm acesso ao link privado da partida, ou em salas abertas para todos, onde geralmente mora o maior perigo.
Os riscos
Dados indicam que, entre os 144 milhões de usuários que jogam diariamente, 50 milhões são menores de 13 anos. O espaço virtual, contudo, tem sido alvo crescente de denúncias e investigações no Brasil. Autoridades apontam que, por trás do visual lúdico e da promessa de diversão, a plataforma abriga riscos sérios: conteúdos inadequados, dificuldades de monitoramento e, principalmente, um cenário fértil para a atuação de aliciadores e abusadores de menores.
O Roblox se consolidou como um dos jogos mais populares entre crianças e adolescentes, porém essa popularidade tem levantado alertas importantes. Embora funcione como entretenimento acessível e criativo, a plataforma também concentra riscos relevantes, sobretudo quando usada sem acompanhamento constante de responsáveis.
Por esse motivo, investigações recentes passaram a observar o Roblox com mais atenção. Segundo autoridades, a combinação entre liberdade de criação, comunicação direta e fiscalização limitada cria um espaço propício para abordagens indevidas e crimes virtuais.

Conteúdos inadequados e aliciamento silencioso
Embora muitos jogos indiquem idade mínima recomendada, a própria empresa reconhece que essas classificações funcionam apenas como orientação. Assim, crianças conseguem acessar ambientes que simulam situações violentas ou ilegais, incluindo bailes com músicas sexualizadas, apologia a facções, encenações de ataques e até jogos que normalizam a violência extrema.
Além disso, núcleos especializados apontam que a maioria das vítimas de abuso digital iniciou contato com agressores dentro do Roblox. Em geral, adultos se passam por crianças, constroem vínculos afetivos e, gradualmente, transferem a conversa para outros aplicativos. A partir disso, passam a manipular emocionalmente as vítimas.
Casos recentes no Sul do país exemplificam o problema. Em investigações distintas, meninas foram chantageadas após interações dentro de jogos aparentemente inofensivos. Mesmo quando os suspeitos são identificados, os danos emocionais e o risco de novas exposições permanecem.
Como monitorar o uso
O debate acontece em meio à entrada em vigor do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que passa a valer em março. A nova legislação estabelece regras mais rígidas para plataformas digitais e amplia a responsabilidade das empresas na proteção de menores.
Diante da popularidade do jogo, muitos pais reconhecem que impedir totalmente a exposição dos filhos não é simples. Ainda assim, é possível adotar boas práticas que ajudam a reduzir os riscos associados à plataforma.
Conversar com os filhos é o primeiro passo
Dentro dessas plataformas, abusadores costumam repetir o mesmo padrão de atuação. Em geral, a pessoa mal-intencionada tenta induzir a criança a cumprir tarefas e a esconder essas situações dos pais. Por isso, os responsáveis precisam manter uma conversa franca com os filhos sobre os riscos do jogo e reforçar que podem confiar nos pais para protegê-los.
Quando surgem situações de bullying ou aliciamento sexual, a criança deve comunicar os pais imediatamente. Nesse contexto, uma abordagem acolhedora, em vez de punitiva, tende a fortalecer o vínculo familiar e aumenta a confiança dos pequenos para relatar situações delicadas.
Monitorar constantemente
Ao permitir o acesso à plataforma, os pais devem acompanhar o uso de forma contínua. Uma estratégia simples envolve orientar a criança a jogar em locais visíveis da casa e sem o uso de fones de ouvido. Além disso, pais com maior familiaridade digital podem incentivar o acesso apenas a salas restritas a amigos conhecidos, como colegas da escola ou do condomínio.
Auxiliar na hora do cadastro
O momento do cadastro exige atenção especial dos responsáveis. Nessa etapa, os pais podem aplicar restrições importantes, como limitar o chat de texto e voz e definir corretamente a idade da criança. Quando a criança realiza o cadastro sozinha, ela pode burlar essas configurações com facilidade.
Embora essa medida não elimine totalmente os riscos, ela contribui para reduzir a exposição a situações perigosas.
Restringir o uso da plataforma e buscar alternativas
Diante do aumento de denúncias e casos graves ligados à plataforma, muitos pais optam por restringir o uso do jogo. Embora essa decisão gere resistência, sobretudo quando a criança já está habituada ao game, ela pode funcionar como uma barreira direta contra abusadores e outros criminosos.
Para facilitar esse processo, os pais podem apresentar alternativas de lazer mais saudáveis. Além disso, explicar com clareza os motivos da restrição e dialogar sobre os riscos ajuda a criança a compreender a decisão e a aceitá-la com mais segurança.














