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Caiado chama Dino de “imperador do Brasil” e fala em “ditadura da toga”

Presidenciável reage à recondução de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 09/09/2026 - 15:32

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) negou nesta quinta-feira (22) que esteja negociando ministérios em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Durante a Festa do Pequi, na Ceasa, em Goiânia, afirmou que o candidato deve priorizar, na composição da equipe, os aliados que estiveram ao seu lado desde o início da disputa presidencial. “Não sou de fazer política voltada à tese de oportunismo, sou da tese da coerência. Não existe nenhuma fala, nenhuma conversa nesse sentido. Zero”, declarou. Caiado disputou a Presidência pelo PSD e aderiu à candidatura de Flávio depois de ficar fora do segundo turno. Ao defender preferência aos apoiadores de primeira hora, reconheceu a diferença entre quem participou da construção da candidatura do senador e os grupos que se incorporaram à campanha após a primeira votação. “É coerente ele estar com quem o apoiou no primeiro turno”, afirmou o ex-governador. O apoio de Caiado a Flávio foi formalizado em Goiás ao lado do governador Daniel Vilela (MDB). Desde então, os dois passaram a integrar a mobilização pela eleição do senador, que enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25). Embora descarte conversas sobre ministérios, Caiado mantém articulações para reorganizar seu partido. No mesmo evento, confirmou que discutiu com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, a possibilidade de uma federação com o MDB. Daniel conduz as conversas entre os emedebistas, em interlocução com Baleia Rossi. “Se nós fizermos da parte minha e do Daniel, está mais do que fechado”, disse Caiado sobre a federação. A negociação, porém, depende de entendimento nacional e da conciliação de interesses nos estados onde as duas legendas integram grupos adversários.

O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) chamou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “imperador do Brasil” nesta quarta-feira (9). A crítica veio após a decisão que determinou o retorno de Andrei Rodrigues à direção-geral da Polícia Federal, revertendo o afastamento imposto pelo ministro André Mendonça no dia anterior.

“Ministros do Supremo passaram de todos os limites, mas a postura de Flávio Dino supera qualquer patamar. Virou imperador do Brasil e implodiu a segurança jurídica”, escreveu Caiado no X. O presidenciável encerrou a publicação com a frase: “Ditadura da Toga, não!”.

A decisão de Dino também reconduziu Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial. Os dois haviam sido afastados por Mendonça após pedido do Partido Novo, em meio a questionamentos sobre relatórios de inteligência produzidos pela corporação.

Apoio a Mendonça

Antes da publicação, Caiado havia defendido o afastamento de Andrei e elogiado a atuação de Mendonça em entrevista à Rádio Itatiaia. Também voltou a cobrar que o próprio Supremo retire Alexandre de Moraes da Corte. “O STF não pode servir de escudo para problemas de ordem individual”, afirmou.

Na mesma entrevista, o candidato disse que pedirá ao presidente do STF, Edson Fachin, a divulgação de todas as informações dos processos relacionados ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Os argumentos de Dino

Ao determinar a reintegração, Dino sustentou que o Novo não tinha legitimidade para pedir uma medida cautelar pessoal contra os dirigentes da PF dentro de uma investigação criminal. Também argumentou que a discussão deveria ser submetida ao plenário do Supremo e apontou riscos de prejuízo a investigações em andamento.

Mendonça, por sua vez, havia fundamentado o afastamento em possíveis irregularidades nos relatórios, entre elas documentos sem autoria identificada, análises de decisões judiciais e uso de informações sob sigilo. Na avaliação dele, a permanência dos dirigentes poderia representar risco às apurações pelo acesso a sistemas e informações da corporação.

Em 2023, Caiado defendia as credenciais do ministro

O ataque ocorre quase três anos depois de Caiado defender publicamente as qualificações de Dino para integrar o Supremo. Em entrevista ao podcast Reconversa, em 5 de dezembro de 2023, o então governador foi questionado sobre como votaria na indicação caso ainda fosse senador. Ressaltou a convivência com Dino e separou divergências políticas da avaliação sobre sua capacidade. “É um cidadão que tem estofo para estar no Supremo”, afirmou naquela ocasião.

 

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