Skip to content

Ato falho? Deputado do PL compara vitória da direita à ascensão do nazismo

Deputado federal Cabo Gilberto Silva compara vitória da direita à ascensão do nazismo e afirma que Winston Churchill humilhou a Alemanha na Primeira Guerra; historiadores apontam erro histórico e simplificação


Fábio Prado Por Fábio Prado em 14/10/2026 - 18:17

Gilberto Silva
Deputado do PL compara vitória da direita à ascensão do nazismo - Foto: Reprodução/Internet

Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse em entrevista à Rádio Arapuan que o STF “humilha” o povo brasileiro, como a Alemanha foi humilhada após a Primeira Guerra. Ele citou Winston Churchill, que não era primeiro-ministro na época. Historiadores rebateram a analogia.

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), reeleito como o mais votado da Paraíba, comparou o avanço da direita nas eleições de 2026 ao contexto que antecedeu a ascensão do nazismo na Alemanha. A declaração foi dada na última segunda-feira (5), durante entrevista à Rádio Arapuan, em João Pessoa.

Segundo o parlamentar, o fortalecimento da direita seria uma reação do eleitorado ao que classificou como “humilhação” promovida pelo Supremo Tribunal Federal contra apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também voltou a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

O erro histórico do deputado

Para sustentar o argumento, Cabo Gilberto recorreu ao período posterior à Primeira Guerra Mundial e ao Tratado de Versalhes. “Eu gosto muito de história e, no final da Primeira Guerra Mundial, Winston Churchill e os vencedores humilharam a Alemanha nazista. Antes de ser Alemanha nazista”, afirmou.

A menção a Churchill está incorreta. Ele não ocupava o cargo de primeiro-ministro britânico durante as negociações do Tratado de Versalhes, assinado em 1919. Churchill só chegou ao cargo de primeiro-ministro em 1940, já durante a Segunda Guerra Mundial.

Na sequência da entrevista, o deputado comparou aquele cenário à situação brasileira e acusou o STF de humilhar a população. “Então, a Suprema Corte vem humilhando o povo brasileiro, a liberdade do povo brasileiro, junto, nesse conluio com o PT”. Questionado pelo jornalista Luís Torres se estaria comparando Jair Bolsonaro a Hitler, o deputado negou. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Nada, zero. É só um fato histórico que ocorreu”, respondeu.

Historiadores rebatem simplificação

A interpretação do deputado foi contestada por historiadores nas redes sociais. O professor Emilio Figueiredo afirmou que a ascensão de Hitler não pode ser explicada apenas pela ideia de humilhação após a Primeira Guerra. “O Tratado de Versalhes e suas consequências tiveram importância, mas o nazismo resultou de um processo muito mais complexo: crise econômica, instabilidade política, crescimento do ultranacionalismo, antissemitismo, violência política, propaganda e enfraquecimento das instituições democráticas”.

O professor lembrou ainda que, em 1928, com o Tratado de Versalhes ainda em vigor, o Partido Nazista recebeu apenas 2,6% dos votos. A grande virada aconteceu depois da Crise de 1929. Para os estudiosos, a fala do deputado simplifica um dos processos históricos mais complexos e violentos do século XX.

Histórico de aproximações com o nazismo

A comparação feita pelo deputado não é um caso isolado na trajetória da extrema direita brasileira. Durante o governo Jair Bolsonaro, episódios de flerte com o nazismo se acumularam. Em 2020, o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, foi demitido após divulgar um vídeo institucional que copiava trechos de um discurso do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.

Comparação entre a montagem de cenário de Joseph Goebbels e o então secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim - Foto: Reprodução/Internet
Comparação entre a montagem de cenário de Joseph Goebbels e o então secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim – Foto: Reprodução/Internet

O slogan da campanha de Bolsonaro em 2018, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, foi apontado como referência ao lema nazista “Deutschland über alles“. Em 2020, a Secretaria de Comunicação da Presidência divulgou uma peça que encerrava com a frase “o trabalho, a união e a verdade nos libertará”. A expressão remete ao lema “Arbeit macht frei“, inscrito nos portões de campos de concentração.

No mesmo período, Bolsonaro recebeu em seu gabinete a deputada alemã Beatrix von Storch, vice-líder do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha. O ex-assessor internacional Filipe Martins foi denunciado pelo Ministério Público Federal por fazer um gesto associado à supremacia branca. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostraram que os inquéritos por apologia ao nazismo abertos pela Polícia Federal dispararam durante o governo Bolsonaro. Passaram de 20 em 2018 para 110 em 2020.

LEIA MAIS: 

Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro

Israel é eleito o país mais impopular do mundo; imagem é manchada por guerra e mortes de civis e jornalistas

Pesquisa
Eleições 2026
Resultados oficiais a partir das 17h de Brasília1º turno · resultados oficiais a partir das 17h
00dias 00horas 00min 00seg
Presidente
Aguardando dados…
Governador
Aguardando dados…
Senador
Aguardando dados…
Acompanhar apuração completa