País fechou 31.342 empresas desde novembro de 2023, o equivalente a 6,1% do total. Queda atingiu 14 dos 18 setores e 23 das 24 províncias. Inflação recua, mas desemprego sobe a 7,9%.
A Argentina perdeu 31.342 empresas desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em novembro de 2023, segundo o Monitor Mensal de Empresas, elaborado pelo centro de pesquisas Fundar. O número representa 6,1% das companhias registradas no país. O estoque de empresas caiu de 512.357 para 481.015 no período, de acordo com dados que abrangem até junho de 2026.
A redução no número de empresas é comparável à registrada durante a pandemia de Covid-19. Dos 18 setores analisados, 14 tiveram queda no número de firmas. Apenas a província de Neuquén, impulsionada pela exploração de gás natural em Vaca Muerta, registrou crescimento acumulado.
Setores e províncias mais afetados
Entre os setores com maior retração estão transporte e armazenamento, com queda de 17,51%, atividades imobiliárias, com 13,99%, indústria manufatureira, com 13,81%, e construção, com 9,50%. Na comparação interanual, 23 das 24 províncias argentinas registraram redução no número de empresas. As quedas mais acentuadas ocorreram em La Rioja (19,7%), Catamarca (14,7%) e Tierra del Fuego (13,9%).
No mercado de trabalho, foram eliminados 245,6 mil empregos privados formais entre novembro de 2023 e junho de 2026, segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). A queda representa 3,9% do total. Parte dessas vagas foi compensada pelo aumento de 169 mil trabalhadores autônomos no período, alta de 8,3%. Para o Cepa, os dados indicam uma substituição parcial de empregos formais por atividades com menor proteção trabalhista.
Inflação recua, mas desemprego sobe
O cenário contrasta com a forte redução da inflação. Em agosto de 2026, o índice de preços ao consumidor ficou em 1,7%, o menor nível mensal em 14 meses. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 33,5%.
A taxa de desemprego, porém, subiu para 7,9% no segundo trimestre de 2026, o maior nível desde o início do governo Milei. Entre os jovens, a situação é mais crítica: a desocupação chegou a 17% entre as mulheres e 14% entre os homens de 14 a 29 anos, quase o dobro da média nacional.
Disputa sobre os efeitos da política econômica
Os números alimentam o debate sobre os efeitos da política econômica de Milei, baseada em corte de gastos, abertura comercial e desregulamentação. O presidente afirma que os indicadores de inflação, exportações, consumo e PIB demonstram resultados positivos e rejeita a avaliação de que o fechamento de empresas esteja provocando uma disparada do desemprego.
A Fundar, no entanto, aponta que a redução no número de empresas durante os primeiros 31 meses do governo é comparável à registrada durante a pandemia. O ministro da Economia, Luis Caputo, atribuiu a queda da atividade econômica em julho a fatores que classificou como “choques transitórios”, incluindo menor disponibilidade de gas, chuvas e nevadas, e menos horas trabalhadas durante o Mundial de futebol.
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