A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apresenta na próxima segunda-feira (23) um estudo sobre os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 no país. O levantamento será divulgado durante o debate “Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócios”, que ocorrerá das 15h às 17h, com transmissão pelo canal CNC Play no YouTube.
Segundo a entidade, a redução da carga semanal de trabalho pode elevar os preços no comércio em até 13%, em razão dos custos de adaptação às novas jornadas. O estudo também projeta impactos econômicos estimados em R$ 235 bilhões no setor de serviços e R$ 122 bilhões no comércio, caso a mudança seja implementada sem mecanismos de transição.
Depois de meses de resistência, representantes da indústria e do comércio passaram a admitir a possibilidade de mudanças na jornada de trabalho no país, desde que em um formato mais gradual. Nos bastidores da Câmara dos Deputados, entidades empresariais têm sinalizado preferência por uma versão mais moderada da proposta que prevê o fim da escala 6×1, considerada mais compatível com a realidade produtiva e com a capacidade de adaptação das empresas.
A Proposta de Emenda à Constituição em debate reúne iniciativas que reduzem a jornada semanal de 44 para 36 horas, mas o modelo tem sido objeto de negociação política. Enquanto setores ligados ao movimento trabalhista defendem uma mudança mais ampla, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) passou a articular uma alternativa intermediária de 40 horas semanais, formato que tem aproximado o diálogo com o empresariado e com parlamentares de centro e direita.
Em documento técnico, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende cautela e sustenta que a mudança pode ter impactos econômicos relevantes. Segundo a entidade, a redução para 36 horas teria “altíssimo custo” para o país e poderia elevar os gastos com trabalhadores formais em 20,7%, além de afetar a competitividade.
O tema ganhou tração política ao migrar das pautas sindicais para o debate eleitoral e para o cotidiano dos trabalhadores. Pesquisas recentes indicam apoio majoritário da população à redução da jornada, enquanto entidades industriais alertam para impactos econômicos relevantes, incluindo aumento de custos e riscos à competitividade.
Diante desse cenário, a tendência no Congresso é de busca por um texto de equilíbrio. O presidente da Câmara, Hugo Motta (REP-PB), já manifestou a intenção de levar a proposta à votação ainda no primeiro semestre, possivelmente até maio, mês simbólico pelo Dia do Trabalhador. Até lá, a tramitação deve intensificar negociações entre governo, setor produtivo e lideranças partidárias, em torno de um modelo que combine redução gradual da jornada com flexibilidade nas relações de trabalho.
Proposta original
A proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) prevê o fim da escala 6×1 e a reorganização da jornada semanal para 36 horas distribuídas em quatro dias de trabalho e três de descanso (modelo 4×3), sem redução salarial.
A parlamentar sustenta que a mudança busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar o tempo para convivência familiar, qualificação profissional e cuidados com a saúde, além de reduzir o esgotamento físico e mental associado a jornadas extensas.
O texto original também permite compensação de horários por meio de acordos ou convenções coletivas, oferecendo flexibilidade na adaptação às diferentes atividades econômicas.













