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Com saldo de 19,9 mil vagas, indústria é o setor que mais empregou em Goiás no 1º semestre de 2026

Relatório da Gedin-Fieg analisou dados do Caged referente ao período, com destaque para expansão do estoque de trabalhadores quase o dobro acima da média nacional


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 10/08/2026 - 11:00

Com saldo de 19,9 mil vagas, indústria é o setor que mais empregou em Goiás no 1º semestre de 2026

A indústria foi o principal motor da geração de empregos em Goiás entre janeiro e junho de 2026. Ao todo foram 19.942 mil vagas criadas no período, alcançando um crescimento equivalente a 4,77% no estoque de trabalhadores, ritmo superior ao observado para a indústria brasileira (2,62%). Isso é o que aponta o estudo elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg sobre a Análise das Movimentações do Emprego Industrial, com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

Segundo a Gedin-Fieg, o resultado foi impulsionado principalmente pelas atividades da indústria de transformação (10,022 mil vagas) e do setor de construção (7,792 mil vagas). Juntos, os segmentos foram responsáveis por um total de 17,814 mil empregos líquidos, o equivalente a 89% do saldo industrial goiano.

No cenário nacional, Goiás ficou na 6ª colocação no ranking de crescimento relativo do emprego industrial. Para o semestre seguinte, a economista da Gedin, Gabriela Parreira, alerta que pode haver uma queda. “O mercado de trabalho da indústria tem um comportamento sazonal, e o segundo semestre normalmente apresenta um ritmo menor de contratações. Por isso, mais do que acompanhar os saldos mensais, é importante observar a continuidade dos investimentos e da produção industrial, pois são esses fatores que sustentam a geração de empregos no médio e longo prazo.”, destacou.

Setores e atividades

Com quase nove em cada dez empregos gerados, os setores de transformação e construção são os grandes expoentes de Goiás. No entanto, outros segmentos também receberam destaques: Eletricidade e Gás apresentou a maior expansão proporcional do emprego (11,28%), seguida pelas Indústrias Extrativas (6,44%) e Água, Esgoto e Gestão de Resíduos (4,54%). Os resultados refletem uma expansão disseminada entre os diferentes ramos industriais.

Nas atividades, Obras de Infraestrutura (4,510 mil), Fabricação de Produtos Alimentícios (4,060 mil) e Fabricados Derivados do Petróleo e Biocombustíveis (3,819 mil) lideram a tabela com o maior saldo de empregos. Em conjunto, os segmentos respondem por aproximadamente 60% das novas vagas criadas no semestre.

Também se destacaram outras atividades relacionadas à construção civil, como serviços especializados para construção e construção de edifícios, somam 3,282 mil empregos juntos (1,745 mil e 1,537 mil, respectivamente).

Entretanto, quando o assunto é crescimento do estoque de trabalhadores, Obras de Infraestrutura segue no topo, com aumento de 16,61%, seguido de Fabricação de Derivados do Petróleo e Biocombustíveis, com 14,36%, e Eletricidade, Gás e Outras Utilidades, com 11,28%.

Saldo negativo

A maior redução foi registrada na Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos (-123), seguida pela Captação, Tratamento e Distribuição de Agua (-56), Fabricação de Produtos Diversos (-56) e Fabricação de Móveis (-42). A análise da Gedin destacou que, mesmo nesses casos, as variações representaram reduções inferiores a 2,2% do estoque de trabalhadores, indicando que as perdas ficaram restritas a ajustes pontuais de cada segmento.

Outro aspecto ressaltado pelo estudo é que parte das atividades com saldo negativo apresenta relações de trabalho mais estáveis, refletidas pelo elevado tempo médio de permanência dos trabalhadores desligados. Destacam-se Captação, Tratamento e Distribuição de Água, com média de 73,1 meses de vínculo empregatício, Metalurgia (42,6 meses) e Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos (27,9 meses).

Segundo o estudo, o padrão sugere que os desligamentos ocorreram em setores caracterizados por menor rotatividade e maior permanência dos trabalhadores, e as perdas observadas podem ser compreendidas como ajustes pontuais.

Distribuição territorial

Os maiores saldo de empregos industriais foram registrados em Goiânia (+2,959 mil vagas), Santa Terezinha de Goiás (+1,580 mil vagas), Anápolis (+1,429 mil vagas) e Rio Verde (+984 vagas). Porém, os maiores crescimentos relativos ocorreram em municípios de menor porte, destacando-se Santa Terezinha de Goiás (+121,8%), Serranápolis (+49,1%), Uruaçu (+41,3%), Minaçu (+34,7%) e Rubiataba (22,1%), refletindo a influência de investimentos concentradados em atividades específicas.

Para o semestre, Santa Terezinha de Goiás foi quem apresentou o maior desenvolvimento em ambos critérios. A Gedin apontou que praticamente todo o saldo decorreu da construção de rodovias e ferrovias, responsável por 1,584 mil vagas.

Uruaçu foi impulsionada pela fabricação de álcool e distribuição de energia elétrica, ao passo que Serranápolis e Rubiataba tiveram expansão concentrada na fabricação de álcool. Já em minaçu, o avanço foi sustentado pelas obras de montagem industrial e pelo beneficiamento de minérios metálicos não ferrosos.

Perfil do trabalhador

Quase dois terços das vagas criadas na indústria foram destinadas à ocupações diretamente ligadas à produção industrial, resultando em um saldo de 13,387 mil vagas. O. Em contrapartida, registraram saldo negativo no período os grupos de Alta Gestão e Gerência (-259 vagas) e de Profissionais Especializados (-154). A Gedin avalia que os dados reforçam uma expansão industrial concentrada em funções operacionais, enquanto cargos de maior qualificação permaneceram relativamente estáveis.

A expansão também foi responsável por admitir 8,679 mil trabalhadores jovens, na faixa de 18 a 24 anos, que apresentaram o maior saldo de empregos. Em seguida, a faixa de 30 a 39 anos (3,412 mil vagas) e 40 a 49 anos (2,987 mil vagas), indicando uma combinação entre renovação da força de trabalho e manutenção da contratação de profissionais mais experientes.

Quanto à escolaridade, concentrou-se trabalhadores com ensino médio completo, a faixa educacional mais predominante nas ocupações operacionais e técnicas. Trabalhadores com ensino médio completo correspondem à maior parte das admissões, enquanto trabalhadores com ensino superior mantiveram vínculos mais estáveis e menor renovação da força de trabalho.

Confira o relatório na íntegra: https://www.fieg.com.br/portais/files/aa54d855-6940-429b-a69b-a0fd63037f25.pdf?contentDisposition=inline.

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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