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Área da Comurg próxima a condomínios fechados é avaliada em R$ 117 milhões

Documentos obtidos pela Tribuna do Planalto mostram que imóvel alvo de execução fiscal recebeu oferta de compra por R$ 23,5 milhões


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 06/06/2026 - 08:09

Fazenda Vau das Pombas, Comurg, Goiânia
Imóvel que servia como área de transbordo possui bloqueios para alienação, mas já recebeu oferta de compra de R$ 23,5 milhões (Foto: Reprodução / Google Street View)

Uma área de quase 480 mil metros quadrados pertencente à Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) localizada na Fazenda Vau das Pombas, nas proximidades de condomínios residenciais fechados na região da GO-020, foi avaliada em R$ 117,2 milhões. A informação consta em documentos obtidos pela Tribuna do Planalto, que teve acesso ao processo administrativo instaurado pela estatal para avaliação do imóvel conhecido como Aterro II, situado na Fazenda Vau das Pombas.

Em janeiro, a empresa respondeu ao jornal que o objetivo da avaliação era “determinar o tamanho real da estatal, tanto na capacidade operacional quanto patrimonial”, sendo a avaliação do patrimônio e do passivo “um procedimento comum e necessário para ações que visam a competitividade comercial e visão de mercado”. Procurada nesta quarta-feira (3), a empresa não respondeu.

A área em questão está sem uso operacional desde a gestão passada, quando houve interdição dos serviços de transbordo de resíduos no local. Atualmente, também está submetida a restrições judiciais e administrativas que impedem sua alienação imediata.

Apesar disso, o imóvel recebeu uma proposta formal de compra no valor de R$ 23,5 milhões apresentada pela FIC Investimentos e Participações S.A, valor que teve como base uma reavaliação judicial realizada em maio de 2025. O montante representa pouco mais de um sexto do valor apurado na nova avaliação imobiliária contratada pela Comurg.

O laudo técnico atribuiu à área valor de mercado de R$ 117.208.763,34, em estudo que levou em consideração vistoria presencial, análise documental, características urbanísticas e a dinâmica do mercado imobiliário da região.

Os documentos revelam que a própria Comurg manifestou, durante a tramitação de uma execução fiscal movida pela União, a intenção de vender a área, desde que observadas todas as exigências legais, estatutárias e de governança aplicáveis às empresas estatais.

Valor de mercado

Apesar da valorização apontada pela nova avaliação, o próprio laudo registra obstáculos relevantes para uma eventual comercialização da área. Além do histórico de utilização como aterro sanitário – que pode gerar passivos ambientais e impor restrições a determinados tipos de ocupação -, o imóvel possui penhoras, gravames judiciais e ordens de indisponibilidade vinculadas a processos em andamento.

Por outro lado, entre os fatores que explicam o valor atribuído ao imóvel está a localização às margens da GO-020, uma das regiões de maior expansão imobiliária de Goiânia, próxima a condomínios fechados e aos municípios de Senador Canedo e Bela Vista de Goiás.

O terreno tem porte para receber empreendimentos de grande escala, a exemplo de um loteamento aprovado recentemente pela Prefeitura de Goiânia na mesma região, que prevê 309 unidades imobiliárias. A comparação indica que a área da Comurg poderia comportar um empreendimento residencial na faixa de 300 moradias de alto padrão, dependendo das condições ambientais e urbanísticas exigidas para o local.

Os documentos analisados pela Tribuna do Planalto mostram ainda que uma eventual venda depende de uma série de autorizações e procedimentos internos previstos na Lei das Estatais. O processo está inserido na estratégia de reestruturação financeira da Comurg, que informa ter reduzido um passivo tributário superior a R$ 2,4 bilhões para cerca de R$ 300 milhões.

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