Governo argentino registra 18 meses consecutivos de queda no número de empregadores, com 480.067 empresas ativas em julho de 2026. Campanha de Flávio Bolsonaro cita o plano “motosserra” como inspiração para o “tesouraço” de R$ 200 bilhões no Brasil.
Dados oficiais do governo da Argentina revelam que a gestão do presidente Javier Milei provocou o fechamento de mais de 32 mil empresas e elevou a informalidade trabalhista para 45% da população ocupada em menos de três anos. O modelo serve de referência declarada para o plano de governo da oposição no Brasil, segundo reportagem do Brasil de Fato e informações da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT).
O número de empregadores registrados caiu de 512.357 em novembro de 2023, antes da posse de Milei, para 480.067 em julho de 2026. A trajetória representa 18 meses consecutivos de redução no cadastro de empresas, com uma perda líquida de 32.290 empregadores. Apenas em julho deste ano, 948 empresas encerraram atividades. O total de empresas ativas com trabalhadores registrados atingiu o menor patamar em 19 anos.
Informalidade e pobreza em alta
A informalidade trabalhista alcançou 45% dos trabalhadores argentinos no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento da Universidade Nacional de Rosário com base em dados do INDEC. O índice era de 41,4% no fim de 2023. Em algumas cidades do norte do país, a informalidade entre trabalhadores por conta própria ultrapassa 80%, chegando a 87,9% em Formosa.
Os setores mais afetados pela precarização são o serviço doméstico, com 77,4% de informalidade, a construção civil, com 76,2%, e a gastronomia e alojamento, com 63,9%. O comércio registra 54,7%. A taxa de pobreza na Argentina superou 30% da população no primeiro trimestre de 2026, segundo a Universidade Católica Argentina.
Plano “motosserra” e a inspiração brasileira
A campanha de oposição liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) reforçou o plano “tesouraço” com cortes de até R$ 200 bilhões. A coordenação econômica da candidatura do PL defendeu publicamente o “plano motosserra” e as reformas desregulamentadoras de Milei como um “ótimo exemplo” para a gestão pública brasileira, conforme declarações da economista Daniella Marques.
O pacote brasileiro prevê a revogação de mais de mil normas e impostos, além de privatizações e redução de despesas obrigatórias. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que replicar o modelo argentino no Brasil seria incompatível com a realidade nacional. Entre os argumentos estão as diferenças de tamanho entre as economias, o grau de constitucionalização do Orçamento brasileiro e o fato de o Brasil não atravessar uma crise aguda como a argentina pré-Milei.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o plano de Flávio como uma “ilusão vazia” vendida ao mercado. Segundo ele, o modelo inspirado em Milei “quer responder com ansiedade a uma demanda única do mercado em relação à dívida sobre PIB” e ignora os efeitos sobre o emprego e a atividade econômica.
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