A empresária Ana Paula Rezende divulgou uma carta aberta aos chamados “iristas” após oficializar sua saída do MDB e filiação ao PL, onde passa a integrar como pré-candidata à vice-governadora o projeto político do senador Wilder Morais (PL) para as eleições de 2026. O documento surge em meio a manifestações contrárias ao seu movimento político e a articulações nos bastidores do MDB que buscam desgastar sua decisão.
No texto, Ana Paula afirma que sua escolha foi motivada por reflexão e necessidade de continuar exercendo a política que aprendeu com a família. “Nos últimos tempos, depois de muita reflexão, oração e diálogo, tomei a decisão de seguir um novo caminho partidário. Me filiei ao PL”, escreveu. Ela acrescenta que a mudança representa a busca por um espaço onde possa atuar “com liberdade e convicção”.
A carta resgata o legado político do ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende, destacando valores que, segundo ela, orientam sua trajetória. “Uma história construída com trabalho incansável, proximidade verdadeira com as pessoas e compromisso permanente com Goiás — valores que aprendi dentro de casa”, diz o texto, ao mencionar também Dona Iris Araújo.
Ana Paula enfatiza o caráter coletivo do irismo e a participação de aliados históricos. “O legado do meu pai, o legado Iris, nunca foi individual. Sempre foi coletivo”, escreveu. Em outro trecho, afirma que os apoiadores são “parte viva dessa trajetória”.
A empresária também descreve experiências pessoais ao lado do pai e do impacto das políticas públicas implementadas por ele. “Vi meu pai entregar mil casas para mil famílias em um único dia” e transformar o estado “com amor, trabalho, presença e coragem”, afirmou, acrescentando que essas memórias se tornaram referências de propósito e compromisso público.
Ruptura com partido
Nos bastidores, a saída de Ana Paula do MDB foi interpretada como ruptura simbólica com a sigla que abrigou a trajetória política de Iris Rezende. Lideranças emedebistas e políticos de outras legendas, como o vereador Fabrício Rosa (PT), têm dado declarações críticas ao novo alinhamento e intensificado movimentos para esvaziar o capital político da empresária dentro do campo irista.
A mudança partidária ocorreu após impasses internos e falta de respaldo político para projetos defendidos por Ana Paula no MDB. Ao se filiar ao PL e aceitar o convite para compor como vice na chapa de Wilder Morais, ela incorpora ao projeto liberal o simbolismo do irismo e amplia o alcance da oposição ao governo estadual.
Na carta, a empresária também destaca a influência feminina em sua formação política. Ao lembrar a atuação de sua mãe e de outras mulheres, afirmou que essa presença moldou sua visão de uma política “próxima, humana e comprometida com as pessoas”.
A publicação do documento é vista por aliados como tentativa de preservar o vínculo com a base histórica do irismo e responder às críticas surgidas após a mudança partidária.
Leia a nota na íntegra:
Carta aberta aos iristas
Escrevo movida por respeito, gratidão e, sobretudo, pela consciência profunda da história que nos une. Uma história construída com trabalho incansável, proximidade verdadeira com as pessoas e compromisso permanente com Goiás — valores que aprendi dentro de casa e que sempre nortearam a caminhada do meu pai, Iris Rezende, e da minha mãe, Dona Iris Araújo.
Vocês, iristas, são parte viva dessa trajetória. Estiveram presentes nos momentos de construção, nas conquistas, nos desafios e também nos períodos mais difíceis. O legado do meu pai, o legado Iris, nunca foi individual. Sempre foi coletivo. Foi feito por muitas mãos, muitos corações e pela convicção compartilhada de que a política só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.
Eu vi isso de perto. Vi meu pai entregar mil casas para mil famílias em um único dia. E enxergar, em cada chave entregue, a dignidade sendo devolvida a quem mais precisava. Vi ele transformar um estado inteiro com amor, trabalho, presença e coragem.
Vi Goiânia se tornar referência nacional em qualidade de vida. Essas imagens não são lembranças apenas afetivas, são minhas referências de vida, de propósito e de compromisso público.
Também testemunhei, ao longo dessa caminhada, a força das mulheres que estiveram ao lado da minha mãe. Mulheres firmes, sensíveis, resilientes, que compreenderam a política como cuidado, responsabilidade e transformação social. Essa presença feminina moldou profundamente a forma como eu entendo a política: próxima, humana e comprometida com as pessoas.
Nos últimos tempos, depois de muita reflexão, oração e diálogo, tomei a decisão de seguir um novo caminho partidário. Me filiei ao PL. Decisão que reflete a busca por um espaço onde eu possa continuar exercendo, com liberdade e convicção, a política que aprendi desde criança: que escuta, que constrói e que entrega resultados.
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